O retorno de McCain

O McCain é sem dúvida o mais razoável dos candidatos republicanos. É o único que se posicionou contrariamente à tortura de forma clara, e que demonstrou entender o que tá em jogo nas campanhas militares americanas. A reportagem da Time desta semana, depois dos resultados em Iowa, dão a entender que o McCain pode estar surgindo como uma força a ser reconhecida – especialmente agora que ele tomou a dianteira nas primárias em New Hampshire, e tem pego votos do Giuliani, que, parece, se tornou um candidato inviável.

Na Time:

John McCain took home a modest fourth place finish in the Iowa caucuses, garnering 13% of the Republican vote. But he may be as big a winner as Mike Huckabee. Huckabee’s knockout of Mitt Romney in the caucuses was exactly what the McCain campaign, which spent little time or money in Iowa, needed from the state. McCain decided several months ago to stake his entire campaign on New Hampshire, where he is ahead of Romney (who governed next door in Massachusetts) in the most recent polls. Now that Romney has been severely wounded in Iowa, and with New Hampshire’s Republicans historically cool toward Christian conservatives, McCain is suddenly poised to win big on Jan. 8 — and, perhaps, beyond.

Na verdade, a eleição republicana está totalmente em aberto. Parece que as candidaturas do Thompson e do Giulianni esfriaram, mas como a própria Time coloca, é difícil ter certeza de qualquer coisa antes da Flórida.

As Huckabee and McCain have already shown, almost any outcome seems possible in this unusual election cycle. Huckabee could use his personal charm to expand his appeal beyond his evangelical base. Mitt Romney, with a personal fortune he’s shown himself more than willing to tap, could bounce back, challenge McCain in New Hampshire and go on to wage a war of attrition for the nomination. And Rudy Giuliani could — as his campaign planned long ago — impose order on a chaotic primary season, win Florida and then cruise to victory in California, New York and other big states on Feb. 5.

Sobre as eleições dos democratas, ainda acho que a Hillary vai ser a candidata. E irá perder. Na realidade, não vejo um candidato democrata com potencial para vencer a eleição – exceto se o candidato republicano for o Thompson. Eu sei que as pesquisas dizem o contrário, mas elas diziam também nas últimas duas eleições. No mais, achei lamentável a comparação que o Reinaldo Azevedo fez entre o Obama e o Lula. São propostas diferentes, e histórias diferentes.

Obama é um advogado, com formação superior, história dentro do senado americano – Lula foi, no máximo, deputado federal – e uma base que certamente não lembra o sindicalismo que deu base para o petismo. Ouvi o Obama falando poucas vezes, e acho que de todos os candidatos democratas ele é o mais bem sucedido no plano retórico – mas o Lula me lembra mais o Thompson do que o Obama. O Thompson faz o jogo do Lula, que é o jogo do cara normal, com opiniões normais, mas que tem liderança e carisma.

O partido republicano está muito mais próximo do que a gente identifica atualmente com o Petismo do que o Democrata. Pensem na relação entre o petismo e a igreja, e o cenário fica mais bem desenhado. Inclusive, o perfil do sujeito que vota nos republicanos, aqui nos istates, tem muito em comum com o perfil de quem vota no PT no Brasil.

Quanto a dizer que o Obama tem uma plataforma assistencialista, sugiro dar uma olhada no plano de saúde que ele está propondo. Assim como as idéias dele para previdência. Se aquilo é assitencialismo, o que sobra para o que o Huckabee tem dito? Tenho visto e lido o Obama, e por menos que eu ache ele viável enquanto candidato, não sou capaz de concordar com sequer uma linha do que o Reinaldo escreveu.

Comments
3 Responses to “O retorno de McCain”
  1. Walter disse:

    Eu concordo integralmente com o Reinaldo. O que ele quis mostrar é que o “vitória da esperança sobre o medo” do Obama quer dizer a mesma coisa que o lema do Lula e de todo o Pê Tê durante o todo e o sempre: NADA e NENHUMA idéia do que fazer.

    Não conseguiu chegar nem perto, por exemplo, do mantra “Educação, educação, educação” do Cristovam, que, pelo menos, tentou fazer sobre ALGO.

    Eu vi uns discursos do Obama e acho que ele não tem a MENOR idéia de NADA. Ziriguidum domina o universo. Espero muito que ganhe. Ou ele ou o Huckabee.

  2. Discordo, Walter.
    Eu acho que o Obama tem algumas propostas bem definidas. Claro, não chega a ser um programa tão bem construído quanto o da Hillary – acho mal pensado isso de querer tirar os EEUU do Iraque em um ano, é impossível, todo mundo sabe.

    No entanto, não concordo que tenha este papo de esperança sobre medo. Não na campanha do Obama. Vejo isso na campanha do Edwards, nunca na do Obama.

    Acho que o Reinaldo tá querendo provar a tese dele que PT=Partido Democrata. O que é uma tese sem o menor sentido. Até porque o cenário aqui é completamente diferente…

    Este papo do Olavão e do Reinaldo de querer satanizar o partido democrata me soa muito bizarro, sinceramente. Não consigo ver NADA em comum entre os democratas e o PT. Nem o candidato mais de esquerda no partido democrata soa como um petista, sinceramente…

  3. Walter disse:

    Que falou em esperança sobre medo foi o próprio Barack.

    É só ir lá no http://www.barackobama.com

    “Change – we can believe”, “I’m asking you to believe”, “Stand for change”, tudo um grande e enorme NADA.

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