20 albuns para uma ilha deserta

2009 Novembro 9
por fabriciopontin

Disclaimer: Esta lista não contém albuns de Jazz, Eletrônica e Rap. MPB também não entra. Se fosse para entrar Jazz, Eletrônica e RAP, certamente 1/3 destes albuns não estariam aí.

20) Einsturzende Neubauten – Haus der Luege

Maior album do Neubauten. Tambem o melhor album no estilo.

19) CSNZ – Da Lama ao Caos

Album mais forte de uma banda de rock brasileira que eu já ouvi.  Nada contra o Roots (pensei seriamente em colocar no lugar deste album), mas o Da Lama ao Caos maneja as influencias locais de forma mais incisiva e tem um apelo maior. Na minha modesta opinião, CSNZ é a melhor banda brasileira. Melhor que mutantes, melhor que secos e molhados e certamente melhor que Titãs (gosto de todas as anteriores, diga-se de passagem – tá, não de secos e molhados…)

18) PJ Harvey – White Chalk

Tá cheio de vídeo deste album no blog,não vou colocar os mesmos, de novo. Melhor album da PJ, um soco no estomago, e um dos melhores albuns dos últimos 20 anos.

17) Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain

Redefiniu o som que o Velvet inventou sem fazer pose (A/C Weezer) e sem ser um pé no saco (A/C My Bloody Valentine). Minha banda preferida nos anos noventa, com mais ou menos uns duzentos quilometros de distancia pro segundo lugar (Pulp).

16) REM – Automatic for the People

Talvez, o album mais deprimente já escrito. Drive, I’ll try not to breath, Nightswimming e tantas outras músicas. Uma mais sensacional que a outra.

15) Television – Marquee Moon

Alguns dos melhores solos de guitarra já escritos.Tom Verlaine é criminalmente deixado de lado.

14) Bob Dylan – Blonde on Blonde

Precisa justificar?

13) The Rolling Stones – Sticky Fingers

Wild Horses? Check. Sister Morphine? Check. Seria o melhor album dos Stones, se eles não tivessem lançado o Exile. Tem certamente algumas das músicas mais memoráveis da maior banda de rock de todos os tempos.

12) The Beatles – Abbey Road

Este album não inventou a música Pop, mas tornou ela melodicamente perfeita.E também tenho alguma certeza (embora tenha que confirmar a informação com meu irmão) que foi um dos primeiros LPs que eu ouvi na vida.

11) Patti Smith – Horses

Inventou o rock de saias.

10) Neil Young – After the Gold Rush

Valeria só pela música título, se não tivesse outras das melhores composições do Neil Young, atormentado por todos os amigos dele decidindo morrer (ou quase)

9) Sonic Youth – Daydream Nation

Daria para repetir o que eu disse sobre o Pavement. É o album mais importante do Sonic, e também o meu preferido (embora o Sister seja um segundo lugar bastante próximo).

8 ) Can – Tago Mago

O album que o Pink Floyd sempre sonhou em gravar e nunca conseguiu.

7) Nick Cave and the Bad Seeds – No More Shall we Part

Love Letter, No More Shall We Part e Oh my Lord deveriam ser colocadas goela abaixo de todo vermezinho metido a besta que acha que pode escrever uns versinhos tristes e se pintar de poeta.

6) Jimi Hendrix – Are you Experienced?

Se os Beatles codificaram o sequenciamento e harmonização – aquela coisa de escolher as notas certas para os lugares certos – o Hendrix levou o troço para um nível completamente novo ; e até hoje ninguém consegue chegar perto da quantidade de inovação melódica que o Hendrix sugeriu com um único album.

5) Led Zeppelin – Physical Grafitti

Do riff inicial de Custard Pie, passando por Kashmir, In the Light, Ten Years Gone, Physical Graffiti é o trabaho mais coerente do grupo de músicos mais competente que já passou pelo estilo.

4) The Velvet Underground – Velvet Underground and Nico

Acho que é o album mais influente da história do rock.

3) The Rolling Stones – Exile on Main Street

Melhor album duplo já gravado. Tem quase duas horas de música, e tão tem uma maldita música ruim.

2) Sam Cooke – Ain’t that good news?

Elvis, quem? Além de ter ajudado a inventar o Rock and Roll, o album do Sam Cooke tem alguma das melodias definitivas da Stax e é o melhor album de protesto já feito.

