Burocratas, isolacionismo e bolsistas

Esta matéria do NYT pede por uma leitura rápida e equivocada.

The American State Department has withdrawn all Fulbright grants to Palestinian students in Gaza hoping to pursue advanced degrees at American institutions this fall because Israel has not granted them permission to leave.

Este é o início. A reportagem segue, descrevendo os entraves burocráticos. Daí, tu chega no centro da questão, já completamente indignado com Israel, e te depara com isso:

when a query about the canceled Fulbrights was made to the prime minister’s office on Thursday, senior officials expressed surprise. They said they did, in fact, consider study abroad to be a humanitarian necessity and that when cases were appealed to them, they would facilitate them.

They suggested that American officials never brought the Fulbright cases to their attention. The State Department and American officials in Israel refused to discuss the matter. But the failure to persuade the Israelis may have stemmed from longstanding tensions between the consulate in Jerusalem, which handles Palestinian affairs, and the embassy in Tel Aviv, which manages relations with the Israeli government.

Interessante perceber que a falha total de comunicação entre o departamento de defesa americano e Israel foi o principal fator para que estes bolsistas fossem deixados em Gaza. Claro, isso só é possível porque Israel está isolando Gaza para mostrar a inoperância administrativa do Hamas (mais ou menos como os Estados Unidos fez com Cuba). No entanto, a história não é apenas de uma maldade terrível cometida pelo estado Israelense, mas de uma tremenda falha de comunicação.

Como coloca a bolsista no final da matéria, é difícil acreditar que o departamento de defesa norte-americano, do qual a comissão Fulbright é parte, não conseguiria convencer o governo israelense a liberar 7 pessoas.

Claro, o isolamento feito por Israel é brutal. Mas é parte do entendimento de Israel que a autoridade palestina está em estado de guerra com eles, então isola-se o inimigo. O contraponto do “bombardeio humanitário” que um palestino oferece, em um ponto da matéria, é o seguinte:

“We are using the rockets to shake the conscience of the world about Israeli aggression,” argued Ahmed Yusef, political adviser to the Hamas foreign minister in an interview in his office here. “All our rockets are a reaction to Israeli aggression.”

Não vou me meter nesta discussão, da qual entendo muito pouco. Queria mais destacar como a matéria do NYT traz o assunto da Fulbright para abordar o sítio de Gaza; fazendo pensar que este episódio é parte do sítio. Na realidade, trata-se sobretudo de uma burrada burocrática, que tem repercussões maiores pela situação explosiva da região.

O que não muda, volto a destacar, a brutalidade do sítio. Mas é guerra, e não é bonito.


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