Albuns clássicos::Nine Inch Nails, The Fragile

Eu comprei o The Fragile na CD-Now, via internet. Foi a primeira coisa que eu comprei via internet na minha vida, em 1999. Comprei no dia que saiu para pré-compra nos Estados Unidos, e aproveitei e comprei o Blood on The Tracks e o Plague Mass, respectivamente do Bob Dylan e da Diamanda Galás.

Todos eles compras incompatíveis, é claro.

O Fragile, na minha opinião, é o album de musica eletrônica mais bem executado já lançado. Se o Low abriu a porta da eletrônica na música pop, o Fragile fechou a mesma porta – da qual o Reznor havia se beneficiado no The Downward spiral, que vendeu feito agua.

Eu lembro quando isso passou na MTV, o Reznor tocando Fragile com uma encarnação fenomenal dos Nails ao vivo – Robin Finck, Charlie Clouser, Danny Lohner -; fiquei acordado até tarde para ver isso ao vivo. Coisa de guri, é claro.

O Fragile vendeu relativamente bem (entre 4 e 6 milhões de cópias), mas nada comparável com o absurdo do Downward Spiral, e a subsequente tournê do album foi tão bem frequentada quanto nociva para o Reznor. O que custou seis anos de produção – e um album horrível ao final deste seis anos.

No entanto, o Fragile supera todas estas contingências. O album melhorou consideravelmente com o tempo, ao contrário de boa parte das coisas comemoradas como pra-fen-tex em 1999 (case in point, Prodigy), e ainda é melhor que a maior parte das coisas novas em eletrônica (LCD Soundsystems, e estas bandas que parecem todas com Daft Punk na época do Homework – Daft Punk é do-caralho.com.br, por sinal).

O album é duplo. Left, o album pancadão, tem Somewhat Damaged – que soa maravilhosamente bem, com um baixo matador no início, e a típica barulheira no final; tem Fragile, que tem um dos solos de guitarras mais bem pensados do NIN e Just Like You Imagined que é simplesmente a melhor música da carreira do Reznor .

Reznor não prima por ser um grande letrista. Mas até que no Fragile ele não chega a comprometer, ou ser constrangedor, como é a regra no With Teeth e no Pretty Hate Machine.

Fragile soa como um album que usa todos os canais de uma mesa de som de 265 canais, soa como um album que demorou 4 anos para ser feito, e onde cada maldito acorde foi pensado para estar no devido lugar. Não é um album de improvisos, mas é a maior vitória técnica que eu já vi um produtor executar (sim, é mais bem executado que o Dark Side of The Moon).

Tem músicas ruins? Tem. Starfuckers é bem ruim, e só serve como tapa de luva no Manson (grande merda, anyone?).

Claro, o album também tem o Right, que é justamente onde está Starfuckers. Quando eu ouvia o Fragile obcessivamente (1999-2000, até o Kid-A substituir), eu variava o album preferido. O Right me parece album de viagem, enquanto o Left é aquele pancadão elaborado na décima oitava potência do Reznor. Ripe é a contraparte maldita de Just Like you Imagined, por sinal.

Certamente é um album feito sob influência de – muitas – drogas, mas não acho que o Reznor precise delas para produzir bem – ele disse que produziu o Year Zero sóbrio, e é um baita album. O legal do Fragile é que junta o que o NIN tem de melhor, que é o lado pancada do lado da orelha, com um trabalho de mixagem e elaboração de melodia que poucas bandas conseguem imitar – o que dizer melhorar.

Porra, o Outside foi feito para soar como nine inch nails. E é pior que o Fragile. BEM PIOR. E cá entre nós, Outside é um album do Bowie com o Eno. Era para ser melhor.

Só o Aphex Twin chegou no mesmo nível – e até passou – em termos de utilização de elementos eletrônicos para música de pista soando como arte. Mas mesmo assim, o Fragile ganha pontos sobre o Aphex por soar mais orgânico, e ter uma organização, no geral, mais bem elaborada.

Mas creio que mais cedo ou mais tarde o Ambient Music, Vol.II do Aphex vai entrar nesta lista.


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Comments
4 Responses to “Albuns clássicos::Nine Inch Nails, The Fragile”
  1. Panorama of Endtimes disse:

    Em primeiro lugar, o with teeth não é um álbum ruim. Sá não é o que nós esperávamos. Começa uma tendência no NIN, de músicas de pista. O HTF é uma puta música. E o Year Zero é um álbum MUITO bom. Quanto às letras, ninguém disse que ele é um puta letrista, mas para mim, sempre fizeram sentido.
    Este é o ponto. Não dá pra afirmar que isso ou aquilo é objetivamente bom porque eu cago e ando pra opiniões que não são a minha, em relação à minha banda favorita.
    Sabe, Fabs, às vezes eu fico com impressão que leste um review na Rolling Stone e mudaste de opinião. Eu me lembro claramente de ti comentando como a Line Begins to Blur é uma puta música. Sei bem que não faz o álbum, mas não podes dizer que é uma merda, porque não é. Tribalistas é uma merda. With Teeth é ruim, mas não péssimo. E o Year Zero é um PUTA álbum.

    Agora, tirando apenas os comentários em razão de Starfuckers (que é uma música de pista e boa por isso) eu concordo inteiramente com o que escreveste
    Sabe, Fabs, às vezes eu fico com impressão que leste um review na Rolling Stone e mudaste de opinião. Eu me lembro claramente de ti comentando como a Line Begins to Blur é uma puta música. Sei bem que não faz o álbum, mas não podes dizer que é uma merda, porque não é. Tribalistas é uma merda. With Teeth é ruim, mas não péssimo. E o Year Zero é um PUTA álbum

  2. Panorama of Endtimes disse:

    Agora, tirando apenas os comentários em razão de Starfuckers (que é uma música de pista e boa por isso) eu concordo inteiramente com o que escreveste

    me dei mal com o sistema de posts aqui
    foi mal

  3. Panorama of Endtimes disse:

    “… porque este teu site na internet é uma porcaria, não serve pra nada! Só pra mostrar a tua mulher pelada, oferecendo! que eu sei que tu gosta! então, quer saber? vai tomar no meio do teu cú!…”

    Do grande super sayajin dos xingamentos, Olavo de Carvalho!

  4. Tiago, praticamente uma dama medieval.

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