Sobre esperanças,

One of the striking features of Obama’s victory speeches is the absence from these exultations of any lasting allusion to the darker dimensions of our strategic predicament. He makes no applause line out of American defense. And jihadist terrorism is only one of the disorders in an increasingly disordered world. The most repercussive fact of our time is surely the transformation of China. The “metrics” are all staggering. Quantities, quantities, quantities. China already has the power to wreck the American economy. However many tanks and fighters it has, its hoarding of American dollars is itself a kind of arsenal. And the bounty of wealth that it promises American business, the fantasy of greed-fulfillment that it represents, makes it almost impossible to conduct a serious discussion of the implications of this emerging world power for American principles and American interests–certainly not in Washington, where, when it comes to the art of dodging debate, Beijing is better than Bandar. What China wants, China gets. Not even the gold medal in tyranny that Beijing will win in its Olympics will make a difference. Meanwhile the authoritarian Putin has punkishly succeeded in restoring Russia to its inglorious heritage, reminding the world of the old formula that capitalism plus state power equals fascism. In Iran, none of Ahmadinejad’s domestic troubles seem to have modified the state’s sense of ascendancy, or its will to nuclearize itself, or its appetite for instability in its region. In Iraq, the streets are safer but the sects are not sweeter. In the Korean peninsula, diplomacy has gone ominously cold. In Palestine there are two Palestines, and one of them belongs to Hamas. In Darfur–well, you know, because everybody knows. In Latin America, the failures of liberal economics have sullied the reputation of liberal politics. And so on.

Esta matéria do Leon Wieseltier sobre o Obama é a melhor crítica que li a respeito do candidato até agora. Acerta ao alvo a criticar a ingenuidade (ou pretensa ingenuidade) por trás do discurso de mudanças – sem com isso entrar na bobajada sobre raça e preparo que tem informado o debate em alguns meios.

É preciso ser cético e manter as expectativas baixas quanto ao fenomeno do Obama – e não reconhecer o fenômeno político que ele representa também é uma burrice. O Wieseltier está tomado de razão ao apontar os erros da campanha do Obama, e o que este tipo de “esperança” pode custar políticamente.

Neste sentido que sempre achei a Hillary mais preparada. Nenhum político ativo nos EEUU hoje sofreu tanto com ataques e decepções políticas quanto a Hillary, e ela sabe receber – assim como distribuir – socos abaixo da linha da cintura. Só que o nível de antipatia que ela agrega (e desculpem teclar na mesma tecla), ao meu ver, está começando a se tornar um problema sério em uma eleição que o partido democrata simplesmente tem que ganhar se pretende continuar relevante – e acreditem, achar que a eleição do congresso é uma amostragem significativa da saturação do partido republicano é um engano; o presidente está saturado? Sim. Mas desconfio que o nível de rejeição do Bush e da Hillary devem andar de mão dadas – serem muito similares. O Obama não tem esta rejeição, e é este o grande trunfo dele – não uma pretensa mudança ou fórmula mágica.

Permitam-me demonstrar. Enquanto eu escrevia este post, a Talking Points Memo divulgou o seguinte:

It also seems like we may be seeing another example of synergy between the two races in Virginia. Independents and Republicans seem to have participated pretty heavily in the Democratic primary, and they went overwhelmingly for Obama. (The reverse happened in New Hampshire.) Those were voters McCain needed in the Republican primary. And without them, or without a lot of them who voted on the Democratic side, he’s in a very tight race with Huckabee.

Ou seja: o Obama está fazendo algo que os democratas não conseguiram fazer nas últimas duas eleições para presidente – e que custou a eleição: agregar os votos dos independentes e de republicanos descontentes. Alguém consegue imaginar a Hillary fazendo isso? Pois é, eu achei que não.

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