Joyce Carol Oates::Black Girl/White Girl

I would wonder if the act hadn’t been purely personal, aimed against Minette Swift as an individual, and not “racist”. Yet how swiftly and crudely the personal becomes the racial! As if, beneath ordinary hatred, there is a deeper, more virulent and deadly racial hatred to be tapped. As the nineteenth-century British looked upon the “Hottentot Venus” (a naively trusting young South African woman who had cooperated with her exploiters, I’d discovered) as a crude sexual spectacle, a brute and not human being to be ogled, displayed in a carnival, eventually dissected for “scientific” purposes. It was sickening, such cruelty. Yet exhilarating to know for always there is power in knowledge.
Racists are not hypocrites Max Meade once provocatively said. Unlike some liberals.
(p.128)

O livro da Oates merece respeito por ser uma crônica nada maniqueísta do cenário pré e pós guerra do vietnã e movimentos civis nos estados unidos. O cenário que a autora traça como background da história que ela conta é mais interessante que a história em si, e na realidade, o fato dela não aceitar respostas fáceis, ou esterótipos fáceis, acaba prejudicando – pelo menos para mim – a leitura.

Não é que o livro seja ruim – longe disso. Mas é quase impossível criar empatia com qualquer um dos personagens – exceto talvez o pastor, pai da Minette . Os retratos da geração detonada pelas ideologias e igenuidades de 68 feito pelo livro é impiedoso, quase agressivo. A Oates não tem nenhum pudor em demonstrar a rapidez com a qual as igenuidades dos anos sessenta se tornaram perigosas e caricatas, sem com isso cair em um tipo de rancor reacionário ou bobinho do tipo “acabaram com nossas tradições”. Mais que isso, o livro mostra, de um lado, um intelectual desastrado sempre na margem da lei e uma ex-hipponga decadente e viciada em remédios que não conseguem criar dois filhos decentemente como símbolos da geração de 68 e de outro lado o conflito racial desde uma perspectiva sutil e sufocante, que nunca é bem desvelada – sobre o conflito racial, não falarei muito para não detonar o livro. Basta dizer que o livro, de verdade, não tem herói, não tem vítima, não tem algoz. É um livro sobre frustrações, sobre fracassos.

No geral, minha impressão do livro é positiva. Mas é uma leitura difícil, a palavra que mais vem na minha cabeça é aquela que coloquei ali em cima: ‘sufocante’. Não sei se gosto do estilo da Oates, mas isso eu não sei julgar, sei apenas dizer que o estilo não me afetou da forma como o Auster ou o Roth me afetaram este ano.

Sugiro a leitura, mas não vou mentir e dizer que é uma leitura agradável ou mesmo palatável. Não é.

(por sinal, leiam o primeiro parágrafo ali em cima. Não lembrou Fucô? Eu acho que a Oates tava lendo o Em defesa da Sociedade quando escreveu este troço)

Comments
One Response to “Joyce Carol Oates::Black Girl/White Girl”
  1. Tatiana disse:

    Eu não achei o livro difícil, mas como já disse, levei muito tempo para decifrá-lo. Acho que só conversando contigo eu o entendi melhor. :)

    E eu gosto da forma como ela apresenta todo o cenário de 1968, principalmente do jeito que você resumiu: “Os retratos da geração detonada pelas ideologias e igenuidades de 68 feito pelo livro é impiedoso, quase agressivo. A Oates não tem nenhum pudor em demonstrar a rapidez com a qual as igenuidades dos anos sessenta se tornaram perigosas e caricatas, sem com isso cair em um tipo de rancor reacionário ou bobinho do tipo “acabaram com nossas tradições”.

    E concordo qdo vcdiz que não é um Auster, mas fico pensando em como contar essa história, com essas conclusões, de uma maneira diferente… :)

    Enfim! Acho que o livro definitivamente vale o esforço!

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