Break, pt. I – política para quatro dias

Certamente o forum político, durante estes próximos quatro dias, deve estar bem movimentado com a volta do Pastor Wright, que resolveu tocar o horror nas suas últimas declarações. Duas matérias da New Republic ilustram bem a merda que tá rolando. Basicamente, o Wright fez o que o Obama não fez com ele: jogou o antigo aliado embaixo do ônibus para salvar a própria pele.

Substantively, there’s no reason to think Obama shares Wright’s views on anything, even if Chris Matthews is now saying that Wright is effectively coming across as an Obama “surrogate.” But his performance in the past couple of days obviously nullifies the old argument that Fox News had taken a couple of Wright’s unfortunate outbursts out of context and made the man into a cartoon.

The best hope for Obama here may be that Wright becomes so nutty–apparently his security today was provided by the Nation of Islam–that he allows Obama to perform the full Soujah he didn’t execute in his race speech last month and flatly denounce him. He may lose the intellectual high ground that impressed us “elites” but politically it may be the necessary thing to do.

Este é o Michael Crowley. Falando de um Wrightmare. han-han? Entenderam?

Agora, passamos para o Dayo Olopade, também na New Republic, este artigo achei ainda melhor:

Jeremiah Wright, it’s clear, is pathologically narcissistic, unable to retract even his most outrageous contentions about AIDS and the black community. While many–many–people in this saga have behaved badly, today Wright demonstrated, ironically, the real strain of fervid self-love of which Obama is sometimes accused. This narcissism is defined and amplified by a compete lack of self-awareness that is terrifying to observe. To wit: Breaking his silence to the DC press corps today, Wright had the audacity to cite Proverbs: “It is better to be quiet and be thought a fool than to open your mouth and remove all doubt.”

Consider my doubt removed. Of course Wright has touched lives, and changed many of them. I saw so, and he ought to feel good about that. He is also a very impressive orator, and I found the substance of his speechifying today and in Chicago to be challenging, true, and important. Rather like Obama in Philadelphia, the man is standing on principle.

No fundo, acho bem feito. É o que dá deixar religioso se meter em política, a gente já aprendeu isso com o caótico resultado da interferência das pastorais tanto na esquerda quanto na direita latino americana, o que perceptivelmente atravancou o debate das liberdades civis na arena pública. Igreja devia se ocupar da igreja, mas os religiosos, obviamente frustrados com suas opções de vida, teimam em entrar em terreno que não é da conta deles. Dá nisso: a candidatura do Obama, antes de um potencial agregador quase sem limites, agora tem que se ocupar com as barbaridades que um pastor vem falar sobre política.

Falando em política, o Jimmy Carter andou pela Síria, e se reunião com os chefes do Hamas, a entrevista dele com o Larry King está imperdível. É um pouco deprimente pensar que este cara, esta lenda viva, perdeu a eleição para o Motherfucking Ronald Reagan. Nada comparável com o Al Gore perdendo para o Bush II, certamente. Pelo menos o Reagan era uma raposa, coisa que não dá para dizer do Bush II.

Falando em perder, o último gráfico do eleitorado americano traz uma preocupação embutida para o futuro dos republicanos: só velho vota neles. Claro, eu gostaria de saber qual é a proporção em termos de população políticamente ativa. Acho que daí o cenário poderia mudar. Mas vale dar uma olhada no que o Ambinder escreveu na The Atlantic.

Finalmente, mais detalhes sobre a autorização sistemática de práticas de tortura pelo governo dos Estados Unidos nos últimos oito anos. É o novolingua do Bush:

It’s become cystal clear from Mukasey’s testimony to Congress that despite the Supreme Court decisions and efforts by Congress to prohibit the use of torture, there is still plenty of ambiguity. The president’s executive order last year explicitly ruled out the worst of the worst techniques, like murdering, raping or sexually humiliating detainees, but was silent on what is allowed.

É, meu velho, o segredo da normatividade, e isso Schmitt sempre trabalhou de forma genial, não é o que tu legisla, mas o que tu suspende no momento da legislação. No fundo, tu limita o que não se pode fazer, para trabalhar com todo o resto que pode. Claro, a compreensão liberal de direitos, na tradição Kantiana, tem uma resposta para este problema na determinação de princípios mínimos de justiça e. O problema todo é que, bem, linguagem escrita é só forma. O conteúdo é dado na decisão, e daí a coisa é fudida, meu amigo.

O double-bind é velho de guerra, mas eu continuo convicto que a resposta está na mediação política destas tensões, especialmente, demonstrando que não existem nenhuma das relações causais entre estas práticas de interrogatório e a diminuição do terrorismo. Existem relações causais demonstrando que contra-inteligência funciona, que órgão de inteligencia trabalhando em colaboração funcionam, que pedagogia moral funciona. Agora, tortura? Se tortura funcionasse a Igreja católica tinha ganhado a briga entre Reforma e Contra-Reforma, dá uma olhada nos números.

Pois é, eles perderam.


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  1. […] isto, amanhã são as primárias em Indiana e Ohio. Desde semana passada, quando escrevi aqui que tava a polêmica do Wright e tudo mais, mudou muito pouca […]



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