Oferta e Procura

Acabei de ler uma matéria da Rolling Stone de Novembro sobre a briga do governo norte-americano com o tráfico de drogas. A matéria é um monstro, cheio de minúcias, e me tomou quase um mês de leitura de banheiro. Duas coisas me chamaram a atenção:

O tráfico de drogas no Brasil é irrelevante, pelo menos esta é a conclusão que chego ao ler a matéria, para o problema que eles enfrentam aqui. Tanto a colômbia quanto o méxico são importantes, e inclusive sofreram intervenções locais do DEA americano – o Brasil sequer é mencionado na matéria enquanto força a ser reconhecida no tráfico internacional de drogas. Não sei bem o que pensar sobre isso, dado o tamanho do problema que o narcotráfico representa para as grandes cidades brasileiras, e o intercâmbio que ocorre entre o Brasil e outros países da américa latina neste sentido. Talvez o Brasil seja auto-suficiente e isolacionista no tráfico de drogas, é um bom consolo pensar que somos auto-suficientes em alguma coisa que não seja petróleo.

Outra coisa que me chamou a atenção é que a matéria faz um caminho torturoso, desde o plano do Nixon da Guerra contra as Drogas, até o atual plano-méxico, para chegar numa conclusão bem óbvia: não adianta atacar o fornecimento, se tu não combate a procura por drogas. É uma verdade bem simples esta – enquanto houver procura de drogas, haverá tráfico. Ainda que se prenda todos os traficantes que estão na rua hoje, se amanhã alguém estiver interessado em arrumar uma substância ilegal, amanhã aparecerá alguém disposto a vender.

Por muito tempo fui a favor da descriminalização e controle extensivo do uso de drogas recreativas por parte do governo. A verdade é que quem quer sempre vai arrumar droga, e a criminalização só ajuda a formar cartéis e máfias. No entanto, o problema do tráfico está tão fora de controle que penso que neste momento, descriminalizar ou tentar legalizar o comércio de drogas pode sair pela culatra – infelizmente não estamos em condições de ter o controle do nosso território que uma Holanda tem, ou mesmo controlar o consumo da forma como o Canadá faz.

Parece que programas educativos tentando reduzir o consumo a longo prazo, junto com estratégias para sufocar o tráfico seriam a forma mais eficiente de lidar com o problema em um país como o Brasil. No entanto, programas educativos não vão reduzir o consumo a zero, o que sempre vai nos deixar com o problema do tráfico como algo que deve ser contornado. Algumas das pessoas mais educadas que eu já conheci eram também das mais sem controle no uso de drogas.

No entanto, não sei se prender o consumidor é lá uma boa idéia. Custa caro, certamente mais caro que tentar reeducar o sujeito, ou simplesmente deixar ele se matar como bem entender – e saber exatamente quem está consumindo o que , quanto, e de quem (esta é a estratégia canadense).

A matéria da Rolling Stone, que é interminável, tu pode ler aqui.

Não, eu não mantenho nenhum tipo de esperança que alguma pessoa ainda leia estes links. Para ser honesto, acho que pouca gente lê meus posts até o final.

Quando o pessoal começa a reclamar que tá passando de dois parágrafos, e não tá contando fofoca tu vê que a coisa tá braba.

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