Live Review.

Faixa 1: The Devil. Piano. Voz diferente. Alguém no backing vocal que não consigo identificar. Parece Dirty Three. Nenhuma guitarra até agora. Tem alguma coisa de Bjork nesta música, e muito de Radiohead. Muito mesmo. Lembra Sail to the Moon. Música curta.

Faixa 2: Dear Darkness: (animadores os títulos, né?). Mais piano. “Dear darkness/wont you cover/cover/me/again.” Lindo. Parece um lullaby.

Dear darkness
Dear darkenss
Won’t you cover, cover me again?
Dear darkness, dear
I’ve been your friend for many years.

Eu poderia apostar que os backing são do Ellis, do Dirty Three. Vou procurar isso agora. A PJ andou roubando umas coisas da Cat Power. Tudo bem, a cat power roubou um monte de coisas dela também.

Faixa 3: Grow, Grow, Grow: Isso é um cravo? Musica linda, de novo. Voz parecendo a da época do Dance Hall at Loose Point. Melhor música até agora. Acabo de descobrir que o John Parish é o produtor – o mesmo do Dance Hall. Tudo começa a se explicar. O cara do Dirty Three que tá no album é o White, não o Ellis. Mas, fair enough. Caralho, esta música é muito boa mesmo.

Faixa 4: When under Ether: Piano no início parece uma sequencia ambiental. Eu ainda não ouvi nenhuma guitarra neste cd. Mais um blues da PJ, tipicamente assassino, e tipicamente maternal.

Faixa 5: White Chalk: Um violão. Vocal sobre vocal. Bateria bem no fundo. Lembra – muito – coisas do Loose Point. Cara, a volta da parceria com o Parish tá matadora. Eu mencionei que o Flood produziu e mixou? Pois é. Nada é lá muito coincidente. Musica tem um sentimento de antiguidade, as sequencias de acordes lembram coisas da musica islandesa, tipo Mùm ou Sigur Ros. Não é surpresa, mas lembra Radiohead de novo. Os violões poderiam ser tranquilamente de uma musica do Dirty Three ou do Low. Possivelmente novo ponto alto do cd.

Faixa 6: Broken Harp: Blues assassino – de novo. Carta aberta para alguém que o (narf) eu-lírico (/narf) queria morto. Parece “Mercy”, do Nick Cave. Mesmo tipo de organização. A voz tá *muito* parecida com a da Cat Power.

Faixa 7: Silence: Bah, o início é de arrepiar. Piano com uma bateria bem discreta. Sensacional. O esquema voz-sobre-voz tá realmente funcionando. O encore da música é de cortar os pulsos com faca de manteiga.

I’d risen this morning
Intending to break the spell
my longing not to think

I freed myself from my family
I freed myself from work
I freed myself
Freed myself
And remained alone

Some thrilling shit going on. Por enquanto, só um violão no cd inteiro. Nenhuma guitarra.

Faixa 8: To talk to you: Piano modificado? Voz bem baixa, parece Short Knife, do cd anterior. Mas ainda mais minimalista. Eu acho que ouvi algo parecido com uma slide guitar no fundo, BEM no fundo. Este cd está rapidamente se tornando o melhor cd deste ano e do ano passado. Ambientes maravilhosamente escolhidos. Difícil acreditar que foi a primeira vez que a PJ compôs para piano. Para uma guitarrista, a coisa tá realmente elaborada. Ainda que sejam acordes simples, o sequenciamento tá brilhante.

Faixa 9: The Piano: “Hit her with a hammer” Entendi. Perfeitamente. Bumbo de fundo, junto com algum instrumento de corda que pode ser uma guitarra, mas tambem pode ser alguma coisa modificada, tipo uma harpa. Este cd tá começando a me fazer mal.

Daddy’s in the corner
Rattling his keys
Mummy’s in the doorway
Trying to leave

Nobody’s listening

Todo mundo junto “Oh, I gonna miss you/Oh I gonna miss you”. Animador. Com licença, vou ali me enforcar.

Faixa 10: Before departure: Piano mínimo. Música de suicídio. Bateria incidental, ambiente crescendo ao fundo, voz quase desaparecendo. Eu acho que quero esta música tocando no meu funeral. Risquem “Lucky”, coloquem esta. Acordes dissonantes na mão direita, base na esquerda. Alguém aí perguntou “Lembra Radiohead?” É, lembra um pouco, mas tá um tanto mais… Bluesy. Eu acho que a Cat Power vai precisar melhorar muito no próprio jogo depois dessa. Aquilo no fundo é uma gaita? Possivelmente. É a penúltima música. Cara, que cd bom.

Faixa 11: The Mountain: Ok, isso podia ser Bjork. Tranquilamente. Ambientes densos,voz completamente desesperada. Claro, não poderia ser Bjork pq é muito orgânico, mas poderia ser bjork pela estrutura. Puta que pariu, os ambientes deste album vão me enloquecer. Devastating.

The first tree will not blossom
The second will not grow
And the third is almost fallen
Since you betrayed me so

Imaginem a Diamanda Galàs atacando um piano. É isso.

Acabou.

Melhor cd da PJ Harvey.

Acho que não ouvi nada melhor que isso desde 2002, com o ( ) do Sigur Ros e 2003 com o Hail to the Thief. Possivelmente melhor que o Hail to the Thief. Melhor que o Out of Season da Beth Gibbons. Melhor, mas não muito, que o Elephant do White Stripes.

Os caras da Rolling Stone enloqueceram de dar só três estrelas para este cd.

Se eu tivesse que valorar, daria 10/10. Não ouvi nenhuma música ruim, nada que me desagradasse. Cheguei a pensar que estava parecido demais com Cat Power, em alguns momentos, mas pensando bem, está muito melhor. Mais bem construído, acordes melhores, mais conteúdo. O You Are Free é um tremendo album, mas este aqui é mais interessante.

Eu tô absurdamente impressionado com o que eu acabei de ouvir.