Título alternativo: Fear and Loathing Aracaju.
Quando em Aracaju, coma Acarajé no Acarajé da Rita, tenho alguma dificultade de descrever como chegar no lugar, acho que é em uma avenida paralela à avenida que leva para o farol – mas posso estar enganado.
Enfim, o local onde fica o bar é meio estranho, com toques de velho-oeste – inclusive, pensei ter visto uma bola de feno passando pela avenida. Ao estacionar o carro na esquina do local tive a impressão de estar em uma periferia parecida com a Balthazar de Oliveira Garcia, ali para os lados do Jardim Planalto, em Porto Alegre. Entrando no lugar, no entanto, tudo muda de figura, é absurdamente limpo – e o cheiro de azeite de dendê é algo de impressionante. Comi um Acarajé no guardanapo e meio no prato, que dividi com a Tati – e comeria mais. Depois que comi Acarajé, já na primeira vez que vim para cá, não entendo muito bem esta resistência que muita gente tem com esta comida – todo mundo com quem falo tende a achar muito apimentado, ou meio porco – sinceramente, eu acho uma comida forte, sem dúvida, mas limpa (se bem feita, tenho a impressão que este troço, se mal feito, deve ser um fracasso tenebroso).
Mas nem só Acarajé a gente come em Aracaju.
Pois bem, os outros lugares que me chamaram a atenção foram o Empório Português – que é um esquema bem mais gourmet que o Acarajé da Rita. Bom, todo mundo estava empolgado em pedir bacalhau – mas a minha reação foi a seguinte: ‘calma ai, só um prato não tem bacalhau. É este que vou pedir”. Pedi um prato de cordeiro ao molho de vinho com tempero de ervas e brócolis cozido no alho – com uma guarnição de arroz. Acho que foi o melhor cordeiro que já comi na minha vida – estou acostumado com comer pernil, e, via de regra, só comi pernil assado bom na época que meu pai fazia na churrasqueira lá de casa, com limão, e no Uruguai. Claro, existem exceções, como o pernil que a dona Lígia esta semana, que estava sensacional – mas, pernil, via de regra, tem gosto de carvão ou de fuligem. Dificilmente se come um bom pernil.
Bem, não era um pernil. Era uma peça de cordeiro que eu não identifiquei. E estava simplesmente sensacional. Cortei sem precisar fazer qualquer força, a faca simplesmente cortava como manteiga o pedaço de carne – me senti no Baudolino, comendo cordeiro assado e, ao invéz de ouvir historias de um Italiano, ouvia histórias de um português e de uma moçambicana – ambos simpaticíssimos.
Além disso, fomos num restaurante chamado Il Piatto, que, para todos os efeitos, é um italiano standart, com a vantagem de ter uma parte aberta e servir umas entradas fantásticas – adorei a beringela assada com molho de queijo e manjericão; na real, parecia uma beringela a parmeggiana. As pizzas também são boas, mas são normais – bem feitas e tudo mais. Do ponto de vista de impressão forte, o Sardenha, que é bem mais caro e menos no clima de happy-hour, me deixou mais impressionado ; digamos que o Sardenha poderia competir com o Ateliê das Massas, enquanto o Il Piatto parece mais a Sálvia.
Chega de comer, vamos para as bebidas.
Bem, bebemos mais em casa do que fora dela em Aracaju. Mas primeiro para a bebedeira fora de casa. Fomos num bar, que já tinhamos ido em janeiro, o tal do Boteco do Chopp – tem um chopp à metro que sai barato se a intenção é apatifar. De resto, como qualquer bar em qualquer lugar do universo: comida razoável e atendimento demorado. Não adianta, creio que isso é comum, exceto se topa-se ir num lugar mais chiquê. Mas se a intenção é apatifar, é difícil escapar de esperar.
Houve também o fator xis-do-speed, que aqui se chama Sorriso, e cujo misto quente me deixou com uma dor de barriga do cão – caguei até dizer chega na manhã seguinte. Mas, superei o problema a tempo de ir no Ramiro no dia seguinte e comer carne de sol, que é bom para cacete, não importa o que te digam. É bom. Ainda não comi bode, mas comeria.
No sentido culinário, é claro.
Voltando para a bebedeira, não tomei nada além de Martini e Vodca o boteco do Chopp. Tinha séculos que não bebia Martini. Very mo.
O que nos leva para as duas festas que fizemos.
Na primeira, ainda estava sob efeito do enjoo do Sorriso no dia anterior – não comam nada que leve presunto no Sorriso, gente. Sério. Eu sei que o Misto Quente custa dois e cinquenta e parece gostoso. É do mal. No entanto, encontrei ânimo e fiz umas margueritas e umas mistureba de vodca com suco de limão e curacao que podem ser chamadas de variação em Sex on the Beach. Nada de muito espetacular. Não bebi lá grandes merdas.
Bom mesmo foi ontem, que reunimos um pessoal na Pandora, que é uma delicatessen inacreditável e que serve um espresso sensacional – tem uns sanduiches bem legais também. Resolvemos reunir uma galera pequena e beber – jogando imagem e ação.
Resultado?
Uma garrafa e 2/3 de tequila divididas por 5 pessoas no espaço de, eu diria, 3 horas. Um pouco mais, talvez. Tequila é a melhor bebida do universo.
Algumas frases:
“Tá gente, é briga na lama, ok?”
“Tá, é minha vez de novo”
“Tá, tá, sou eu agora”
Tequila = paz na terra.
Julho 27, 2007 at 5:05 am
Apesar de curta, foi muito boa a passagem de vcs por aqui! Foi bastante divertido!E ce fez um otimo guia daqui, exceto do sobre o Sorriso kkk
Obs1: Esqueceu do champanhe ontem xD
Obs2: É Pandoro, se fosse Pandora seria do mal xD
Obs3: Se vcs demorarem a vir sou eu que vou visitar vcs!;P
Novembro 13, 2008 at 6:46 pm
Volte mais vezes prá beber e comer bem nesta cidade maravilhosa. O acarajé da Rita é um filé do caral…..