1) Bob Dylan – Blood on the tracks

A maior parte dos bons compositores desejaria ter composto pelo menos uma das músicas neste album. O Dylan ter escrito todas, em um espaço de dois anos, e ainda ter seguido uma carreira brilhante depois, só indica a genialidade do Sr. Robert. Como diz o Marcelo Nova “Simple Twist of Fate é Shakespeare, cara!”

[Albuns que quase entraram:
Beck: Sea Change; Pink Floyd: Wish you were here; Nick Cave: TODOS; Lou Reed: Berlin; Neil Young: Tonight's the night; Beastie Boys: Ill Communication; Iron Maiden: Powerslave; Metallica: Ride the Lightning; Joy Division: Unknown Pleasures;  Bob Dylan: Love and Theft; Bob Dylan: Time out of Mind; Mutantes: Ando meio desligado; Sepultura: Roots; Suicide: Suicide]

O MEC precisa censurar a UNIBAN publicamente

2009 Novembro 8
por fabriciopontin

Eu tenho mantido certo silêncio fora do Twitter sobre esta história da menina da UNIBAN, porque francamente esta história me deixa muito irritado.

A UNIBAN acabou de lançar uma nota e tomar uma decisão que dá suporte para o tipo de gente que acha que tamanho de saia justifica estupro, pro tipo de gente que acha que mulher que não sai com véu na rua tem que ser espancada, e que os motivos para expressão individual são relevantes para o respeito de expressões individuais.

Eu não quero entrar no mérito dos motivos da menina usar uma vestidinho vermelho curto. Eles são irrelevantes. Se ela queria provocar, se ela não queria, isso é totalmente sem importância diante do que aconteceu na UNIBAN. O que aconteceu na UNIBAN foi primitivo, foi brutal e sobretudo inaceitável em uma instituição de ensino. O fato da situação ter saído de controle dentro da universidade, dela ter chegado no ponto que a integridade física – para não dizer psicológica – da menina foi ameaçada por um bando de fanfarrão que nunca viu um par de pernas, esta situação é completamente injustificável em qualquer sociedade que tenha a pretensão de se caracterizar como tolerante. A UNIBAN precisava ter garantido a segurança da menina, e não dado suporte à uma turbe de retardados mentais.

Se lemos a nota da UNIBAN justificando a expulsão da aluna em cima dos motivos que levaram ela a escolher uma saia ao invés de outra para ir para aula, precisamos – enquanto membros da comunidade acadêmica – dizer que “não dá”. Existem uniformes para ir para uma aula em universidade? Estamos lidando com adolescentes que não conseguem se controlar ao ver uma menina de vestido curto e maquiagem? É isso? A verdade é que se um aluno decide ir para a aula vestido de Drag Queen, ele tem que ter certeza que Não vai ser agredido dentro daquele ambiente. Ou pelo menos a segurança de que se ele for agredido ele vai ter o apoio insitucional para reagir contra este tipo de atitude brutal, estúpida e intolerante.

O MEC precisa censurar a UNIBAN publicamente. Precisa tomar atitudes para cortar o apoio à esta instituição – financeiro e procedimental – até esta atitude demente ser posta de lado. Não é possível que o Ministério da Educação seja leniente com este tipo de atitude, a UNIBAN não tem autonomia para decidir o modo de vestimenta dos seus alunos, muito menos para apoiar determinadas reações à formas de vestimenta. Isso não existe. Expulsar uma aluna por estar usando um vestido vermelho e pelos supostos motivos que levaram ela a usar um motivo vermelho não é uma atitude aceitável para uma instituição de educação superior – e a UNIBAN perdeu qualquer legitimidade de se caracterizar como instituição de ensino ao emitir tal nota.

Assistencialismo e despolitização

2009 Novembro 8
por fabriciopontin

Entevista sensacional do Professor Mota no Estadão:

O assistencialismo brasileiro é deprimente, pois trata esses condenados da terra como fracassados. E as condições de melhoria social – tão sonhada e ensinada por figuras como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro ou Florestan Fernandes – são pífias. Aqui o capitalismo andou para um lado e a política social andou para outro. Basta ver que o governo não consegue encaminhar a questão dos sem-terra, por exemplo. Mas há, de fato, uma semelhança até física de um certo tipo de “neossindicalista” brasileiro de hoje com aqueles pelegos dos tempos de Getúlio Vargas, Perón, Ademar de Barros…

Na íntegra no blog do Noblat.

La vai o Lula, descendo a ladeira

2009 Novembro 7
por fabriciopontin

Tá, vamos por partes.

