Discografia Básica:: Bob Dylan, Highway 61 revisited

Everybody is making love
Or else expecting rain

Existem albuns bons. Existem albuns clássicos. Existem albuns excepcionais, que não são clássicos.

E existem albuns icônicos.

Highway 61 é um album icônico, e não é o único da carreira do Dylan. Junto com Blonde on Blonde, este album ajudou a definir a sonoridade de uma geração – e fez mais pela música contemporânea que qualquer coisa que os Beatles jamais sonharam em fazer.

O album abre com Like a Rolling Stone, e todo o resto seria irrelevante, se o resto não fosse tão bom quanto ( ou melhor). Tombstone blue é uma das músicas mais divertidas do Dylan, com o clássico:

Mama’s in the fact’ry
She ain’t got no shoes
Daddy’s in the alley
He’s lookin’ for the fuse
I’m in the streets
With the tombstone blues

Depois disso, é It takes a lot to laugh, it takes a train to cry. Seguida de From a Buick 6. Ambas músicas ajudaram a formar o que seria o standard para o rock dali para frente, a primeira como uma balada, a segunda como um tremendo duma porrada do lado da orelha.

Finalmente, temos Ballad of a Thin Man, que deveria ser o hino de guerra contra o liberal acomodado norte-americano que fica lendo T.S.Elliot enquanto a mulher tem um caso com o encanador. Queen Jane Approximately é a segunda parte de Like a Rolling Stone, permitam-me demonstrar:

Now when all of the flower ladies want back what they have lent you
And the smell of their roses does not remain
And all of your children start to resent you
Won’t you come see me, Queen Jane?

Segue a maluquice bíblica de Highway 61 revisited, que deve ter influenciado desde Neil Young até The Mars Volta, passando por White Stripes, PJ Harvey e Television. A última música, com seus 12 minutos, é Desolation Row, e tem dylanófilos discutindo o que significa a letra até hoje – ainda que provavelmente não signifique merda nenhuma .

O album é indispensável para quem gosta de rock, e é mais importante que, bem, qualquer coisa que os Beatles tenham feito – embora, é claro, tenha vendido muito menos. Highway 61, junto com o Blonde on Blonde, é o ponto alto do rock na década de 60, e dá o tom para o que vem depois dele. Case in point: Patti Smith, Television, Stones-na-fase-vamos-matar-sua-mãe; Beatles-quando-ficaram-políticos; Neil Young; The Band; Caetano Veloso; Mutantes;

Need I say more?

Comments
4 Responses to “Discografia Básica:: Bob Dylan, Highway 61 revisited”
  1. Tati disse:

    E o Blood on the tracks?

  2. Eu gosto mais do blood on the tracks.
    Mas seria mentira dizer que é um album icônico. Quer dizer, o que diabos ele influenciou, ali em 76-77?
    Mas vai ser parte da série de discografia básica, não te preocupa :P

  3. moche disse:

    Estava com o álbum na mão quando, por coincidência, abri o blog.

    De acordo, salvo pelas alfinetadas aos Beatles, porque, apesar de terem aprendido muita coisa com o Dylan, creio que o raio de influência deles é maior.

    De qualquer forma, isso parece discussão sobre qual seleção brasileira era melhor, a de 70 ou a de 58…

  4. voto na de 70, rindo.

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