Embaixador Crocker, Gen. Petraeus e o Iraque

Hoje foi o primeiro dia dos depoimentos do Gen. Petraeus, responsável pelas tropas no Iraque, ao senado americano. Bem, vou começar com o próprio general, respondendo ao Senador Bayh:

“It’s why I’ve repeatedly noted that we haven’t turned any corners, we haven’t seen any lights at the end of the tunnel. The champagne bottle has been pushed to the back of the refrigerator. And the progress, while real, is fragile and is reversible,”

Este foi o tom da coisa. Ainda que se faça progresso, ele é sutil, quase inexistente, e não dá para dizer que realmente os Estados Unidos possam “ganhar” ou mesmo “resolver” o conflito. Ainda assim, o Petraeus, assim como o McCain, acha que é importante que os Estados Unidos fiquem na região – para garantir a segurança e evitar que a AlQaeda tome conta.

Achei a conclusão do Obama, durante o cotejo do Crocker, primorosa:

Our resources are finite. And this has been made — this is a point that just was made by Senator Voinovich, it’s been made by Senator Biden, Senator Lugar, Senator Hagel. There’s a bipartisan consensus that we have finite resources. Our military is overstretched, and the Pentagon has acknowledged it.

The amount of money that we are spending is hemorrhaging our budget, and Al Qaida in Afghanistan I think is feeling a lot more secure as long as we’re focused in Iraq and not on Afghanistan.

O interessante é que o Obama, ao contrário do que pode parecer, deixa bem claro que ele não é um pacifista ou um isolacionista. Obama tem dado sinais que vai mudar o foco de atuação do exército americano do Iraque para o Afeganistão, se for ele o presidente, não que as tropas vão voltar para casa e tudo vai ficar em paz. A guerra continua, mas muda de lugar.

Outro fator interessante é perceber que mesmo os responsáveis pela operação não estão otimistas, a possibilidade de vitória é tida como pequena, e tanto o Crocker quanto o Petraeus parecem indicar que o objetivo é manter as tropas no Iraque por tempo indeterminado, mas fazer com que no tempo as pessoas morrendo sejam iraquianas, e não americano. A perversidade deste raciocínio é um troço revoltante: o conflito é um problema enquanto americanos estão morrendo, se conseguimos manter as tropas no Iraque, sabe deus para quê, enquanto eles brigam entre eles e se resolvem, então a gente tem uma vitória bacaninha.

Exatamente este parece ser o ponto do McCain, quando ele insiste que as tropas podem muito bem ficar no Iraque por 100, 1000, 100000 anos, desde que menos americanos morram.

O Josh Marshall, o careca contra a tela verde no vídeo ali em cima, foi no ponto:

If reporters who’ve bought into McCain’s explanation actually think this is true, then the logical follow-up is to ask: if he is only happy continuing the ‘presence’ in Iraq for a century under his fantasy conditions, how long is he willing to continue it with a price tage of $100 billion and hundreds of US military fatalities a year? Or how about $50 billion and only 500 fatalities a year. If he really wants to run away from the bold commitments he made as a primary season candidate, reporters really need to do some due diligence gaming out just what he means.

Também aconselho ler o REDUX da polêmica das declarações do McCain que o Hertzberg escreveu na New Yorker.


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