Tudo é semântica

O editorial do NYT sobre a definição de tortura me deixou encafifado, ainda mais no contexto de hoje, quando mais fotos de Abu Ghraib foram divulgadas – para deleite dos extremistas ilsâmicos que vão ter rios de propaganda para fazer. Primeiro, o editorial:

As Orwell pointed out most effectively, governments control language as well as people. Since the Abu Ghraib prison scandal broke, our government, from the highest officials in Washington to Army prison guards in Baghdad, have used every euphemism they can think of to avoid the word that clearly characterizes what some of our soldiers and civilian contractors have been doing: torture.

”What has been charged so far is abuse, which I believe technically is different from torture,” said Secretary of Defense Donald Rumsfeld. ”I’m not going to address the ‘torture’ word.” And nobody else seems to want to address it either. Rather, we are told, military police officers at Abu Ghraib were encouraged to treat the prisoners so as to create ”favorable conditions” for interrogations. What does this mean? Give the prisoners English lessons? New clothes? Come on. In any bureaucracy, orders or clearance to do something beyond the law always comes in code. For those in senior positions, deniability is vital.

Não precisa ser um gênio para identificar uma tentativa de comparar toda esta discussão semântica no executivo-judiciário norte-americano com o novolíngua orwelliano. Bom, creio que mais uma vez a gente fica naquele dilema forma-conteúdo que gente como o Derrida explicitou muito bem – quer dizer, a parte negativa da força dentro da definição dos tipos legais.

As fotos da Wired vão começar a rodar o mundo, agora. É bem gráfico. Vou ser honesto, não vi todas as fotos. Minha curiosidade não é tão grande assim, mas tá linkado.

E parece que tem mais coisa por aí chegando. Não sei se isso muda a eleição, mas certamente coloca os republicanos em uma posição desconfortável, onde eles tem que responder por estas imagens; A Salon fez uma galeria com os arquivos de fotos de Abu Grhaib e um pequeno histórico do não-lugar.

Essas notícias, junto com as notícias de que o governo americano pretende executar prisioneiros em guantánamo, dá um bom cenário do estado de coisas que tá em jogo na eleição. Um republicano no poder é a certeza que isso continua, que isso é a própria forma de governo a ser adotada; um democrata vai ter a responsabilidade de virar o jogo (certamente vai ser eleito para isso), o que não significa que ele vá virar o jogo, é claro. Nada garante que um presidente democrata rompa com estas políticas – talvez simplesmente tenha a brilhante idéia de parar de tirar foto.

Mais tarde eu comento uma outra matéria, da New Yorker, sobre os campos onde quem pretende ser considerado para asilo político é aprisionado. O link da matéria ainda não está online, assim que sair eu coloco aqui.


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