Estava passeando pela inet, no sáite do último segundo achei uma matéria sobre uma iniciativa do New York Times, chamada “The Last Word”. Basicamente: o jornal possibilita ao sujeito gravar o próprio obituário em vídeo, uma espécie de entrevista, junto com uma narração da vida do cara, que, pelo que entendi, é escrita pelo próprio sujeito.

A primeira vítima da iniciativa foi o humorista americano, Art Buchwald, uma espécie de instituição do Herald Tribune, que também trabalhou no NYT e por tudo que foi canto. O vídeo que voce pode ver aqui , é tocante. A punchline que o Buchwald inicia o próprio obituario é sensacional “Hello, my name is Art Buchwald, and I just died”. Não sei se dá para dizer que é mórbido assistir um sujeito morrendo na diálise, acabando de perder uma perna, dizendo que não gostaria que as pessoas pensassem que ele sofreu ou está brabo pelos dois últimos meses de vida dele. Acho interessante que se confronte a morte de frente, tem algo de covarde numa espécie de pausterização da morte, que é muito corrente hoje em dia. Pessoas morrem como o Buchwald, sem uma perna, com dificuldades de fazer as necessidades fisiológicas básicas, sentindo dor, quase sem conseguir falar. Não dá para querer puxar o botão sempre.

A pergunta final do entrevistador ao Buchwald um pouco que confronta o ouvinte com a morte do Buchwald, mas com a própria morte: “How do you want to be remembered?”. Não é , exatamente, uma pergunta fácil de responder. O Buchwald saiu com “I want to be remembered as someone who made people laugh. (…) I want my ashes to be thrown in every cocktail party”. Fair enough.