Radiohead@Verizon Ampitheater – St. Louis

Por onde eu começo?

Vou começar pela única coisa ruim que tenho para dizer sobre o show: o público americano é um bando de encolhido.

Posto isto, vamos ao que interessa.

Eu espero por um show do Radiohead desde 1996. Conheci, como todo mundo na época, Radiohead pelo Creep. Em 1997, então, comecei a ouvir coisas do The Bends, até que finalmente em 1998 vi e gravei um show dos caras na MTV, que me convenceu a comprar o Ok Computer. Long story short, o Ok Computer é um dos cds que eu mais ouvi na minha vida – e também um dos que mudou a minha comrpeensão de música, especialmente rock music.

Eu estava ansioso.

Bem ansioso.

Eu tava preocupado que eu não fosse ver o palco direito.

Eu tava errado.

Esta foto aí de cima é do show de abertura do Liars. Banda não é ruim, me lembrou uma mescla de Jesus and Mary Chain com Pulp. O vocalista quer ser o Jarvis Cocker, desesperadamente. Gostei, no geral. Tocaram uma meia horinha, e não comprometeram. Algumas duas músicas foram por mim caracaterizadas como “boas”. Nunca tinha ouvido eles na vida, não me importaria de ouvir de novo. Vou ficar atento no que eles produzem na sequencia.

Terminado o show do Liars, começa a mudança no palco, que vai deixar a coisa assim:

Acreditem: o show foi sensacional. Visualmente, sonoramente, acusticamente, não tem um critério que eu consiga achar sequer um defeito. O set foi longo, e extremamente surpreendente. Me dei o trabalho de anotar todas as músicas, na ordem, para não esquecer como foi que rolou o show.

O show abre com o Yorke no piano, com All Need. A música é uma baita balada, como vocês sabem, e deu o tom da noite: perfeição na execução, sincronia luzes-músicos-palco. Seguiu Jigsaw Falling into places, a melhor música do album novo, e também uma das melhores da noite. Foi nesta música que eles ligaram o telão na parte de trás do palco, deixando todo mundo embasbacado.

Seguiu uma linha de baixo característica, que eu ouvi até fazer bico, de uma música chamada Airbag. A linha de baixo tava um pouco mais modificada, um tanto suingada, lembrando coisas do album novo. A música ficou um pouco mais dançante.

O clima dançante seguiu com 15 Step. Mais uma vez, admirei o culhão da banda de executar uma música difícil de ser feita ao vivo com perfeição. Seguiu Nude, uma das melhores baladas do InRainbows.

Mas nada poderia me preparar para a surpresa. “É? Não, não pode ser.”. Era. Kid A. Tocada ao vivo, com mixagem feita on the spot pelo Greenwood. Enquanto eu pegava meu queixo que havia caído no chão e não dava sinais de retornar, eles encaixaram com Weird Fishes, mais uma porrada do InRainbows.

O tom dançante do show tava muito claro, Radiohead tava assumindo sua faceta pop, dando para as músicas um tom orgânico, com a linha de baixo muito marcada. Aí que começou a tocar The Gloaming, com uma batida assassina ao fundo, lembrando a versão remixada mais que a versão do Hail to the Thief.

Yorke volta para o piano, ruídos, ruídos, duas notas, puta que pariu “you and whose army”. Versão genial, o Yorke tocando com uma camera no microfone, lembrando o Bono Vox, e sacaneando o Greenwood – foi realmente impagável, ele apontando para o greenwood em uma posição bizarra atrás dele.

Quase infarto, logo depois, com a batida de baixo de Idiotique. Versão mais longa, com um encore dançante interminável. Me matei dançando, eu era, junto com a tati, uma das poucas pessoas dançando, diga-se de passagem. Fo-da-se aquele bando de guri mimado. Mais um dos pontos altos da noite.

Uma parada na vibe dançante com o drama existencial-vouyer de Videotapes. Yorke no piano de novo. Logo depois, o nanico continua no piano e toca “Everything in its right place”. Mais uma vez, me abri para a hombridade: mixagem feita na hora, nenhuma base pronta, nada dessa viadagem. Alguém notando a presença forte do Kid A neste show? Bem, eu notei.

O baixinho se levanta, pega um violão, o greenwood pega outro, os outros músicos meio que somem. Começa a tocar Faust Arp. Lembrei de Led Zep na hora, inclusive, o Greenwood no palco tem uns manerismos que meio que lembram o Jimmy Page. Em um momento do show, não estou certo quando, ele toca a guitarra como se fosse um cello, e é impossível não lembrar do guitarrista do velho Led.

Kid A continua dominando quando Yorke diz “esta aqui é para o atual momento, a gente acha ela muito apropriada. Inclusive, a gente tocou ela muito pouco até hoje.”. Mais uma surpresa completa: Optmistic. Acho que pouca gente conhecia a música, mas mais uma vez, a execução é comovente.

Com isso, os meninos saem do palco pela primeira vez.

Os roudies mudam as coisas de lugar, e instalam uma bateria (!!!) na frente do palco, sem desinstalar a principal. “Que diabos tá rolando”, eu penso. A banda volta, Yorke olha para a bateria “I am pretty sure this is not such a good idea”, e toca o B-Side do InRainbows (tá no album especial) Bangers and Mash. O Yorke quase sumiu atrás da bateria que montaram para ele tocar junto com o Selway, que pareceu estar se mijando de rir ao fundo.

