Sobre conspirações

Já tem algum tempo que o Olavão tem espalhado por aí o papo do Forum de São Paulo. Pelo que eu entendi, o Forum de São Paulo seria um grupo narco-comunista que teria o objetivo de espalhar o comunismo, o caos, o aborto, o casamento homossexual e, talvez pior de todos, o pagode, pela América Latina, e depois pelo mundo.

A idéia de começar qualquer tendência mundial pela américa latina me parece tão absurda que só isso já bastaria para acabar com esta teoria da conspiração; no entanto, presumir algum tipo de homogenia neste caos completo de idéias e políticas que é a “esquerda” (sempre entre aspas) latino americana é caso para internação.

Claro, agora o papo das FARC e a “crise” entre Venezuela, Equador e Colômbia parece que deu mais gás para o discurso. Tanto o Satanaldo quanto o Olavão seguiram falando no assunto, que já foi parar no Pedro Dória (que deu uma sapatada legal no Olavão) e no pessoal da Nova Corja .

Não acho improvável que alguns membros do PT vejam com bons olhos a FARC. Ao pessoal que leu o marxismo mais caricato e tosco possível, filhos da puta feito os guerrilheiros da FARC são força de transformação que denunciam a falência do modelo hegemônico (o que quer que isso signifique), e que, portanto, merecem apoio. Se eles matam gente no caminho, isto é dano colateral.

A forma como estas “esquerdas” tratam o inimigo é tão parecida com a estratégia da “direita” fascista-conservadora, que eu sempre me perguntei como estes caras não são mais próximos. Creio que falta um diálogo, mas aproxime um radical de direita de um radical de esquerda e veja eles concordando sobre o perigo da perda das tradições, das fronteiras nacionais e da decadência protagonizada pela modernidade. Os motivos são diferentes, mas ambos tem um inimigo claro a ser combatido.

Quero que as FARC entrem pelo mesmo buraco que sairam, e tratem desaparecer. E até onde me consta, nenhum partido político brasileiro de ponta pode se gabar de ser um baluarte de qualquer coisa. O PT talvez seja o pior, por agregar pessoas cheias de “boas intenções”, mas que sempre fazem todo tipo de barbaridade para implementar estas suas boas intenções.

Claro, estou sendo injusto ao presumir que eles tenham boas intenções. Fomos, todos nós que votamos no PT, um bando de idiota útil que acreditou em um discurso vazio, em promessas sem sentido, e em inimigos imaginários. Os mesmos inimigos imaginários que os seguidores do Foro de São Paulo agora gritam contra o governo Lula.

A merda de seguir a política no Brasil, é que muitas vezes tu te sentes sem opção. De um lado, tu vê uma direita doente e com um discurso que reproduz racismos e estereótipos, que por traz da raiva contra a corrupção, ressente um presidente nordestino e de origem pobre. De outro lado, tu vê uma “esquerda” sociopata e quixotesca, que luta contra moinhos e “neo”-liberalismos em um país onde abrir uma empresa demora seis meses. Como então, é ainda possível votar nesta gente?

Não é possível, e é por isso que anulei meu voto na última eleição. Creio que esta é a única alternativa plausível. Prefiro não contar diante deste quadro, e esta é uma alternativa consciente e ativa. Entendo como uma omissão muito pior continuar votando nesta tralha intelectual e política que aparece a cada quatro anos com propostas mirabolantes – não vou votar em gente que acha que a venezuela é relevante, nem em gente que acha que existe uma conspiração para tornar todos nós cocaleiros.

Ainda encontro quadros razoáveis para deputados e vereadores, eventualmente, mas via-de-regra me sinto decepcionado com o que estes quadro produzem depois. Acho que o melhor político do Brasil talvez seja o Fernando Gabeira – talvez – mas não estou disposto a apostar nem um centavo nisso. Precisariamos repensar toda nossa estrutura e todas as pessoas que estão representando o país no congresso, ao mesmo tempo, tendo a concordar com meu amigo Walter – isso é um tremendo eletismo da minha parte. Na realidade, estamos muito bem representados. Somos o reflexo de nosso parlamento, um fracasso político e intelectual.

Se admitimos estes políticos (e admitimos, ao constantemente votar nestes pulhas) então somos também um bando de imbecil, analfabeto-funcional, que merece presidentes do senado e da câmara incapazes de escrever frases complexas e elabarorem legislações funcionais.

Ainda teria que falar mais sobre o judiciário, mas isso vou deixar para depois, para um dia que eu estiver com o humor pior.


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