Os erros da Hillary e o legado dos Clintons

Uma boa matéria da Time sobre os erros da Hillary nesta primária; os motivos são:

1) Ela não sacou o ambiente político;

2) Ela não entendeu as regras das primárias;

3) Ela subestimou os estados que não faziam primárias convencionais (caucus states)

4) Ela confiou em contribuições feitas de forma classica, em poucas grandes contribuições, não em pequenas contribuições de muita gente.

5) Ela achou que a coisa ia terminar rápido.

Concordo, no geral, com tudo. Mas a principal coisa é que ela não poderia contar, também, com o tamanho do fenômeno que o Obama se formou, no sentido da comoção que ele conseguiu em torno da candidatura dele, e da forma como ele jogou com o público dele. Assim, não estou tão certo que mesmo que se ela tivesse jogado todas estas cartas de forma adequada, ela poderia ter parado o Obama. A verdade é que em janeiro e fevereiro o homem se comportou como uma força da natureza nas primárias, patrolando quase todos os Estados e criando uma aura, não de inevitabilidade, mas de novidade e, odeio a palavra, esperança. Nesta retórica, ele se tornou um fenômeno que a Hillary não conseguiu – nem poderia – parar por meios convencionais.

No fim da campanha pareceu que a Hillary encontrou uma voz, mas era irônico ver ela se pintando como símbolo dos blue-collar e do white-trash. Eleitorado que certamente nunca elegeu, nem nunca vai eleger, um presidente democrata. Tudo fica ainda mais interessante, tendo em vista o legado que o Bill havia deixado, não falo do legado pós-Mônica, mas do legado da eleição dele, que mobilizou setores bem diferentes da população americana; especialmente os negros e ativistas que agora a Hillary menospreza. Claro, este mesmo legado já tinha um lado mais trash, mais próximo do tipo de campanha dos republicanos. Mas ainda assim, foi um legado importante, e é muito difícil não ver no Bill Clinton a figura que o Carter não conseguiu ser – um liberal que falava para os Rednecks.

Agora resta saber como o Obama vai conseguir fugir de ser rotulado como um liberal, um know-it-all que quer sair por aí pregando para as massas. Se os republicanos conseguirem pintar o Obama como uma figura arrogante e preachy, eles tem uma boa chance de ganhar uma pancada de votos em Ohio e na Flórida, e nesta eleição, mais do que nunca, eles vão precisar destes dois estados.


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