Ainda o fim das primárias

Pelo visto, o Idelber Avelar, que é professor em New Orleans, também tá de olho nas primárias poraqui.
O post dele, aqui. Faz algumas considerações parecidas com as que eu tinha feito aqui. É interessante ver mais brasileiros interessados nesta eleição, ainda que seja o pessoal aqui por estas bandas.

Vou discordar de alguns pontos que ele coloca, mas só para dar uma perspectiva menos apaixonada. O Idelber gosta um pouco mais do Obama do que eu, já coloquei aqui que acho a Hillary mais forte na forma de lidar com os problemas que estão em jogo, embora eu tenha perdido muito do respeito por ela pela forma como ela levou esta eleição.

Mas acho importante ressaltar que o Obama jogou para a torcida, o que não significa que ele tenha sido justo o tempo todo. As acusações de “play the race card” eram muitas vezes procedentes, mas foram usadas, mais de uma vez, como witch-hunting; também, o Obama se colocou como o candidato da honestidade, esperança e todas as coisas boas. E isso me lembra PT pré-2002, ou seja, me cheira como um pouco de condescendência, ou, um termo que eu gosto muito, holier-than-thou. O Obama é um candidato magnífico, não resta dúvida disso, mas ele também pode perder a eleição se achar que apenas nesta retórica ele se sustenta.

Outra coisa que eu não gosto do Obama é o papo família-deus-valores. Preferia um candidato menos conservador, mas tudo bem, não dá para correr com o Edwards em um país como os Estados Unidos, eu entendo isso.

A prioridade, é claro, é tirar este bando anti-modernista republicano do cenário, e torcer por uma renovação na política do lado vermelho da moeda federalista aqui nos istates.

Mas gostei, no geral, do que o Idelber escreveu, e acho que ele tem alguns bons pontos sobre o suposto não-potencial do Obama. O cara pode, tudo indica, repetir o landslide do último grande fenômeno do partido democrata, que por o acaso, era um jovem sulista chamado Bill Clinton.

Por sinal, eu não acho que os Clintons estejam, exatamente, mortos. O Bill tem um papel importante na tarefa hercúlea que vai ser reunir as duas facções do partido que foram divididas pelas prévias, e não está totalmente descartada a hipótese da Hillary acabar acompanhando o Obama (embora eu concorde com quem diga que é uma hipótese bem pouco provável, e mantenho minha promessa de correr pelado pelo campus da SIUC caso a chapa se confirme). Ainda mais considerando-se o tipo de bobagem que a Hillary anda falando.

A única coisa que permanece é que agora a discussão principal é entre o Obama e o McCain, não sei se interessa ao Obama se vincular à Hillary depois de tudo que foi dito – e depois do tipo de divisão que ela andou pregando. Minha aposta é que um democrata que apoiou a Hillary pode ser o candidato a vice, talvez o governador de Ohio, que é um estado importante para a eleição, e que o Obama perdeu.


AddThis Social Bookmark Button

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: