As Listas de Fim de Ano

Resolvi antecipar minha lista de fim de ano, do que considero mais ou menos relevante para o ano musical e dar algumas sugestões. Primeiro, o básico. A lista não inclui Jazz, Blues e Musica de Câmara. Ouvi muito pouco de música brasileira, e tenho certeza que o CD do Seu Jorge, que não cheguei a ouvir, deve ser muito bom. Posto isto, lá vai minha lista, baseada no – pouco – que ouvi este ano.

Decepção: Zeitgeist, do Billy Corgan. Repetitivo, lembrando Sabbath sem Ozzy, com uns solos sem sentido, e guitarras que pareciam ter passado pelo filtro de edição do Fruity Loops. Muito, mas muito ruim.

Para a lista:

10) Recoil – Subhuman

O Alan Wilder continua sendo um dos compositores mais interessantes em atividade. Depois de ter saído do Depeche Mode, nos idos tempos de 96, logo depois da tour do Songs of Faith and Devotion, o Wilder começou a se dedicar ao Recoil, e produziu uma série de albuns fantásticos. O Liquid, de 2000, é uma obra prima que muita gente que gosta de música eletrônica não conhece. O Subhuman continua na tradição de misturar Blues com musica ambiental BEM sintética. O uso dos sintetizadores é genial, e comprova a fama do Wilder de músico que faz música que outros músicos escutam – mas que tem pouca repercussão com o público em geral. Tá na lista porque vai continuar interessante daqui a dez anos.

9) Queen of the Stone Age – Era Vulgaris

Tá, queens não é mais novidade. Se é que algum dia foi. Novidade era o Kyuss, o Queens é tipo um desenvolvimento. Bom, depois de largar de mão o speed metal no Lullabies (evolução) agora o Queens migra diretamente prum som bem influenciado por blueseira, psicodelia e barulhos sem sentido. Adorei este CD, e acho o que o QQTSA fez de melhor. Sem contar com as participações do velho Reznor, que tão ótimas.

8) Grinderman – Grinderman

Tá na frente do Queens porque faz o disco do Queens parecer acústico. A barulheira do pessoal dos Bad Seeds entupido de Whisky é das coisas mais fantásticas do ano. Além do mais, qualquer um que tem a coragem de cantar “I have the no-pussy blues” merece estar na lista dos melhores do ano. Ah, quem eu tô enganando? Se o Nick Cave gravar um CD de Standards do Tony Bennet eu vou achar o máximo. Na real, a idéia é boa. Vou mandar um email prá MUTE.

7) Tori Amos – Strange Doll Pose

Não tá mais na frente na lista porque é absurdamente longo. Realmente longo. Mas é tão bom que permite ignorar o fato de termos que aguentar umas trezentas músicas de quatro personagens diferentes criados pela Tori. No entanto, a Tori é uma pianista primorosa além de saber fazer arranjos e construir melodias como poucas contemporâneas.

6) Saul Williams – NiggyTardust + NineInchNails – Year Zero + NIN – YearZeroRemixed

Não se enganem, estes três albuns são o mesmo album. Estão na mesma linha de edição, mesma mentalidade, e são complementares. Se tu ouvir os três juntos tu tem o melhor panorama da música eletrônica possível. Além disso, é maravilhoso ver o Reznor voltar a fazer música boa e coerente – e mostrar pro mundo que é o maior produtor em atividade.

5) Spoon – Ga ga ga ga

Legal! Musica para dançar. Baixo divertido, músicos que se entendem. Uma banda que não se leva a sério, o que é sempre ótimo. Eu gosto tanto de Spoon, mas tanto, que eu já gosto mais deles do que Pixies.

4) Ben Harper and the Innocent Criminal – Lifeline

Divertidíssimo. Batidas de Blues e Reggae, letras maravilhosas. O Ben Harper continua com as melhores influencias possíveis (Stevie Wonder, Bob Marley, Hendrix e Bo Diddley saltam aos olhos), e tem uma banda de meter inveja em qualquer um. Album obrigatório para quem gosta de black music, é a contraparte do próximo cd.

3) Jay Z – American Gangster

Sensacional. Um rap que não precisa ficar contando morto no chão nem contando vantagem. Menos samplers, mais melodias. Impressionante.

2) Radiohead – In Rainbows

O album do Radiohead é o equivalente à um bombardeio nuclear no Rock Ingles. Basicamente, o lançamento deste album colocou todo o resto da produção na inglaterra na idade da pedra – chega a dar vergonha.

1) PJ Harvey – White Chalk

Puta que pariu. CD sem noção. Para colocar de forma sintética, foi o único cd deste ano que eu consideraria colocar no meu Top 50.

___

Menções:

Kanye West: Graduation ; White Stripes: Icky Thumb; Bjork: Volta; I am not there music soundtrack (devia ter entrado na lista, agora já era); The Boss: Magic; Thurston Moore: Tress outside the Academia; Peci Young – Peci Young; Public Enemy – How to sell soul to soulless people who sold their soul? ; Amiina – Kurr; Jarvis Cocker – Jarvis (outro que devia estar na lista) ;

Ok, chega.

Comments
One Response to “As Listas de Fim de Ano”
  1. Tatiana disse:

    Pois é, eu se fosse você fazia uma errata pra essa lista. :)

    Concordo com a maioria dos albuns, mas acho que o Radiohead tá ali por ADORAÇÃO (chaaaaato), o Saul Williams é MELHOR que o Reznor (inclusive nos quesitos que primeiro me chamaram a atenção no Reznor, que não são os musicais), e apesar de eu AMAR a PJ, o album dela não me ganhou esse ano.

    Enfin! Já me convenci que nossos critérios são diferentes mesmo. :D

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