Superbad, ou, quando fomos outcasts

Eu sempre me imagino sendo adolescente com meus amigos atuais. Quer dizer, eu consigo imaginar o pessoal com quem me relaciono (em Porto Alegre, é óbvio), como meus amigos e parceiros de festa e nerdices na adolescencia. Na realidade, a maior parte dos meus grandes amigos são pessoas que eu sequer conhecia quando era adolescente – com exceção do Denis e do Tiago Habkost. Boa parte das amizades que eu fiz no colégio acabaram se perderam nestas reviravoltas da vida – claro, o fato de eu ter uma propensão fantástica a desaparecer também contribui.

Digo isso porque acabei de ver Superbad, e o filme é sensacional. Salvas as liberdades humorísticas do filme, tudo que eu conseguia pensar era no fato de todas aquelas pessoas terem traços imediatamente associáveis com meus amigos. Nós que éramos outcasts, que tirávamos notas ruins na escola, em quem as meninas raramente prestavam atenção e que geralmente acabavamos podres de bêbados na casa de alguém depois das três da manhã – vendo uma reprise de simpsons na FOX.

Tá, estou sendo injusto. Eu não era o cara mais impopular da minha turma – tinha pelo menos TRÊS que ficavam na minha frente na linha de avacalhação. Fui mais outcast na minha graduação do que no meu segundo grau – mas eu entrei no Direito com 17 anos de idade, e era um adolescente. Lembro de ir na formatura de segundo grau do Denis, no Nukanua, uma festa completamente fracassada. Lembro do porre na festa da minha própria formatura. homérico. Lembro de tentar comprar bebida sem identidade, no Nacional do Lindóia, e fracassar miseravelmente, tendo que comprar vodca barata no boteco da esquina.

Lembro do dia que conheci o Tiago Habkost como uma experiência mística, o Thomas Francisco nos apresentou, e a primeira coisa que o Habicó me disse é que ele gostava de gurias em uniforme de escola – depois ficou olhando com cara de tarado para as gurias do champagnat. Tenho certeza que ele só fez isso para me chocar.

Mas o cara que teria sido meu melhor amigo na escola eu só fui conhecer no final da minha graduação no Direito, o Ferdinand Ferrari e eu não nos conhecemos por detalhe. A gente andava nos mesmos lugares, mesmos interesses, o Ferrari participou da organização do Quadrimania, e eu era uma das CINCO pessoas lá. Mas a gente nunca foi amigo na adolescencia, só enquanto pós-adolescentes em tempos de crise – mas me orgulho de ter conseguido ver o Ferrari podre de bêbado, coisa que pouca gente pode se gabar de ter visto.

Enfim, meu melhor amigo de escola ainda é um dos meus melhores amigos, e é uma azeitona. Fui um outcast com o Denis, durante a escola. O Denis era o cara grande, meio desajeitado, e CABELUDO. Eu era o nerd fraquinho, que tirava notas baixas, e queria saber mais que todo mundo. No fim das contas, a gente se odiava tanto que viramos amigos.

Enfim.

Vejam Superbad, o filme tem a melhor qualidade que um filme pode ter: ele vai te lembrar de alguma coisa. Ou alguém. Ou de ouvir o Dawn to Dusk, dos Pumpkins, antes de sair para a balada e dividir um taxi com o outro amigo bêbado e ir caminhando da sapé até a adão baino as quatro da manhã, trocando os pés, e torcendo para conseguir abrir a porta e chegar no quarto.

Este não é um blog pessoal, já disse!

Comments
2 Responses to “Superbad, ou, quando fomos outcasts”
  1. paulo disse:

    mandei para o lugar errado
    hahã que o site não é pessoal
    vc é muito divertido

  2. Denis disse:

    Já me decidi! eu sou uma azeitona verde!

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