Chamada da folha:

Lula diz que é burrice dizer que inteligência se adquire na universidade

Até aí, tudo bem. Realmente não se adquire inteligência na universidade. Embora eu gostaria de pensar que passar dez anos nesta naba (e contando) pode ter me tornado pelo menos UM POUQUINHO mais esperto. Mas estou me iludindo, é claro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se defender nesta sexta-feira por não ter um diploma universitário e disse que inteligência não se adquire na universidade. Em discurso de mais de uma hora durante o congresso nacional do PC do B, em São Paulo, Lula lembrou dos tempos em que era líder sindical, falou das conquistas de seu governo e, sem citar nomes, disse que o fato de receber títulos internacionais incomoda e causa ódio em alguns políticos.

Opa, agora ficou complicado. Lulão não foi se educar porque inteligência não se adquire na universidade. Eu achei que era falta de tempo, sei lá. Mas tudo bem, de fato, o FHC se morde de inveja cada vez que o Lulão ganha um Dr.HC. eu sei disso, tu sabe disso, a torcida do fluminense sabe disso. Beleza. Mas eu tenho a leve impressão que o FHC olha para a produção dele na prateleira e pensa que pelo menos ele nunca ganhou nada em cima de algum apelo ao políticamente correto ou reconhecimento da exoticidade alheia.. Afinal, certamente Oxford não deu Dr. HC ao Lulão pela exuberância intelectual do nosso querido presidente – não tô entrando no mérito do prêmio, semana passada a PUC deu um Dr. HC para o Maffesoli o que na minha modesta opinião é o equivalente à consagrar a capacidade intelectual de um porquinho da índia, se o Maffesoli pode, porque o Lulão não poderia? Claro que pode. Mas, amigo Lulão, desculpa, mas tu podia fazer um mea-culpa, né? Até porque num país carente de valorização dos educadores, o presidente falando que prefere tomar uma ceva com os camaradas do que ir ler palavrinha pequena em livro grosso… é meio chato, sei lá. Vê bem, EU TAMBÉM PREFIRO. Mas eu não sou o presidente da república e tal…

“Tem gente que pensa que a inteligência está ligada à quantidade de anos de escolaridade que você tem. Não tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento, aperfeiçoamento. Inteligência é outra coisa. A política é uma das ciências que exige mais inteligência do que conhecimento”, afirmou ao ressaltar que “obviamente” não tem a sapiência dos sociólogos.

Alfinetada direta no Raposão. O nível de viadagem que tá alcançando esta intriguinha entre o Lulão e o Raposão tá de matar, diga-se de passagem. Pelo amor de deus, arrumem um ringue, coloquem um monte de lama, entrem de sunga e RESOLVAM-SE. Sobre inteligência estar ligada aos anos de escolaridade, claro que não tá ligado. Mas pessoas bem informadas votam melhor, pensam melhor e comem melhor. Escolaridade te dá informação – né? Então convém maneirar no anti-intelectualismo, por deus. Outra coisa, “política é uma das ciências que exige mais inteligência do que conhecimento” Lulão? Tá, eu não vou te pedir que tu leia um troço (até porque nós dois sabemos que não vai rolar, e eu queria agradecer agora ao a$$e$$or [Oi Walter!] que tá te lendo este texto e tal, super legal da parte dele, valeu aí, merece a estabilidade o plano de carreira e os quinze salários por ano, super justo), mas vê bem, se tu leste uns livrinho com umas palavrinha grande e letrinha pequena de vez enquando, era capaz de tu não falar asneira do tipo “política é uma das ciências que exige mais inteligência do que conhecimento“. Existe um troço que a gente chama inconsistência lógica. Aprende na faculdade. É chato. É sábado. Ainda passa no sábado o programa do Huck? Ahn? O Sarney tá no telefone? Foi mal.

Lula disse que não tem vergonha de dizer que estudou até a quarta série do Ensino Fundamental mas que conquistou muito mais do que pôde imaginar, como o título que recebeu nesta semana por ser considerado estadista. “Eu compreendo o ódio que isso causa”, afirmou.

Ok, falando sério, nenhum problema nesta frase. É verdade, o Lula tem atitudes de estadista (o tipo de estadista? isso fica prá vocês pensarem), e é verdade que pessoas ressentem ter um homem pobre, que definitivamente não é branco, nordestino e levemente farofeiro no comando da nação. Eu acho uma coisa bastante positiva, acho o Lula ter sido eleito e re-eleito positivo e interessantíssimo enquanto experimento político (embora seja meio perverso ficar torcendo por experimento político quando o Rio de Janeiro tá do jeito que tá). Também é verdade que tudo isso causa um tremendo ódio em certos setores da população. Muito embora boa parte do pessoal esteja manifestamente cagando e andando. Mas concordo com Lulão.

