Discografia Básica

Bem, considerando o frio lá fora, e o fato do Skype estar com um problema que me impede de fazer uma ligação pela próxima hora, resolvi iniciar uma nova categoria neste blog. Uma clássica.

Se chama “Discografias”

O primeiro disco é o Low.

Low é um disco do David Bowie, de 1977, concebido com o Brian Eno e que consiste certamente na obra prima de ambos artistas. A trilogia de Berlin, consistindo em Low/Lodger/Heroes, é a melhor série de albuns do Bowie, mas o Low é superior aos outros dois – especialmente pela consistência, e por um lado B que tem uma das musicas que mais influenciou por aí. Ouçam Warszawa e A New Career in a new Town, depois ouçam Born Slippy ou Come to Daddy. Daí a gente conversa.

A verdade é que o Bowie merece o reconhecimento por ter feito um album a partir de uma coisa que meia dúzia de gente estava usando. Claro que ele foi na surdina do Metal Machine Music do Reed – o maior fuck you que um artista já deu para sua audiência – e que se beneficiou do fato do Eno já ter algum conhecimento de sintetizadores quando trabalhou nestes albuns. Sem falar no John Cale que tinha sido aluno do Stockhausen e do Cage antes de tocar no Velvet Underground, e vinha trabalhando com ambientes na época do Low.

Mas o Low se sustenta sem toda esta história. É um album primoroso, com faixas tão heterogêneas quanto Always Crashing in the Same Car e Be My Wife.

Com isso não quero menosprezar o retorno da parceria do Bowie com o Eno no Outside – mas se trata de um album inferior, uma espécie de caricatura do que o Low representou.

Bowie não começou a música eletrônica, o Kraftwerk já existia nesta época, sem falar no Silver Apples – duas bandas que influenciaram o som “alemão” que o Bowie tenta reproduzir no album. O Low não é bem sucedido neste sentido. Ele é bem sucedido em criar um lugar para os sintenizadores dentro do POP e do Rock, que simplesmente não existia naquela forma. Para ter uma idéia disso, é só observar o papel dos sintenizadores na Disco, na mesma época, e dos mesmos sintenizadores no post-punk e no-wave que vieram depois.

Claro, ainda acho que o nível que a música eletrônica chega aqui não é tão interessante quanto o do Ambient Music, vol II., e o Future Sounds of Jazz, ambos do Aphex Twin. Mas o Aphex Twin não teria feito nada disso se não tivesse ouvido o Low, diariamente, por uns dez anos.

Vou ver se adiciono um album à discografia básica por semana, deve ser o suficiente.

Comments
One Response to “Discografia Básica”
  1. Virgula disse:

    Eu tenho que escutar mais músicas do bowie, mas as vezes penso que me da preguiça ;P

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