McCain, Bush e os lobistas

McCain, até bem pouco tempo atrás, era o candidato que falava direto ao assunto, que não precisava de lobby e que ia tirar o partido republicano do abismo no qual o Cheney jogou eles.

Já disse aqui, acho o McCain uma figura simpática. Dos candidatos que poderiam sair pelo partido republicano, é o único no qual, em circunstâncias bizarras, eu conceberia votar. Posto isto, o McCain tem demonstrado ser mais do mesmo – talvez oito ou quatro anos atrás, quando ele flertou com o partido democrata, ele fosse uma figura políticamente mais interessante. Mas nas últimas semanas, McCain tem demonstrado ter vontade de continuar a guinada ultra-conservadora na Suprema Corte – como esta matéria sensacional da New Yorker bem ilustrou.

Isso somado com as repetidas bobagens ditas a respeito do Irã-Iraque-Oriente Médio, do descaso com diplomacia, uma vontade imensa de se pintar em cores agradáveis para a direita religiosa e até a súbita afinidade com Bush, de quem McCain era um inimigo político dentro do partido republicano é tudo que os democratas queriam embalado para presente de natal. Como o Obama colocou hoje:

“John McCain is having a different kind of meeting,” Mr. Obama said after meeting a family in Las Vegas on the verge of losing its house to foreclosure. “He’s holding a fund-raiser with George Bush behind closed doors in Arizona. No cameras, no reporters. And we all know why.

“Senator McCain doesn’t want to be seen, hat in hand, with the president whose failed policies he promises to continue for another four years.”

Bom, o NYT tem algumas considerações interessantes sobre esta relação entre o Bush e o McCain, considerando como o Bush pode ajudar o McCain a ter mais apelo entre os conservadores da base religiosa, e consequentemente arrumar grana; mas pode ser um tremendo dum problema com todo o resto da população, vale dar uma olhada.

Falando em grana, o McCain precisa mobilizar grana em volta de uma candidatura com poucas chances. O cara que falava que não precisava de lobistas, hoje teve uma surpresa desagradável, com o furo da NBC sobre a relação de um dos membros da campanha do McCain. Eu explico: o cara que provavelmente seria o secretário de tesouro do McCain, caso ele fosse eleito, continuou trabalhando no UBS enquanto montava o plano do McCain para housing e crédito. O UBS, por sinal, é um banco que basicamente financia housing e garante crédito. Na talking points memo, tem uma pequena recapitulação da patota:

Now, it’s clear from the report that UBS had some exposure on the subprime front. But I wasn’t aware of the true extent of it. TPM Reader KB sends in articles Businessweek and Forbes that show just how big a player UBS was. Forbes says that UBS is among the banks worst hit by the global credit crisis, particularly in their direct exposure to the US subprime market. According to Forbes, UBS has some $37 billion in write-downs on assets tied to bad US mortgages. In other words, the bank’s very life appears to be on the line in how the US government chooses to handle the matter.

As MSNBC reported, UBS deregistered Gramm as a lobbyist for the company on April 18th, though he continues to serve as a vice chairman of the bank. But that was fully a month after McCain’s speech outlining his own approach to the crisis.

Many of the lobbying connections the press has dug up on McCain have been embarassing. But I’m not sure any have really had teeth until this one. After all, how much does the average voter care that Charlie Black represented a lot of foreign dictators? A stench, yes? But finding out that McCain had a major subprime lender bank lobbyist whispering in his ear when McCain told the public that it was basically tough luck if they lost their houses?

Por estas e por outras, que o McCain precisa desviar o foco da eleição para qualquer coisa menos a economia. No entanto, as alternativas também não são lá muito boas para ele. Guerra? O pessoal tá meio cansado disso. Valores? Pois é, esta pode ser uma aposta interessante.

A questão é, com a crise econômica montada e as pessoas perdendo as casas; com a guerra a todo vapor no iraque, e os soldados voltando para casa dentro de caixas; como é possível focar uma eleição em valores? O partido republicano nunca precisou tanto do Pat Buchanan. E o Pat Buchanan anda aparecendo nas propagandas da fundação do Al Gore.

Por essas e por outras que o pessoal diz para não queimar pontes.


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