Parafraseado o padre Quevedo:

“Biopolítica é um troço que não ec-siste”

Da folha,

Um grupo de mais de cem pessoas, que inclui psicólogos, advogados, antropólogos e educadores, quer tentar impedir a realização de um projeto de pesquisa que pretende mapear o cérebro de 50 adolescentes homicidas em Porto Alegre (RS). A reação contra os cientistas que lideram a proposta cresceu a partir de dezembro passado, quando um abaixo-assinado acompanhado de uma nota de repúdio de autoria coletiva começou a circular.
A versão mais atual do documento está assinada por 101 pessoas, incluindo integrantes do CFP (Conselho Federal de Psicologia) e de conselhos regionais. Baseada em reportagem publicada pela Folha em 26 de novembro último, a nota compara a pesquisa a “práticas de extermínio” e de motivação “eugenista”.
Dois dos líderes do projeto que está sendo criticado são o neurocientista Jaderson da Costa, da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), e o geneticista Renato Zamora Flores, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Um aluno de mestrado no grupo é o secretário da Saúde do Estado, Osmar Terra, deputado federal licenciado pelo PMDB.
A intenção dos cientistas é analisar em uma mesma pesquisa aspectos neurobiológicos, psicológicos e sociais do comportamento violento, tendo como foco de pesquisa um grupo de internos da Fase (antiga Febem gaúcha).
O projeto de pesquisa ainda não foi protocolado no comitê de ética da PUC-RS, que vai avaliá-lo, mas alguns signatários da nota de repúdio já estão organizando uma reação.
“A gente pretende evitar que ele se realize”, diz Ana Luiza Castro, psicóloga do Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre. “Entendemos que ele fere o Estatuto da Criança e do Adolescente e fere os direitos humanos porque parte desse princípio: liga a violência a um determinado grupo social.”
Castro, que foi diretora da Fase no governo Olívio Dutra (PT), diz que pretende tentar barrar a pesquisa recorrendo à própria PUC-RS e, se não der certo, estuda ir ao juizado o ou ao Ministério Público.
“O estatuto fala de garantias, de reeducação e de reinserção social dos adolescentes”, diz a psicóloga. “Nós não entendemos em que medida esse tipo de estudo pode ajudar nisso.”
Para Jaderson da Costa, os signatários do abaixo-assinado aderiram ao movimento por desinformação ou por não compreenderem a reportagem sobre a pesquisa.
“O que eles assimilaram foi que nós estaríamos sendo reducionistas, procurando simplesmente uma base neurobiológica e desprezando qualquer outro fator”, diz Costa. “Na realidade, é um projeto que visa mesmo ver bases neurobiológicas, neurológicas e genéticas, mas não descuida dos aspectos neuropsicológicos, psiquiátricos, emocionais e sociais.”
Segundo o neurocientista, a reação contrária à pesquisa se deve a uma vertente acadêmica que rejeita a incorporação da neurobiologia no estudo do comportamento humano. “Existe uma corrente retrógrada, que quer manter o conhecimento como está”, diz. “Mas o foro para resolver essas coisas não é esse bate-boca com abaixo-assinado. O foro é a academia, a discussão acadêmica.”

Sem nenhuma análise de valor da minha parte. Não li o projeto, não vou opinar sobre ele. Mas que confusão do diabo. O Reinaldo já tá surtando a respeito lá no blog dele na Veja (o que me parece um outro tremendo exagero), mas a princípio conheço os membros do comitê de ética em pesquisa da PUC, e acho que eles vão lidar com o assunto com a devida moderação.

Mais uma vez, a gente vê que tem dois lados pra tal biopolítica, néhn?

Comments
10 Responses to “Parafraseado o padre Quevedo:”
  1. moche disse:

    Só vou concordar com isso quando os neurobiólogos investigarem o cérebro de adultos que cometem evasão de divisas, aborto ou sonegação fiscal.

    A questão é realmente BÁSICA para quem estuda criminologia. Esses cientistas estão vinculados à matriz etiológica, a mesma que acreditava que tatuagem é fator causador de delitos. Isso tudo foi devidamente desconstru

  2. sei lá. muito bizarro isso.
    não vou me manifestar enquanto não ver do que se trata.

    mas que é ridícula a forma como o satanaldo tá lidando com isso, ah é.

  3. moche disse:

    Falácia grotesca no blog do Azevedo: ele chama de “censura” a passagem de uma pesquisa pelo crivo ético.

    Uma palavra desvirtua todo seu argumento.

  4. moche disse:

    Enquanto tu escrevia a resposta fui lá ler… :)

    Ridículo mesmo.

  5. sem querer defender o demente do Azevedo, Moyses. Mas eu acho que ele chama de falácia a declaração da moça, que ele destaca. Não o fato de estar passando por um crivo ético o processo.

    A briga dele, parece, é mais com o CFPsicologia do que qualquer outra coisa. De qualquer forma, muito lamentável.

  6. moche disse:

    Viram só do que é capaz o obscurantismo politicamente correto?
    1 – Um grupo de pessoas pretende censurar a pesquisa alheia;
    2 – A pesquisa não foi nem mesmo protocolada e já enfrenta reação;
    3 – Os valentes não estão se opondo à conclusão do estudo dos outros cientistas: eles querem impedir é a investigação;
    4 – Estão tão certos de que é o sol que gira em torno da terra, que acham um absurdo que alguém possa investigar se, de fato, não é o contrário;

  7. moche disse:

    tire a palavra “censurar” e a argumentação perde toda sua força.

  8. LMS disse:

    Falam que a nota de repúdio inclui antropólogos… Mas só verifiquei nomes de psicólogos, educadores, assistentes sociais e profissionais do Direito. Só que não tem muito conhecimento científico e prática de pesquisa pode assinar tal documento. Eu como pesquisadora e profissional das ciências sociais sou contra esta manifestação. Se não houver prejuízo para os adolescentes envolvidos(os contrariados dizem que terá, mas não explicitam quais seriam eles), deixem que a pesquisa se desenvolva e depois avaliem e critiquem os seus resultados, a cientificidade de sua metodologia, etc.

  9. LMS disse:

    E por favor, vão estudar criminologia!!!

  10. Bom, a única forma de avaliar isso seria lendo o projeto. Do contrário, a gente fica no achismo.

    No entanto, é certo que a reação do Reinaldo foi desproporcional ao fato – ou ele teve acesso ao projeto que nem passou pelo crivo do comitê da PUC?

    Tanto a atitude dos que assinaram o abaixo assinado, quanto a reação paranoica e apontadora de dedo do Reinaldo são equivocadas – e acabam se anulando enquanto “”argumentos””.

    Deixar ou não deixar a pesquisa se desenvolver é para o comitê de ética da PUC decidir – eles vão ter os dados na frente deles e vão saber como lidar com isso. O resto é histeria.

    Se o pessoal da pesquisa não gostar do resultado da avaliação da PUC, que vá achar um comitê que aprove os resultados e fazer a pesquisa em outro lugar, ora bolas. Se não achar nenhum comitê de ponta que aprove, bem, me parece que daí o problema não é do comitê, certo?

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