Concordo integralmente com o Mainardi:

É desolador ter de repetir sempre a mesma lengalenga. E a lengalenga é: o Brasil gasta dinheiro de mais na universidade e dinheiro de menos no ensino básico. Se é para macaquear os Estados Unidos, temos de macaqueá-los por inteiro. A universidade pública americana cobra mensalidade dos alunos. Quem pode pagar, paga. Os outros se arranjam com bolsas, empréstimos ou bicos. Se o Brasil fizesse o mesmo, cobrando mensalidade na universidade pública, sobraria mais dinheiro para investir onde importa: no bê-á-bá.

É verdade. A universidade publica deveria ser paga. Isso mesmo: paga. Curso superior não é necessidade existencial, e a maior parte dos que entram o ensino superior podem muito bem arcar com os custos da universidade. Até concordo que quem não conseguisse pagar, se bem comprovado, ganhasse bolsa. Bolsas estas vinculadas ao aproveitamento do curso. Aproveitamento medido por critérios objetivos (também conhecido como “nota”).

Esta grana, então, poderia ser investida em tirar as universidades públicas da situação de completo sucateamento e abandono, em instrumentalização do ensino básico (se bem que não acho que se faturaria o suficiente para isso) e digo mais: aposto que o aproveitamento dos alunos ia melhorar, e ia sobrar menos tempo para brincar de invadir a reitoria e fazer política na universidade.

Não sei se o Brasil é o quilombo do mundo, mas a universidade pública e gratuíta é uma ficção, que não consegue se auto-sustentar. Se o ensino superior for pago, a auto-sustentabilidade da universidade vira uma possibilidade muito mais nítida no horizonte; e daí é capaz do pessoal valorizar um pouco mais o espaço acadêmico e o tempo que se passa lá dentro.


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Comments
19 Responses to “Concordo integralmente com o Mainardi:”
  1. cmhochmuller disse:

    Concordo totalmente.
    E vale lembrar (outra lengalenga) que a maioria dos matriculados em universidades públicas tem condições de pagar por um ensino privado (do qual, em geral, vieram).

  2. Lucinha disse:

    É o mesmo que dizer que quem não paga não tem direito de reclamar. Se PAGA pelos estudos em impostos. Quando se entra na Universidade, já se pagou (e muito)pelo que se usa ali.
    Acontece que quando a Dona Yeda fecha escola pública não tem neguinho nenhum da classe média-alta pra dizer que ela não tá sucateando. Pessoal do IE tá tendo aula em auditório pq as turmas não cabem numa sala de aula normal. A USP não é paga e é a melhor universidade do Brasil, as pagas não estão nem na lista das 10 melhores.

  3. Tu paga por imposto em comida, tambem. Tu pagas imposto para estrada. Tu pagas imposto para um monte de coisa, não sei se tem um imposto que é vinculado diretamente à Educação, tem, isso sim, uma parte do que tu paga de imposto que vai para educação.

    Isto vai ser usado para financiar estudo público básico-médio-superior. O que eu quero dizer é: que não se invista isto em ensino superior, que se invista diretamente em ensino básico e médio, e que a faculdade pública se financie sozina.

    Sobre os rankings. Te informa melhor. A USP tá na frente no Ranking geral, tudo bem, mas isso não muda o fato de que ela está sucateada, em termos de infra-estrutura. Mesma coisa a UFRGS, a UFS, e tantas outas federais.

    Não entendi o que a Yeda tem a ver com isso.

  4. Lucinha disse:

    Coloquei o exemplo da Yeda por causa do sucateamento da escola básica. Todo mundo sabe e diz que tem que se investir em escola pública de qualidade, mas as ações dela são contrárias a isso e mesmo assim, as mesmas pessoas que se pronunciam pró-escola pública defendem este tipo de atitude.

  5. Quem defende?
    Eu não defendi.
    O exemplo não fortalece teu argumento.
    Por sinal, não sou a favor de tornar a escola pública básica e média paga. Tem que ser pública e gratuíta mesmo. Só tem que investir a grana que se joga no lixo no ensino superior no ensino básico e médio, investir nos professores, investir na estrutura.

