Hoje morreu o Arthur C. Clarke, um dos escritores mais menosprezados pelo povo artê – e ao mesmo tempo, um dos mais relevantes dos últimos 100 anos. Clarke deu o impulso intelectual para o programa espacial americano, e ajudou a dar o tom da psicodelia dos ano 60 ao escrever 2001 (o roteiro do filme e o livro, diga-se de passagem).
Clarke vai ser enterrado no Sri Lanka, onde ele estava recluso, mas vai passar para a história como um visionário e um dos homens mais ligados com o seu próprio tempo. Acho que minha formação intelectual deve muito ao fato de eu ter sido um fã de ficção científica quando era guri, e ter visto 2001 certamente ajudou a formar meu caráter cínico e fora da realidade.
Para a frase lugar-comum do dia: Arthur C. Clarke não morreu, virou poeira espacial e agora se move para o lado escuro da lua. Certamente, como coloca o físico entrevistado pela CNN aqui, é o único escritor da nossa geração que pode ser comparado ao Julius Verne.
Um pequeno vídeo do Clarke no aniversário de 90 anos, ano passado:
Março 19, 2008 at 4:46 pm
Pôxa, não sabia que tu gostava tanto do Clarke.
Do trio de ouro da ficção científica (Asimov, Heilen e Clarke) ele era o que eu tive menos contato (só li 4 livros dele), mas acho que era o mais adulto e desenvolvido deles. Assim como o Asimov, realmente acreditava naquilo que escrevia; mas transformava seus mundos em coisas muito mais próximas cronologicamente que os demais autores.
Não só pela ficção científica em si, mas acho que o Clarke foi providencial para a geração cyberpunk, e, por que não, no retorna da fantasia. Sem falar que era o maior gênio da verossimilhança que já foi publicado.
Assim como os outros do trio, participou ativamente da II Guerra Mundial, e foi o único que se negou a usar seus conhecimentos científicos (e sua obra) para a Guerra Fria (Asimov via de regra se calava e Heilen adorava qualquer tipo de conflito). A humanidade em suas obras era quase uma sociedade digna de Stanislaw Lem; pacífica, com problemas mais de ordem filosófica do que bélica ou econômica.
Nem todos os bons morrem jovens.