Constatação óbvia

Hoje, quando eu percebi que a carga de leitura para esta cadeira de terça-feira é de uma média de 100-300 páginas por semana, de tópicos tão agradáveis quanto realidade, necessidade, contingência e coisas tão deliciosas quanto a articulação entre natureza, conhecimento e pedagogia. Sem contar com as questões de psicologismo, democracia e a relação entre ontologia (?) e saber em Dewey. Tudo em Dewey, na realidade.

Bem, quando eu percebi isso, como eu ia dizendo, minha conclusão foi muito simples: eu vou me divertir pácas este semestre. Mas minha vida enquanto um observante de coisas que acontecem no mundo real, entrou no MV-2 para alvorada e me deu tchauzinho. O meu eu-obcessivo por assuntos políticos? Ah, ele reside em Itu-Sabará, ali perto dos cano onde a gurizada anda de skate e fuma crack (não necessariamente nesta ordem).

Mas isso é pouco. Porque na realidade, eu também percebi que vou me apaixonar pela Fenomenologia da Percepção. Comecei a ler aquele troço, e relevado o non-sense da Gestald e do psicologicismo demente que tomou conta do início do século XX, parece ser um troço (extremamente) interessante.

Inclusive, vou aproveitar para escrever isso aqui. Acho que finalmente descobri o que anda me incomodando na turma que escreve “fenomenologia” depois dos anos 60-70. É simples. Depois de ler Husserl e o primeiro Heidegger, eu cheguei à conclusão, especialmente com o Husserl, que tu pode ser extremamente claro quando lida com fenomenologia.

O problema todo é que o Heidegger resolveu enloquecer e começar a fazer poesia, e daí todo mundo seguiu no absurdismo. Nas frases bonitas e sem sentido. O meu exemplo favorito é Derrida. Pega o Gramatologia. É difícil. Mas FAZ SENTIDO. Daí tu pega a obra tardia dele. Impossível entender meia-frase sem apelar para algum achismo.

Como diz o Fabião, depois que o Husserl morreu, acabou a fenomenologia e começou um outro troço, se tu quer chamar de pós-modernismo, vai em frente – boa sorte, por sinal. Mas todos os lacanismos do universo não vão te dizer muita coisa, vou avisando.

No fim das contas, é claro, tudo é questão de gosto.

(enfim, este post se estendeu mais que eu imaginava)

O que eu ia dizer, é que daqui pra frente este blog será povoado mais por este tipo de devaneio e eventuais considerações acerca da relação entre natureza e necessidade.
Por sinal, hoje o professor Alexander usou “fucking” na aula, “there was a fucking revolution going on in Germany, don’t you know history?”, quando ninguém lembrou o livro que tinha sido lançado em 1849 e que tinha causado parte da imigração de alemães para St. Louis. Eu sei, Ferrari, óbvio. Eu devia saber isso. Simplesmente não lembrei, tá?

(chega, pelo amor de deus)
(vou voltar com considerações acerca do caráter não-modal da lógica em Dewey)
(se é que isso é possível)

Comments
One Response to “Constatação óbvia”
  1. Moche disse:

    manda bala com esses brainstorms! hehehehehe

    Acho que a fenomenologia é imensamente clara, só que para entendê-la é preciso o esforço hercúleo de fugir do cartesianismo. O que, diga-se de passagem, é MUITO foda.

    Mas concordo plenamente contigo sobre a escrita “poética” dos pós-modernos. Gosto da ironia de Rorty quando ele diz que via pouca diferença entre neopragmatistas e pós-modernos, salvo o estilo mais “elegante” dos primeiros.

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