O fantasma de Marx

O uso de tortura para obter informações de suspeitos é aprovado por 42% das pessoas com renda superior a cinco salários mínimos, aponta pesquisa realizada pela agência Nova S/B e publicada no jornal “O Globo” deste domingo. O índice fica em 19% para aqueles que ganham até um salário mínimo.

A pergunta é simples. Destas pessoas com renda superior a cinco salários mínimos, quantas teriam o perfil para serem consideradas suspeitas em potencial? Acho que isso explica a porcentagem mais baixa entre as pessoas de renda menor, que tem maior possibilidade de serem consideradas suspeitas – especialmente por uma classe média que atravessa a rua quando vê um negro do outro lado.

Não sei se isso se explica apenas em termos de frustração com o fracasso sucessivo das políticas de segurança pública, ou em alguma fé cega na possibilidade de tortura funcionar. Mas não chega a ser surpresa, basta conversar com qualquer aluno de graduação em uma universidade privada ou pública, para eles começarem a falar nos direitos humanos de bandido, e esta palhaçada toda.

Não sou exatamente um humanista. O principal motivo para eu ser contra a tortura é que nada garante que funciona, então não abro mão da minha intuição moral básica, que acha isso um absurdo. Se pudessem me garantir que funcionasse, talvez eu pudesse abrir mão da minha intuição. Eu sei que se tu ameaçar me afogar, eu confesso qualquer merda.

A idéia de torturar suspeito é francamente um bode expiatório, uma tentativa de fazer a segurança pública funcionar na marra e também um lembrete para aqueles que possam ser considerados suspeitos: meu amigo, tua relevância civil tá em suspenso, porque a gente decidiu que tá em suspeito.

Isso é tão inconsistente com qualquer tradição liberal, que me dá vontade de gritar cada vez que alguém vem com um papo de “consequencia da compreensão civil de direitos”. Na realidade isso é um retrocesso pré-liberal, para o tipo de colocação de garantias para elites que não são transmitidas para outras partes da sociedade. Me mostra uma passagem de um autor como Kant ou Mill que dê suporte apra tortura em termos normativos, e depois a gente conversa.

Enfim, deprimente. Ah sim, especialmente deprimente que o pessoal, como sempre, se acha muito progressista, mas tem certeza absoluta que o outro é conservador.


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Comments
4 Responses to “O fantasma de Marx”
  1. paulo disse:

    hummmmm

  2. paulo disse:

    quer experimentar para ver se funciona????

  3. moche disse:

    só não entendi o título

  4. “A questao judaica”

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