O Fogo Amigo!

Consternada com sua posição nas últimas primárias, a campanha Clinton resolveu adotar uma estratégia kamikaze, que pode custar – muito – caro para o partido. Vejamos, primeiro o pessoal alega que o Obama não ganhou nenhum estado representativo, exceto Illinois, e que ele estaria atrás no voto direto – o que não é verdade. Além disso, a baixaria parte para o lado dos superdelegados, com gente de dentro da campanha dizendo que tá pouco cagando para o que acontecer daqui para frente, eles vão ir até o final, e contar os superdelegados. E ganhar na marra com os superdelegados – independente da contagem de delegados na eleição de fato.

Uma pequena pausa. Sobre os superdelegados… Eu teria que explicar o sistema de eleição americano tanto nas primárias quanto na eleição de fato. Vou explicar apenas as primárias, e tentar ser objetivo:

Os estados americanos são divididos em counties e distritos. Na eleição, os condados votam dentro dos estados, e a votação destes condados vai implicar nos votos dos delegados destes condados na eleição do candidato de fato. Isso, no partido democrata. Portanto, para o partido democrata não importa quem ganhou no estado, mas a porcentagem do ganho. Por exemplo, se Obama faz 60% dos votos em Virginia, ele ganha 60% dos delegados no Estado – a Hillary ganha 40%. Esta proporção é determinada não pelo voto direto na totalidade do Estado, mas de acordo com uma proporção de cada condado dentro do estado. Portanto, digamos que o Obama fez 75% dos votos em um condado que tem 25% da população. Isso não importa. Importa qual é a proporção de delegados deste condado para o total do Estado. Então tu pode ter um condado que tem 25% da população, mas vai ter 45% dos delegados. É esta segunda parte que importa.

No caso dos Republicanos é mais simples. Não tem o breakdown de delegados. Tu ganha o número de delegados do Estado, não importa se tu fez 51,1% ou 96% dos votos. Fez a maioria? Ganhou todos delegados. Novamente, a maioria não é determinada pelo voto direto, ela é determinada pela proporção préviamente estipulada para os condados dentro do estado. A parte engraçada é que esta proporção reflete a população dos estados unidos – na época da guerra da secessão!!!

Sobre os superdelegados. Os superdelegados são um fenômeno democrata. Eles funcionam assim, ó: são todos os membros do partido democrático que tem ou já tiveram cargos executivos ou legislativos, estes superdelagados votam como bem entendem e servem para um eventual desempate, ou, como bem demonstra a Hillary, para apelar.

Portanto, ao apelar para os superdelegados em um sistema que já não prima pela clareza, implica no seguinte:

1) Perda da popularidade da Hillary, que vai parecer uma má perdedora e um tanto autoritária.

2) Munição para o partido republicano, que tá olhando esta palhaçada e dando rizada – especialmente considerando que o McCain já tem chances sem a ajuda do partido democrata. Se os democratas começarem a dar tiros no próprio pé, daí sim eles perdem a eleição de vez – seja quem for o candidato.

3) Qualquer um que se iluda que o Obama e a Clinton possam ter uma chapa juntos, precisa parar de fumar crack.

Enquanto isso, tem gente delirando com uma suposta quebra dos meios da política americana usual. Wishful thinking.

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