Como os democratas podem perder

É difícil pensar que os democratas podem perder a eleição em novembro. Quer dizer, o Bush está com uma avaliação patética, a economia vai mal e a guerra é extremamente impopular. Como, então, os democratas poderiam perder a eleição?

Bom, vou tratar dos dois cenários.

Cenário 1: Hillary é a candidata.
Bom, neste cenário eu me surpreenderia se os democratas ganhassem a eleição. Vou explicar porque:
A Hillary diz que a vantagem dela é conseguir arrumar voto nos swing-states, estados que alternam o voto entre republicanos e democratas. Vantagem esta que, segundo ela, o Obama não teria condições de reproduzir.
Pois bem, se não vejamos:
Na melhor das hipóteses, a Hillary ganha os swing-states de Ohio e Florida, tudo bem.
Mas só que o tiro vai sair pela culatra. Quando o Bill foi eleito, ele teve boa parte do eleitorado do mid-west com ele: vendo os gráficos das duas eleições dele, aqui e aqui isso fica bem claro, apenas indiana não votou no Clinton nas duas eleições, e Ohio não foi um swing-state (a flórida foi).

Pois bem, a Hillary não tem chances no Mid-west. Ela até ganha Ohio, mas ela não vai ganhar votos suficientes para levar Missouri, Tennessee, Mississipi, Indiana, e, surpresa das surpresas, Illinois. Perdendo Illinois, ela simplesmente anula o ganho que ela tem na Flórida.

Mas porque Hillary perderia Illinois? A resposta é obvia. A última vez que Illinois votou com os Republicanos foi em 1988, depois disso, sempre foi com os democratas, mas se o Obama não for o candidato, muita gente em Illinois simplesmente vai votar contra a Hillary por raiva irracional. Gente o suficiente para virar a eleição.

Perdendo Illinois, qualquer chance de ganhar a maior parte dos votos no mid-west tá perdida. E vejam os gráficos das últimas eleições. Nenhum candidato que perdeu no mid-west ganhou a eleição. Alguém poderia argumentar que o Gore ganhou em 2000, para todos os efeitos. Bem, vitória moral não é vitória. Se ele tivesse ganho, digamos, em Ohio, não teria discussão.

Portanto, o McCain deve pedir ao bom senhor que a candidata seja a Hillary todo-o-santo-dia. Ele teria um alvo fácil, já que ela já tem uma certa antipatia natural, e teria só que seguir na demencia de “nothing to see here” para levar a eleição.

Ok, superamos a Hillary. Que certamente não vai ser a candidata, mas vamos lá, porque o Obam pode perder?

Cenário 2: O Obama é o Candidato.

Bem, o Obama pode perder para a baixaria.

Agora a moda é falar que o Obama se envolveu com o pessoal do Weather Underground, com gente que é terrorista, e, vocês sabem, gritar “terrorismo”, hoje, é mais ou menos como era gritar “comunismo” antigamente. O pessoal sobe as orelhas, e fica extremamente desconfortável.

Vai ser complicado do Obama se esquivar disto o tempo todo, e ele tem perdido terreno pro McCain nas simulações de eleição.

Claro, não é surpresa, já que o McCain está tendo férias para se preparar para a briga, enquanto os democratas comem os próprios fígados. Outro problema, as crises, que antes pareciam não colar no Obama, agora que entraram na questão da arrogância+laços com “terroristas” parecem colar.

Mas, o McCain vai ter um trabalho maior com o Obama, pq ele tem uma vantagem que a Hillary não tem: ele pode levar o sul. Desde que, é claro, os próprios democratas – do lado da Hillary – não fiquem levantando rumores que vão voltar em novembro para atormentar o Obama, e que podem custar os mesmos estados que ele tem potencial de ganhar – potencial este que a Hillary não tem nem que Jesus volte, e explico porque.

O Bill Clinton conseguiu levar o sul em 1992: além de Tennessee e Kentucky, levou Arkansas e Louisiana, coisa que nem o Kerry nem o Gore conseguiram sequer sonhar em fazer. A Hillary também não consegue levar estes estados, e o motivo é simples: eles odeiam a Clinton. E com motivo, diga-se de passagem, depois do que ela anda aprontando para cima do Obama.

No que isto implica, em termos gerais?

A costa oeste e leste vão ir, como sempre, quase na totalidade para os democratas.

O far-west e a hick-land (Carolinas e Virginia), vai para os republicanos, assim como Indiana, isso é pedra cantada.

O Obama é o único que ainda pode repetir o mapa que o Clinton pintou em 1992, levando inclusive a Georgia, mas isso depende muito das primárias. Se este auto-flagelo do partido democrata continuar, o McCain é capaz de levar esta eleição, contra o Obama, na base de 5 ou 6 delegados que vão fazer a diferença, como foi o caso da infame eleição do Bush-filho contra o Gore; ou reproduzindo, contra a Hillary, um landslide parecido com o que o Bush-pai produziu em 1988.


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Comments
5 Responses to “Como os democratas podem perder”
  1. grande fratello disse:

    Como já te disse antes, a chapa quente será Obama presidente, Hillary vice. O que criará oportunidade para os dois exercerem a presidência nos quatro anos de mandato, já que ô bama será enforcado, esquartejado e seus membros pendurados no trajeto entre a capital federal e New York…

  2. Se a chapa for Obama-Hillary, eu dou uma volta pelado no campus gritando hava-nagila.

    Me cobrem.

  3. Tá combinado, mas tem que esperar testemunhas brasileiras estarem aí psra registrar.
    Sei que vais odiar, mas não aguentei: direto do Estadão, para Carbondale:

    09.01.08
    Serra e Lula, Obama e Hillary?
    por , Seção: BRICs s 09:41:38.
    Serra e Lula

    Hillary Clinton lembra muito José Serra na campanha presidencial. Como o Serra, ela fala muito de políticas, sabe do que está falando e entra nos mínimos detalhes. E, como o Serra, não empolga.

    Ok, digamos que a nota carisma do Serra seja 4 e a da Hillary 5. Mas é o mesmo tipo de campanha e de pessoa – o competente que não empolga.

    Obama, neste sentido, é muito parecido com o Lula das campanhas. Ele inspira. Exerce aquela magia sobre os eleitores, que querem tirar foto ao lado dele, abraçar, pedir autógrafo. Detalhes? Políticas? Bem pouca coisa. O discurso também é parecido. Obama fala muito da esperança, da mudança. Na campanha do Lula, era “a esperança venceu o medo”.

  4. Eu concordo com o pessoal do Estadão, o trunfo do Obama certamente não são as propostas: é o potencial agregador.

    E é justamente nisso que a Hillary tá batendo ao chamar ele de elitista.

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  1. […] poraqui. O post dele, aqui. Faz algumas considerações parecidas com as que eu tinha feito aqui. É interessante ver mais brasileiros interessados nesta eleição, ainda que seja o pessoal aqui […]



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