Celebrating X-Mas

Os Estados Unidos tem (têm?) uma fixação com o natal.

Primeiro, gostaria de falar sobre as cancões natalinas. Sim, as canções natalinas, que sempre me pareceram ou insignificantes, ou algo que colocavam no dia de natal para tornar meu humor pior ainda.

Aqui as canções natalinas são uma coisa absurda. É por tudo. Tu entra no Wal-Mart e lá vai o “O c’mon let us adore Him” cantado pelo “coro das crianças abusadas sexualmente por padres de Pittsburgh”, seguido de “Silent Night”, cortesia dos “meninos cantores do Pastor Fred de Alabama, também conhecido como ‘o grupo de meninos mais perturbado do sul dos Estados Unidos'”, depois disso tu já começa a achar que não pode ficar pior, mas tu sai do Wal-Mart, entra no ônibus e é presenteado por uma versão Country-Gospel de alguma musica ridícula em uma versão brega de dar nojo. Existem pelo menos três rádios aqui em Southern Illinois que estão se dedicando a transmitir 24 horas por dia, sete dias por semana, apenas músicas natalinas. Por sinal, eu mencionei que a Black Friday, o dia depois de ação de graças, marca a data que as emissoras começam a transmitir esta demência?

Bom, devo dizer que começo a reconsiderar andar de ônibus – apesar da chuva que não para de cair – apenas para não me expor desnecessariamente a isto; afinal de contas é impossível deixar de ir no Wal-Mart. Mas não se iludam. Estabelecimentos mais “dazelite” também celebram o nascimento do menino jesus com estas musicas terrivelmente massacrantes. A breguice não é exclusividade do povo que anda de ônibus.

Eu tenho uma teoria da conspiração a respeito: na realidade, estas músicas só servem para te deixar com RAIVA do Natal. Não consigo pensar razões para que alguém queira fazer eu sentir raiva do natal, mas é a única razão que eu consigo ver para este fenômeno.

Ademais, tem outro ponto.

Os americanos protestantes tem uma OBCESSÃO pelo menino jesus. É o tal do menino jesus que vai salvar os teus pecados, o menino jesus inocente que chora os teus pecados, o menino jesus que tá na manjedoura, menino jesus isso, menino jesus aquilo. Daí a criançada por tudo. Os comerciais giram em torno da meninada, e do menino jesus. O jesus adulto não tem muito carisma poraqui, acho que não interessa muito – o figura, afinal de contas, era mei-cabeludo, tinha um discurso meio inconveniente, e era assustadoramente parecido com o Jerry Garcia.

Oi, eu sou o Jerry, eu também morri pelos teus pecados!

Eu gostaria de parar poraqui, mas eu simplesmente não consigo.

Ah, sim. Americano lembra da guerra durante o natal. Mas por todos motivos errados. “Mande sua mensagem para os nossos soldados nos campos que estão lutando pela democracia”. Claro, é o outro sacrificado que tá morrendo pelo teus pecados lá em Bagdah. Aquela vida que o Bush vive dizendo que é absolutamente insacrificável, absolutamente sacra. A mesma vida que morre pela democracia no campo. Vamos mandar uma mensagem para os nosss amiguinhos absolutamente sacrificáveis lá no Iraque, sim? Agora é época de sacrifício. Sr. Schmitt manda lembranças.

Estou sendo generalizante, é claro.

Mas o natal é estranho aqui, porque não é, ao contrário do que a gente pode pensar, absolutamente comercializado ou coisa parecida. O natal é assustador, por que ao mesmo tempo que celebra o consumo desenfreado, ele manda mensagens subliminares bizarras. Crianças em posições sexy para vender roupa, crianças vestidas de vermelho com chapeuzinhos cantando para o menino jesus que morre pelo nossos pecados. Não sei ao certo o que pensar de tudo isso, não sei se o natal no Brasil é menos doentio, ou é simplesmente o natal ao qual eu estou acostumado.

Talvez também estar distante; não me preocupando com onde passarei o natal ou o que darei de presente aos meus amigos e parentes – possa estar possibilitando uma reflexão ou observação que eu não fazia no brasil. Não sei. Aqui no Southern Hills, é claro, eu consigo escapar da demência – pelo menos em termos – e só me exponho ao que eu quero ser exposto. Mas é uma sensação bizarra, porque o natal de forma geral passava lotado por mim enquanto acontecimento social. Para mim interessava onde ia ser a janta, e que horas eu podia ir embora – doravante me interessava também o presente de natal. Agora parece que tem um monte de outros fatores que derrepente são relevantes, em uma data que de outra forma não significa coisa alguma para mim.

Enfim, a moral da história é que todo o clima de natal aqui tem contribuido para me transformar em alguém que odeia o natal – antes eu só achava irrelevante, uma boa desculpa para me entupir de comida.

Comments
One Response to “Celebrating X-Mas”
  1. Nato disse:

    Pontos altos do post que eu gostaria de salientar:

    Os Estados Unidos tem (têm?) uma fixação com o natal.
    Sim, as canções natalinas, que sempre me pareceram ou insignificantes, ou algo que colocavam no dia de natal para tornar meu humor pior ainda.
    “coro das crianças abusadas sexualmente por padres de Pittsburgh”
    Oi, eu sou o Jerry, eu também morri pelos teus pecados!

    E dava pra ter uma noção disso tudo. bastava assistir ESQUECERAM DE MIM.

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