Man Man::Rabbit Habbits

Fazia tempo, muito tempo, que eu não ouvia um cd tão deliciosamente doido.

Man Man é uma banda de sei lá que estilo, da Filadélfia, que anda nos premiando com excelente bandas.

Imaginem se Phish e Primus fizessem um som mais soul, mais no ácido, e com menos guitarra – focado em percussão. Tá, começa a chegar perto.

Daí tu pega, tipo, Captain Beefheart (eu sei, eu sei) e coloca no meio umas referências de 13th Floor Elevators. Ok, já chega?

Pera aí, eu acho que o cara toca oboé na segunda música do album, “Hurly/Burly”. Pois é, é doido.

Acachapante é a palavra que me vem em mente, e também lembra Frank Zappa. E Tom Waits.

Tô tentando desesperadamente definir isso para vocês, lá vai um vídeo:

Esta é a música que abre o CD. Mister Jung Stuffed.

A música que eu tô ouvindo agora, The Ballad of Butter Beans, usa um xilofone, uma slide guitar, umas quinze percussões, cinco backing vocals, e eu não consigo parar de rir. Ah sim, tem um baixo de fundo, fazendo o tema da música.

Isso me lembra trilha sonora de desenho animado do pernalonga, ou do Tom and Jerry. Me lembra o adult swim da Cartoon Network.

Big Trouble abre com uma cambada de metais, e dá um clima instrumental, meio fim de noite, meio quatro queijos, meio chama uma pizza para curar a ressaca. Um bêbado todo vomitado canta a música, rastejando pelo chão, enquanto tenta alcançar o telefone. “cuz ya make me feeel like a zooombiiiieee”. Pelo menos é isso que eu acho que ele disse. Veja, é um bêbado todo vomitado cantando, é difícil entender o que ele tá falando, até para quem se acostumou a ouvir os Hicks.

Verifiquem:

Com certeza é “cuz ya make me feeeell like a zommbiiieee”. Mas é a única frase da música que eu consegui entender inteira, por sinal, a melodia lembra uma rumba misturada com National Athem, do Radiohead. Isso te soa estranho? É estranho mesmo, mas cara, é muito engraçado.

Doo Right quase parece uma música convencional, “I cant breath under water/like I used to/’fore I met you“. Que não é uma letra convencional. Ok, daí tu imagina isso em uma melodia meio beatles, meio animals, até que entra a distorção de vocal, e a música acaba.

Apenas para dar encaixe para Easy Eats or Dirty Doctor Galapagos, que me lembrou os caras do Grinderman, mas sem as guitarras estridentes, e com metais, e um xilofone. Este xilofone tá me deixando encafifado. “ain’t gotta nobadeeee/ain’t gotta nobadeeee/ta blame//ya’nted t’all for you”.

Harpoon Fever, segue para premiar o transtorno. Lembra muito Tom Waits nos momentos mais “Eu te odeio e vou gritar no teu ouvido até tu sangrar”, psychorock até as ventas. E tem uns interlúdios, de algum instrumento, talvez seja um korg emulando um rhodes, pelo menos é o meu chute, enfim, estes interlúdios tão me deixando perturbado.

El Azteca começa com o assassinato à sangue frio de uma bateria. Alguém usando um vocoder para fins que deveriam ser considerados ilícitos também se faz presente, bem como a distorção nas quatro vozes que entram em uníssono. Eu tô começando a realmente gostar destes caras.

Rabbit Habbits abre com um pianinho, a lá Beatles, deve ser só para confundir todo mundo. É o mais próximo de uma balada que este cd tem. E também uma das melhores músicas, “and all of the songs that hang in the night/even after you’re gone”. Isso não é sobre mulher, não é mesmo.

Top Drawer volta para o terreno comum da bizarrice sem limite. O xilofone tá ali de novo, assim como o bêbado caído da Big Trouble, transita por um meio blues, meio psy-trance, tá ligado? Mó legal. As percursões desta banda tem um efeito muito legal, e os riffs desta música me lembraram Mars Volta nos momentos mais ensandecidos e tudo mais. Oi, o Reznor ligou, mandou avisar que este truque de tirar a música da tomada tem dono.

Poor Jackie a penúltima música, tem oito minutos. “Jackie is in the street/ She swears that all she sees is the hunger in their eyes”. A música tem um quê de Tom Waits, de novo. Principalmente por ser storytelling. Neste sentido, não é surpresa que também lembre Nick Cave.

“I don’t see what everybody sees in your sexy body/All I see is a shallow grave/trapped inside a pretty face” . Ok, cara. A gente entendeu, tu não curte muito esta sheela, certo? Presumindo, é claro, que tu tá falando duma mulé, o que eu acho altamente improvável. Eu realmente gosto de como estes caras usam os metais para efeitos lisérgicos, fica muito bacana. Por sinal, isso deve soar genial ao vivo.

Não sei se estes caras consumiram uma quantidade absurda de substâncias ilícitas para fazer este album, mas que eles se esforçaram para dar o clima do resultado de uma festa de cinco dias, pode ter certeza que sim.

Whalebones é a última música, e abre como um Jazz antigão. Lembra We suck young blood, do Radiohead. Mas sem os eletrônicos. E com blues e folk como referência, ao contrário de jazz e eletronica. Para o meu clima Heartland atual, faz mais sentido.

But she holds him
Like an infant
Though it breaks her in half to know he’ll wake like a man
Sold on cold indifference
When he reaches for her she’s gone
She slips like the wind through blackened sails, but

Who are we to know at all?

And I hope you don’t mind
If I hang all of my hopes
I hang all my hopes on this time
I know I’ve been warned
I’ll probably get burned
I’d rather get burned than to not try

I hope you don’t mind
If I hang all of my hopes
I hang all of my hopes on this time
‘Cause you won’t
Let it go

Bueno, de tudo que eu ouvi este ano, só o cd do Nick Cave é melhor, até agora. E entrou na minha lista de bandas bacanas, mais uma evidência que a cena americana tá muito melhor que a cena inglesa na atualidade, e que o poperô do Strokes e genéricos (que não são ruins) é só mais do mesmo poperô travestido de música para gente kool.

Recomendo o album, recomendo a banda, e recomendo ouvir no fim da noite, comendo aquela pizza quatro queijos que tu pediu para ver se teu amigo que tá jogado no sofá, todo vomitado, volta para o mundo dos vivos.


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