Depois, concluiu o seu raciocínio filosofando. “A vida é assim: as pessoas falam o que querem ouvem o que não querem… A vida é assim, a vida é dura”, afirmou.

Ao falar sobre a participação no congresso, o presidente disse que era muito grato ao partido por sua lealdade. Segundo Lula, se for para ter um companheiro desleal, é melhor ele virar um inimigo.

“Companheiro, que é companheiro de verdade, na dúvida, ele está do seu lado. Não vacila. Acho que o PC do B, embora tenha tido uma outra decepção, a verdade é que o PC do B foi exemplar nesses sete anos de governo e, por isso, não poderia deixar de ir para agradecer”, afirmou.

É impressão minha ou o Lula acabou de defender o adesivismo cego e irrestrito como prática política democrática e desejável? Ele acabou de agradecer ao PCdoB por ser o seu pelêgo velho de guerra, e que se for para votar contra, ele não quer saber de papo. Interessante. Mas me parece que se o Lulão tivesse se educado um pouquinho mais sobre o que tá em jogo em uma democracia… bom, ele saberia que é profundamente anti-democrático dizer este tipo de coisa.

Ou talvez ele saiba. E jogue com tudo isso.

E neste caso, o Raposão tem muita coisa para aprender com a dissimulação do Lulão. E confesso: eu achava que o Raposão era o rei da prática…

Fenomenologia, comofas?

2009 Novembro 6
por fabriciopontin

Phenomenology is a type of reflective attentiveness attuned to giveness that occurs within experiencing itself. One describes the experience of the ” thing itself” as it is given within the very process of experiencing the matter, while simultaneously glancing at distance, as it were, through an attentive reflection. It is only when these matters apeear outside of the experiencing altogether that the putative descriptions of experience are merely construed or constructed.

In order to accomplish its openess to the matters themselves within experience, the phenomenologis can actively dis-position him – or herself. On the one hand, this entails disposing oneself openly toward the matters in question; on the other, it entails an attempt to ” dis-position” him – or herself from the event, that is, to dispose of the “self” . The interest at stake in the so-called phenomenological dis-interestedness is precisely self-interest, namely, the self’s interest in the world that intrudes on the scene and imposes itself on the phenomena; the preconceptions in question concern the preconceptions of the self with which one comes to the phenomena. We leave aside for now to what extent this can be accomplished. My point is that what phenomenology really wants to bracket is a self-imposition so as to let the matters flash forth as they give themselves; what we become dispassionate about is our selves through nan attempted dis-position of the self, and by so doing, dispose ouselves to being struck in which ever way the given gives itself. This is at least the pretension and the goal.

Eu comecei a traduzir e me toquei que demoraria – no minimo – uma hora só no primeiro parágrafo. Como ninguém vai dar a mínima mesmo (eu já me convenci que nestas horas o blog vira meu bloco de notas, não se preocupem), vou deixar eventuais consternações acerca do que tá escrito para a caixa de comentários.

Ah sim, a citação é do Steinbock em Phenomenology of Misticism, p. 4.

Tremenda definição do que tá em jogo no jogo.

Um pouco (mais) de epistemologia moral

2009 Novembro 5

[even] if expression does indicate linguistic ethical forms it does not imply that the forms it indicates are fittingly constructed to deal with issues. Though it is an interesting movement in terms of – again – moral epistemology, I am not sure as to the extent these descriptions of how we assert morality are helpful in order to identify moral problems. Moreover, I am no sure if there is not a huge step backwards in this attempt to establish the concreteness of moral problems.

No distropia, um insight sobre algumas das coisas que andei pensando para o meu prospecto. Em resumo, depois de muito tempo dei uma olhada em questões vinculadas com a chamada filosofia da alteridade e suas implicações para a epistemologia moral (que é política).

 

Identidade, afirmação e homogenia

2009 Novembro 4
por fabriciopontin

[it] is understandable that people who were despised for their racial origin should react by saying that they were proud of it. But racial pride is not only stupid but wrong, even if provoked by racial hatred. All nationalism or racialism is evil, and Jewish nationalism is no exception

Popper, 1986

[é compreensível que pessoas que foram despresadas por suas origem raciais reagissem dizendo ter orgulho destas. Mas orgulho racial não é apenas idiota, mas errado - ainda que provocado por ódio racial. Todo o nacionalismo ou racialismo é mal, e o nacionalismo judaico não é uma exceção]

Popper era um homem de origem judaica na Vienna dos anos 30. Também foi um dos maiores filósofos do século XX. Muita pouca gente escreveu tanto e falou tão pouca besteira quanto o Popper.