    E deixar o ensino superior se auto-sustentar, através de taxas de manutenção que são transferidas diretamente para a manutenção da universidade, e, eventualmente no aumento de salários.

    Se a Yeda é uma mal exemplo, e eu acho que é, ela é para ensino básico. Sei lá que fim levou a UERGS, mas estas políticas dela não afetam a estrutura da universidade, não diretamente.

  6. Lucinha disse:

    Na boa, não acho que dinheiro investido no ensino superior seja jogado no lixo. Acho que realmente o ensino básico tem que ser gratuito e de qualidade. Como? Mais verbas, mais contratações, demissões de professores e funcionários turistas e um método avaliativo que não cause analfabetismo funcional. Também acho que deveriam haver regras mais rígidas quanto à graduação e pós-graduação. Tem cara que vai pra Europa e nunca retorna o dinheiro/conhecimento investido. Só acho que despir um santo pra vestir outro não leva a nada.

  7. Por um lado, se investe pouco em ensino superior. Acho, sim, que poderia se continuar investindo dentro da modalidade de bolsas, tanto para quem não tem condições de pagar, quanto para quem quer se dedicar exclusivamente ao estudo.

    Mas o grosso do investimento vai parar em um buraco negro orçamentário, o mesmo do ensino básico e médio. E ao contrário do ensino médio e básico, a universidade tem condições de arrecadar dinheiro e se auto-sustentar. Se ela tem esta condição, e os alunos, na maior parte, podem pagar, porque não exigir este pagamento? Creio que todo mundo sairia ganhando, inclusive os alunos, que iam começar a valorizar mais a instituição, afinal de contas, dá um sentido maior de realidade para a coisa.

  8. Lucinha disse:

    Por que ela já está paga! Existem ótimos alunos que não pagam a faculdade, assim como existem péssimos alunos que pagam, e vice-versa. Não acho que sejam todos os setores de uma Universidade que sejam capazes de se sustentar. É que se a gente vai por esta via de pensamento, a única maneira de se ter serviços de qualidade é pagando (e nós sabemos que isto é mentira, vide exemplos de privatizações e inclusive serviços de empresas nacionais aqui no Brasil). Contido, acredito que certas mamatas do serviço público tenham que se acabar mesmo. Sei que existem faculdades que têm professores que nem aparecem na aula (o que não dá pra acontecer na minha, damos um pedal na porta do lado, que é o lab onde o cara trabalha). Por óbvio, este tipo de coisa só acontece na esfera pública.
    Só sei que eu não preciso pagar mil pila por mês pra levantar da cama às 6:30 da amtina pra ir pra Viamão, nem acho que isto deixaria meus estudos melhores, conhecendo meus colegas da Ulbra, e.g.

  9. Lucinha,
    Imposto não é pagamento. Então o imposto que tu paga sobre a comida implica em ter comida de graça?

    As privatizações no brasil deram certo, em um certo sentido. Pelo menos está muito melhor comprar linhas de telefone, que antes demoravam um tempão para ser implementados.

    Mas não estou sugerindo a privatização da universidade pública, estou sugerindo que exista uma taxa de manutenção para a faculdade pública. Assim como existia, antes, uma taxa de manutenção para a tua linha telefonica.

    Outra: nem todo mundo que paga o imposto que vai para universidade usa a universidade, como fica, então? Tu não foi a única a financiar o teu ensino gratuíto, muita gente tornou isto possível. Me parece mais justo investir em uma frente mais comum, e mais fundamental.

    Talvez os teus estudos não ficassem melhor se tu pagasse, e eu creio que tu pode ser um exemplo de pessoas que poderiam ter bolsas apenas para se dedicar ao estudo – garantido que elas mantessem um aproveitamento excepcional.

