A Carta Capital desta semana tem um pequeno especial online sobre a nova política inglesa de combate ao consumo de maconha, e sobre uma tal de satanização do consumidor.

Minha pergunta é simples: existe demanda sem consumo?

Não adianta vitimizar o consumidor de entorpecentes ilegais como mais um pobre coitado que tem que ser tratado pelo Estado como um doente. Me desculpem, mas este não parece ser o perfil do consumidor de drogas. O cidadão que se vicia em um entorpecente ilegal via de regra faz isso por sua conta e risco, e bem ciente dos malefícios do produto que ele tá prestes a consumir. Porque então temos que pagar a conta – com recursos que já são bastante escassos – de gente que tá levando condutas ilegais?

Maconha é ilegal no Brasil. Talvez fosse o caso de discriminalizar – eu até apoio esta discriminalização – mas enquanto isso não for feito, é muita hipocrisia dizer que o consumidor não incorre em crime. Consumir maconha é crime, sim. Pode ser um crime de menor ofensa, mas perguntem isso pro pessoal que tem suas respectivas comunidades destruídas pelo tráfico de drogas. Até onde me consta, o guri que serve de aviãozinho para trazer maconha pros bacanas em ipanema, também leva cocaína, crack e todo o resto.

Não vou aderir ao discurso do tropa de elite. Mas é fato que o consumidor tem responsabilidade nesta jogada, e que o dinheiro do tráfico de maconha ajuda a sustentar as outras drogas. Pior que a satanização do consumidor, é este coitadismo protecionista lamentável – não tem que proteger o consumidor coisa nenhuma, tem que chamar a atenção de forma eficiente.

E não é com penas comunitárias bobinhas que isto vai funcionar, não se enganem. Já vi audiência sobre isso, e é patético. O cara é pego fumando maconha num jogo de futebol, e ganha cinco semanas de serviço comunitário e a obrigação de ir numas aulas que devem te deixar com mais vontade ainda de fumar um. Não adianta porra nenhuma, e ainda vai custar dinheiro pro Estado. Quer fumar um? Ótimo. Mas é aquela velha história, se tu decidir fumar um baseado, tu tem que ter certeza que se tu for pego tu vai ter que prestar contas de uma forma que seja forte o suficiente para te persuadir do contrário.

Ou isso, ou é melhor legalizar tudo que é droga de uma vez e admitir a derrota.


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