Mission Accomplished! (or is it?)

A roadside bomb killed four U.S. soldiers in Baghdad on Sunday, the military said, pushing the overall American death toll in the five-year war to at least 4,000.

O único motivo pelo qual esta guerra continua é que não existe uma convocação propriamente dita. O fato do exército ser profissional é a única coisa que garante a continuidade do conflito – e que o governo Bush use o exército para seus próprios interesses na região é uma coisa abjeta.

É curioso que mais gente no Brasil apoie o conflito (na imprensa) do que aqui nos EUA. O Mainardi fez uma grande coluna elogiosa da atuação militar dos istates no mundo – entendi o ponto dele que o mundo precisa de polícia, mas sei lá, prá início de conversa, me parece que exército não existe para fazer policiamento, mas deixa quieto. O Mainardi tem direito de ter este ponto de vista, mas é um ponto cada vez mais raro por aqui.

O discurso aqui é cada vez menos focado na “polícia do mundo” e mais no “não podemos perder a guerra”. Quem apoia a continuidade do conflito, geralmente argumenta que se os istates sairem agora, isso é uma desistência, e americano é bagual que não se entrega. Claro, este argumento só se sustenta porque quem está morrendo não é filho de senador – o caso do Romney, que apoia a guerra, mas que tem quatro filhos, todos em idade para servir, e todos nos Estados Unidos, é emblemático. A guerra é boa para as empreiteiras americanas que ganham grana reconstruindo ponte no Iraque, mas tem sido péssima para a economia (afinal, o conflito é financiado com dinheiro Chinês, o que já se provou uma péssima estratégia do governo americano).

Já escrevi poraqui que sair de forma unilateral do Iraque pode ser pior que ter entrado de forma unilateral. Talvez os americanos tenham a responsabilidade de limpar a baderna que eles fizeram – mas resta o questionamento, “eles são capazes de fazer isso?”. Lendo as matérias sobre o conflito, fica nítido que as tropas são instruídas para manter o clima de paranóia geral – todo o iraquiano é um suspeito em potencial, e quem não colabora, deve ter algo para esconder. Este tipo de atitude colocou os Estados Unidos no papel de força dominante opressora no Iraque, imagem que a população antes relacionava com Saddam. Ou seja, na cabeça dos Iraquianos, trocou-se um tirano local por um tirano invasor, e a política do “denuncie seu vizinho, salve sua pele!” continua com todo o vapor.

Quando tu lê que as mulheres e filhos dos presos em Abu Ghraib são sequestrados pelo exército americano, e colocados juntos com os prisioneiros, para funcionarem como ferramenta no interrogatório, fica fácil imaginar com quem está a lealdade da população iraquiana em geral. Claro, certamente a gente perde muitas nuances quando “imagina”, e nenhuma das partes neste campo é um autômato sádico; todo mundo tem seus motivos, e suas histórias de vida – e aí que a coisa fica complicada.

Estava lendo uma matéria grande (não tenho link) sobre como pessoas boas podem fazer coisas horríveis. O argumento da matéria era no sentido de demonstrar como muitas pessoas com quem tu poderia ter uma conversa agradável, tomando chá com bolachas, são levadas a torturar e matar com graus impressionantes de sadismo. Os principais fatores de transformação de comportamento que eles acharam foram Fundamentalismo Religioso e Patriotismo. O cara faz qualquer merda para defender o Deus dele, ou o Estado dele. A desgraça disso é que todo o discurso de segurança que a gente vê reproduzido aqui tem que se basear nesta idéia forte de Patria e de Unidade (que é sempre excludente).Aqui nos Estados Unidos o fundamentalismo religioso tem uma manha de se amalgamar com o discurso patriótico, principalmente na crença de eleição – de nação eleita. Já vi muito tele-evangelista por aqui dizendo que os Estados Unidos tomaram o lugar de Israel como nação eleita, e blah blah blah.

Já falei longamente sobre as armadilhas do papo de eleição, em um escrito que infelizmente não repercutiu, e continuo sustentando que o plano político é superveniente ao moral, mas isso não signifique que estes planos participem do mesmo jogo de linguagem.

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One Response to “Mission Accomplished! (or is it?)”
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  1. […] que estamos falando da guerra, lembram o que eu falei sobre a guerra e o exército profissional? Pois é. O argumento do Cheney é comovente: os 4000 […]



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