and now, for the ultraviolence

Só para não perder a idéia.

Quando eu começava a digerir o Crash, que havia caído como uma bomba em meu sistema nervoso ainda na viagem para o Brasil, eis que eu vejo Batman, e volto a ficar absolutamente transtornado.

Claro, não se compara. Batman é parte de uma franquia, onde até a violência é calculada para dar sequência para mais uma parte do produto. Nada contra. Se os filmes continuarem bons deste jeito, vou ir ver sempre. Por sinal, vejam o filme. É o melhor que já vi na série – de longe.

Na realidade, o que me chama a atenção tanto no Crash quanto no Batman é a violência enquanto fetiche. Tanto o Dark Knight quanto o Crash celebram as formas de extase que a violência proporciona. Não é exatamente um gosto moderno este entre violência e êxtase, vamos combinar, o velho testamento tem vários exemplos onde violências mais ou menos explícitas incorrem em êxtase. É uma destas nossas pretensões modernas achar que inventamos o gosto pela violência, ou por tornar esta uma válvula de escape.

(ora bolas, a profecia do messias ocidental incluia detalhes sórdidos sobre uma crucificação, um martírio público e um julgamento sumário!)

Mas ainda assim, o filme do Batman dá todo um novo significado para o uso da violência. Ao mesmo tempo que é muito menos explícito que qualquer coisa que o Tarantino tenha feito, o que não é mostrado assusta muito mais. A violência é sutil, não é o sangue jorrando contra a camera que o Gibson usou para mostrar o martírio do cristo. O pior do filme é o que tu imaginas, não o que tu vê.

Heath Ledger fez um coringa que não tem NADA de gostável. Como o próprio tinha definido, antes de morrer, o coringa é puro Id. Me apavorei com pessoas dentro do cinema RINDO das piadas do Coringa. Cara, ele não tem graça. Aquilo não é engraçado. Tu tem que tá muito anestesiado para ver algum tipo de graça na insanidade completa do Joker.

Foi uma sensação parecida que tive no cinema ao fim de There will be blood, quando todos – menos eu e Tati – pareciam não perceber a construção de uma situação de tragédia, e confundiam a violência com graça.

Não tenho a – menor – capacidade de avaliação para isso. O meu problema com obras tipo o Dark Knight e o Crash – ao qual vou voltar depois -, é que elas me deixam com vontade de falar alguma coisa, ao mesmo tmepo, sou incapaz de escrever qualquer coisa que preste sobre elas.

Por exemplo, já comecei quatro parágrafos escrevendo sobre Crash. Todos estavam uma droga. Como não conseguia sair do lugar comum, optei pela opção honesta – ou seja, não vou escrever sobre isso.

Eu vou acabar fechando este blog antes que ele vire um confessionário. Não vejo a hora de voltar a ler sobre política e encher isso aqui de dados. A alternativa, certamente, é fechar.

Comments
3 Responses to “and now, for the ultraviolence”
  1. Moche disse:

    Qual crash? O Crash de 2006 ou o Crash – Estranhos Prazeres, aquele do fetiche dos carros?

  2. o do Ballard. Nem me dei o trabalho de ver o filme de 2006, depois que fiquei sabendo do motto, me pareceu uma cópia mal feita de Do the Right Thing.

    (e não é sobre fetiche dos carros, trust me :P )

  3. Ferrari disse:

    Viste Psicopata Americano? Ajuda na lista.

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