Ah, a juridificação da esfera pública!

O STF não tinha nada que decidir sobre o tema das células-tronco. Este era um tema que os biólogos, os médicos, os pesquisadores da área da saúde em geral, e as comissões mistas de ética em pesquisa, deveriam dar conta. O STF é um órgão político, com competência política. A questão das células tronco só se torna uma questão política por culpa de uma meia dúzia de enloquecido que 1) espera milagres ou 2)não entendem porra nenhuma sobre potencialidade e risco.

A questão da eugenia, que é um ponto de fundo nesta discussão toda, poderia ser material do STF, mas não é isso que está em jogo. Está em jogo a potencialidade de um determinado organismo, e a forma como este determinado organismo pode ou não pode ser usado para pesquisa. Tem uma relação saber-poder neste jogo? Claro que tem. Contudo, não temos nenhum motivo para confiar na decisão do STF como mais adequada que a decisão que pesquisadores na área da saúde seriam capazes de tomar.

Este debate é a mesma babaquice de sempre, de um lado o lobby enloquecido de indústria farmaceutica querendo vender milagre, de outro lado um bando de demente que acha que embriões tem direitos fundamentais como indivíduos. Por sinal, pode patentear embriões? Quem é dono deste material biológico que tá sendo manipulado, e quem vai poder se beneficiar dos resultados destas pesquisas? Estas questões, talvez, pudessem ser decididas pelo STF. Mas justamente estas questões não estão em jogo - isto a gente vê depois.


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