Melhor bixo

2009 Novembro 3
por fabriciopontin

Ursos são animais Lockeanos.

Do Telegraph:

A police spokesman in Srinigar said the bodies of the rebels were recovered on Monday from forests in the southern district of Kulgam.

“The two had been mauled to death by a wild bear,” said the police spokesman, adding that two rifles were found near their bodies.

The men – known by the names Saifullah and Qaiser – were members of the region’s most powerful group Hizbul Mujahedin and had been active in Indian Kashmir for more than six years, police said.

Urso>CIA.

Notícia em português aqui.

Claude Lévi-Strauss 1909-2009

2009 Novembro 3
por fabriciopontin

Vou reproduzir o que coloquei no distropia, vocês podem escolher onde comentar.

Com Lévi-Strauss morre o último dos grandes racionalistas clássicos franceses, com ele um estilo de organização sistemática e apelo ao coerentismo marcado pela presença de estruturas fortes de análise de tipos desaparece, perde seu último grande defensor – e em alguns aspectos, o inventor de uma forma de abordagem para fenômenos estruturais. É verdade que Lévi-Strauss viveu para ver sua teoria ser a crista da onda e depois detonada, viveu para ver um ou dois revivals de sua teoria e até foi testemunha da apropriação tardia dos próprios textos – poucos autores tem o privilégio de ver a recepção das suas obras clássicas 50 anos depois da publicação destas.

Lévi-Strauss, se não for colocado no Pantheon, certamente mereceria estar lá. Não pela atualidade da sua obra, mas pela importância do que ele fez, do seu esforço teorizante de compreensão da estrutura do mundo – ainda que hoje possamos ver algumas partes deste esforço de identificação de estruturas abrangentes como essencialmente igênuo, é importante reconhecer o que significou para uma geração de pesquisadores as condições metodológicas estabelecidas por Lévi-Strauss. No mais, talvez nenhum pesquisador estrangeiro tenha sido tão importante para o estabelecimento de uma cultura de pesquisa no Brasil que hoje torna a nossa antropologia uma das mais qualificadas do mundo – inclusive, se algum campo de humanidades no Brasil é relevante internacionalmente, este campo é sem sombra de dúvida a antropologia, e sem Lévi-Strauss antropólogo algum no Brasil escreveria uma linha hoje.

Para quem escreve e fala de filosofia, a importânciafica neste apelo quase que originário a estruturas e ao racionalismo, ao coerentismo semântico e rigor procedimental é indispensável. Lévi-Strauss é importante para autores tão diferentes quanto Tugendhat, Umberto Eco e Geertz justamente por esta razão, e cada um destes autores vai pegar um elemento diferente para criticar, apropriar e re-considerar.  Mesmo teólogos como Levinas e Caputo acharam espaço para a consideração de Lévi-Strauss enquanto um pensador que oferece elementos teóricos indispensáveis para a pesquisa sobre símbolo, sobre experiência e sobre ídolatria.

Mas a lição da biografia intelectual de Lévi-Strauss é a da importância de manter uma teoria consistente e aberta à crítica, que faz a crítica e a construção do conhecimento possível. O apelo a estrutura, ao coerentismo, é justamente o elemento que permitiu que tantos pudessem criticar Lévi-Strauss tão fortemente e a importância da obra dele é justamente ter instigado e dado o tom para duas ou três gerações de antropólogos, sociólogos, filósofos e mesmo teólogos.  Lévi-Strauss nos ensina que sem rigor, sem coerência e sem apelo a algum tipo de fundo estrutural, a gente tá perdido – e esta é uma constatação cada vez mais difícil de escapar.

Hoje tá brabo

2009 Novembro 2
por fabriciopontin

Daí, eu recebo o post novo do Brian Leiter no meu google-reader.

Em síntese, para vocês não precisarem ir no saite. Ele simplesmente escreveu isso:

“O segredo finalmente foi revelado!

É assim que a Judith Butler escreve seus ensaios

Tá, quem é a Judith Butler? É uma das maiores autoridades em feminismo, pós-modernismo e – ouvi dizer – inclusive na escola de Seul. Claro, ela tem a antipatia eterna de qualquer um que procure por frases que se conheçam e tenham amizade entre si. Daí a piada. Enfim, o Brian Leiter não tem coração.
Mas como diz a Tati, é capaz dele ter razão…