Parece haver um meio sorriso irônico, oculto pela barba ursina de Zizek, quando ele fala em “grandes realizações da civilização ocidental”. Mas, quando se trata de Zizek, é sempre difícil discernir o que deve ou não ser levado a sério. Esse é o aspecto estimulante, divertido até, de seus livros e ensaios. Sob a pirotecnia de suas citações e o bizantinismo de sua linguagem, porém, ocultam-se algumas das teses mais empoeiradas da esquerda.

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Ao lado de Karl Marx, o francês Jacques Lacan é um dos alicerces teóricos de Zizek. Conhecido por sua prosa inextricável, eivada de fórmulas pseudomatemáticas para impressionar os incautos, Lacan tentou casar as teorias de Freud com o estruturalismo francês dos anos 60. A “ditadura do proletariado” que Zizek pretende reavivar não estava entre as preocupações desse psicanalista (famoso também pela cupidez com que cobrava de seus pacientes). Quem diz que Zizek se preocupa com coerência teórica? Afinal, esse é o homem que recorre à rigorosa ética kantiana para defender a criminosa política leninista. Ele é insuperável em paradoxos cultivados. No mesmo texto, é capaz de afirmar a indestrutibilidade do capitalismo, para em seguida exaltar o esforço de Hugo Chávez na construção do socialismo bolivariano. Também é fã de uma analogia selvagem. Para atacar a dupla jornada de especulador e filantropo do capitalista George Soros, por exemplo, ele o compara a um produto que conjuga as propriedades contraditórias de ser engordativo e dietético ao mesmo tempo: o chocolate laxativo. Com seu figurino proletário – sempre de calça jeans e camisa de lenhador –, seu humor meio grosseirão e suas referências pop defasadas (como A Noviça Rebelde), Zizek encarna, na aparência, a renovação intelectual do marxismo, combalido desde o colapso da União Soviética. Será difícil encontrar, porém, uma idéia efetivamente inovadora em sua obra. Ele apenas recicla o repertório de falácias da esquerda.

Veja entendeu o Zizek perfeitamente. E de quebra, encaixou uma série de jabs fantásticos no beautiful people.

Este cara, o Jerônimo Coelho, que fez o perfil e a crítica do Zizek, ganhou meu respeito.

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