Desmontaram a bateria, e a pancadaria continuou com Bodysnatchers, iiiii’veeee noooo ideeeeaaaaaa whhhhattttt you are talllkkkinnggg abooout. Sim, como eu previa, soa estupidamente bem ao vivo.  O tom da coisa muda completamente quando eles encaixam Exit Music, for a Film. O público tava se comportando de forma especialmente idiota ao meu redor nesta parte da música, com um imbecil subindo em cima de outro imbecil e fazendo bobagem. A vantagem é que o imbecil rapidamente foi controlado, e também, quem se importa? Uma das minhas músicas preferidas do Radiohead, embora o clima ao redor tenha atrapalhado um pouco.É importante ressaltar aqui como a contribuição do Ed para a banda as vezes passa despercebida. Tá, ser segundo guitarrista para o Greenwood deve ser fogo, mas tanto os backing vocals quanto as melodias que o cara faz são importantíssimas para as músicas. E me parece que a contribuição dele tanto para o Hail quanto para este último album são um pouco subestimadas.

Yorke diz “this is for the people in the lawn”, ou algo parecido, e começa Myxomatosys. O riff inicial, como sempre, matador, pulei feito um condenado, enquanto o telão enloquecia na relação com as luzes (sério, tenho pena de quem viu este show sob influencia de ácido. Deve ter sido assustador).

A segunda maior surpresa da noite, então, aconteceu: começa a tocar, han-han, Iron Lung. Eu tinha lido que eles andavam tocando coisas do The Bends na estrada. Mas eu imaginei que fosse tipo, BONES ou JUST. Não, era Iron Lung. Bom, entendi como Ironia, mas, vá-lá. No geral, preciso dizer que é difícil acreditar que a banda que gravou The Bends é a mesma que gravou Hail to the Thief, especialmente quando tu ouve Iron Lung entre Myxomathosis e There There.

There There, por sinal, foi o meu ponto alto na noite. Não me perguntem os motivos, simplesmente foi a música que eu mais gostei na noite inteira.

Então, a maior surpresa da noite. “nanananana, não pode ser”. Tati olha para mim, “isso é tão 1997”. Fake plastic trees. O meu único consolo é que eles mudaram o arranjo. E que ficou matador. Bom, ou é coisa para o público, ou o Yorke tá com sentimento de culpa por ter feito o Greenwood e o Ed ficarem sem pegar em guitarras por dois albuns inteiros.

Logo depois disso, enquanto as luzes intercalam com o telão e a distorção pega à toda, a banda sai do palco.

Os roudies movem o piano com a bandeira do tibete em cima (happening), e daí a banda entra de novo. Segundo encore, e lá vai o Yorke pro piano, eu olho prá tati na primeira nota e digo “Eu não acredito que eles vão tocar Like Spinning Plates”. Tocaram. Não era Like Spinning Plates, era Pyramid Song, eu que me confundi na hora. De qualquer forma, permance um close second para There There em nível de epifania. Execução perfeita, bateria completamente enloquecida. Mas eu tenho quase certeza que eles tocaram Like Spinning Plates encaixado em Pyramid Song, ou algo assim. Sei lá, eu tenho a nítida impressão. Devo estar enloquecendo.

Logo após, a música que eu achei que fosse fechar a noite, House of Cards. Excelente balada, excelente clima. Yorke diz “I hope you know this next one”, e uma versão alucinada de Paranoid Android começa a tocar. O Greenwood faz um dos solos – aqueles solos – no piano. Sim, no piano. Eu fiquei com pena do instrumento, mas, acreditem, foi muito afudê.

E foi isso.

Set list:

All I Need; Jigsaw falling into place; Airbag; 15 Step; Nude; Kid A; Weird Fishes; The Gloaming; You and whose army; Idiotique; Videotapes; Everything in it’s right place; Faust Arp; Optmistic.

Encore: Bangers and Mash; Bodysnatchers; Exit music; Myxomatosis; Iron Lung; There There; Fake Plastic Trees;

Encore 2: Like spinning plates Pyramid Song; House of cards; Paranoid Android.

Agora são vinte para as quatro da manhã, e eu vou tratar de dormir.


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Comments
5 Responses to “Radiohead@Verizon Ampitheater – St. Louis”
  1. paulo disse:

    O público americano que é encolhido ou vc é um tiete tresloucado?????

  2. Ferrari disse:

    Paulo, são os americanos mesmo… Fui no show do Offspring em San Diego e vi na fila um monte de gente com cabelo moicano (??), camiseta da banda, atitude que eram roqueiros e tal. Bom, chegando no show mesmo poucas pessoas sabiam as letras, e a maioria que sabia só acompanhava com a cabeça, sem cantar.
    Não é a toa que os gringos se encantam quando vêem para cá.

  3. Vírgula disse:

    Eu me recuso a comentar sobre esse show :(

  4. moysespintoneto disse:

    Ah, agora eu vi!

    Repertório bem diferente, mas só posso concordar com a descrição inicial:

    “Acreditem: o show foi sensacional. Visualmente, sonoramente, acusticamente, não tem um critério que eu consiga achar sequer um defeito.”

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