    Mas a verdade é que nem todo mundo que tá na universidade tá preocupado com trabalhar para a universidade no futuro, ou em produzir conhecimento. Não tem nada de errado disso, mas para estas pessoas, o ensino não tem que ser gratuíto. Elas tem que pagar para manter a instituição que tá proporcionando para elas a oportunidade de depois sair e ir ganhar rios de dinheiro.

  10. Lucinha disse:

    Eu entendo e concordo que a Universidade tenha propósitos e fins diferentes para pessoas diferentes, mas pagar por ela não é democratizar (por democratizar NÃO entenda popularizar) o acesso ao ensino. Não que eu ache que se tenha acesso livre à universidade (meu curso, por exemplo, tem horários malucos), mas se tem gente que já tem dificuldade de horários por que tem que trabalhar pra poder estudar, imagine se tivesse que pagar.

  11. Vou repetir: quem nao tem condições de pagar, neste cenário, deve ser contemplado com bolsa de estudo vinculada ao aproveitamento na universidade.

    Assim, qualquer argumento de “isolamento” de quem não te condições de pagar cai por terra.

  12. Lucinha disse:

    Mas aí o quesito sustentabilidade cai por terra, não?
    Eu ainda acho que dá pra fazer mais com menos. E pararcom esta avacalhação que é abrir curso técnico como se fosse faculdade (nada a ver, mas a ufrgs abriu faculdade de fonaudiologia, dança e biotecnologia).

  13. Acho que não. Creio que uma minoria dos alunos que chegam na universidade (pública ou privada) fariam uma opção consciente por se dedicar exclusivamente ao curso. Ainda mais com a obrigaçào de tirar notas altas e se comprometer apenas com pesquisa.

    E daí poderia-se trabalhar com o sistema de quotas através das bolsas.Mas não quota racial, mas social. Quem não tem condição de pagar, tem prioridade para as bolsas de estudo vinculadas ao curso.

    O resto do pessoal, que vai querer fazer faculdade e se envolver com “n” coisas off-campus, pode perfeitamente fazer isso, mas daí vai dar um jeito de pagar pelo estudo.

    Me parece totalmente intuitivo.

  14. moche disse:

    Se formos olhar a UFRGS, ao contrário do que diz o mito, grande parte, senão a maioria, não pode pagar o curso. Mas eles não estão no Direito nem na Medicina, cursos destinados à elite, mas na Letras, Sociologia, Pedagogia, etc.
    Não vejo problema que quem tenha dinheiro pague. Mas acho que substituir, modo geral, a universidade pública por uma universidade paga seria um equívoco. E um equívoco bem ao estilo faceirote-neoliberal Mainardi (nesse caso, por mais que não goste na nomenclatura neolibas, ela cai super-bem).
    O Estado tem dinheiro para investir no básico e fundamental. Faltam projetos consistentes.
    A Universidade pode funcionar tri bem. Mas, para isso, deveria passar por uma reforma administrativa radical, que cortaria os encostados, exigiria dos professores maior dedicação, mas com uma contrapartida salarial, porque hoje em dia um professor substituto com mestrado (caso meu) ganha menos que um atendente das Lojas Renner.

  15. moche disse:

    Escrevi sobre autonomia universitária nessa linha de uma reforma adm radical aqui: http://somepills.blogspot.com/2007/06/autonomia-para-no-fazer-nada-muito-se.html

  16. Tá, Moysés.
    Então no geral a gente concorda:
    quem não pode pagar, que prove que não pode, e que então seja contemplado com bolsas de estudo vinculadas ao aproveitamento.

    sobre o neoliberalismo do Mainardi, nesta coluna não vi neoliberalismo algum.

  17. André disse:

    quem é Mainardi?
    Por que deveria me pautar por algo que esse cidadão disse ou pensa?

  18. André disse:

    incrível como se pode usar o mesmo argumento, vindo de lados opostos, mas com o mesmo objetivo totalitário…:

    http://www.socialismo.org.br/portal/educacao/65-artigo/272-por-uma-universidade-publica-e-gratuita-para-todos

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