Michael Cashmore::The Snow Abides (EP)

Enquanto eu estava preparando meu post sobre os inícios de livro que (por enquanto) considero mais marcantes, o Deco entrou no msn, e, miraculosamente, começamos a bater papo. Eis que o Deco menciona que tem algo que muito me interessa, e eu, cético que sou, achei que ia ser alguma coisa que eu ia achar chato.

Bem, na realidade, era uma pequena gema.

O nome do EP é The Snow Abides, e consiste em cinco movimentos.

O primeiro é uma peça de violino e piano, chamada My Eyes Open. Instrumental, com um sequenciamento que lembra Philip Glass. O clima é bem frio, se é que uma música pode ser fria. Ainda que a melodia seja bem simples, especialmente o tema de cinco notas no piano, que beira o simplório, a forma como a música é sequenciada dá todo um tom mais sofisticado para a música.

O segundo movimento é The Snow Abides, base de piano com participação do Anthony. Não sugiro em caso de depressão.

Snow abides when I saw you
My heart arouse

Embora a base desta música seja o piano e voz do Anthony, bem no estilo que ele faz com a banda, no final voltam os violinos ao melhor estilo Philipp Glass.

O terceiro movimento é How God Moved at Twilight, um título que achei no mínimo provocativo. Mais uma vez, o Cashmore chamou o Anthony. Esta música me lembrou muito de Dirty Three, e de muitas coisas que o Warren Ellis andou fazendo – tipo as colaborações com a Cat Power.

O quarto movimento (Your Eyes Close) tem um vocal bem baixo (adivinha se não é o Anthony?), e continua no clima ambiental do album. O vocal só aparece no início, e depois é substituído por um sequenciamento de piano com violinos que prepara o terreno para o que vem no quinto movimento.

Snow no Longer é uma peça de piano, bem pausada, quase parando. Um ou dois compassos mais infelizes, mas muito bonito. A idéia, parece, é dar um fim pro inverno da primeira música. Não sei, e não me interessa, se o conceito do album tá bem elaborado, mas a música produzida é de primeira qualidade, e aguenta comparação com qualquer compositor contemporâneo que esteja fazendo música instrumental. Claro, não chega a ser tão bom quanto Philip Glass ou Clint Mansell, mas chega perto e não faz muito feio na comparação geral.

Se tu comparar com Godspeed You!Black Emperor!, por exemplo, é imensamente superior.

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