Uso de violência?

Alguém aí também achou uma estupidez o que aconteceu no sequestro?

Não sou especialista em segurança pública, muito menos em operação policial. Tudo que sei sobre o assunto, é o que li por aí. Inclusive a interpol dizendo que teria estorado a cabeça do cara na 49a hora.

Não sou a favor da pena de morte, já disse. Mas neste caso, me parece que a melhor alternativa teria sido acertar a cabeça daquele infeliz na primeira vez que ele botou a cabeça pra fora depois de ter atirado. Mas não. Tentaram negociar com um cara que tava – obviamente – fora de si, e como resultado temos duas meninas feridas, e um panaca saindo caminhando.

Situação limite chama decisão limite, não adianta tentar negociar com um cara que tá mantendo pessoas em cárcere fazem 100 horas, e ainda por cima dá claros sinais do seu ímpeto ao dar tiro para a rua.Agora a guria tá morta, e aí?

E aí que a polícia é diretamente responsável, porque podia ter acabado com a ameaça na primeira vez que este imbecil tinha botado a cabeça para fora. Mas nào adianta, porque se tu defende resposta violenta contra este tipo de conduta tu é acusado de ser facista, de ser partidário da tolerância zero.

Não importa, agora vão explorar a morte da menina, mostar a mãe chorando, fotos da guria bebê, enquanto pedem a cabeça do sequestrador em um prato. Grande merda que vai adiantar pedir isso agora. QUe tivessem dado um tiro na cabeça deste infeliz quando ele deu o primeiro tiro para a rua.

Repito: até na suécia seria assim.100 horas negociando para terminar assim. E era óbvio. Ontem mesmo eu falava com o Ferrari que era óbvio que tinham que estorar a cabeça do cara, que ia acabar mal. O Ferrari tava tentando me convencer do contário. No fim, o óbvio aconteceu. Sempre se pode confiar na incompetência do nosso poder público.

Revoltante.

Comments
20 Responses to “Uso de violência?”
  1. O governo tá dizendo que tá morta/não tá morta a cada quinze minutos. Portanto, por enquanto não corrijo esta informação.

    De qualquer forma, nenhuma destas gurias vai levar uma vida normal de novo, mesmo que sobrevivam.

  2. “Advogado do sequestrador diz que considera as acoes de seu cliente como prova de amor”

    Mudei de idéia. Alguém pega um sniper e atira no advogado, faz favor.

  3. Marcos disse:

    Por coincidência, faz pouco tempo que eu vi o documentário “Ônibus 174”, de José Padilha. O filme é interessante, porque mescla a duração do sequestro do ônibus com a história do próprio sequestrador. Agora, o que tem de semelhante em ambos os sequestros – e também no que aconteceu em Porto Alegre, com o microonibus – é a absoluta falta de atitude da polícia em resolver a situação sem apelar para o argumento “vamos esperar, porque ele não pode aguentar mais que XX horas…” ou “ele não vai conseguir sair daí e escapar”. Porra, que tipo de garantias a gente tem de saber se alguém vai sair vivo dali? E outra, justificação social, psicológica, cultural?? Com um revólver na cabeça, isso não é muito fácil de ser entendido…

  4. Ferrari disse:

    Eu não tava necessariamente te dizer que não se devia matar o cara, só não acho que matar ele de cara seja uma opção.
    E entre meter uma bala na cabeça dele e estourar a mão dele, eu prefiriria estourar a mão dele.
    Não me importo pelo cara (no momento que o cara entrou lá dentro e chamou a TV ele já estava morto, ele é um homem morto), mas pelo tipo de resposta que a sociedade esperará; esse tipo de situação só faz com que a opinião pública apoie o uso de violência policial em todas as instâncias (o que se viu com os comentários da Zero Fora digital dizendo que tinha que tacar pau em grevista, pq grevista é tudo vagabundo).
    Agora, esse cara nunca quis matar ninguém “por amor”, ele quis chamar a atenção mesmo. Todo dia se abre jornal com gente que mata ex-namorada e _se mata_. Pra mim isso foi mais um homicídio facilitado pela polícia. Isso acontece direto, mas normalmente não vira espetáculo. E é o espetáculo que me incomoda, mas ainda que o crime em si.
    Pior ainda vai ser a exploração midiática em cima da vítima, como tu comentaste. Alguém imagina qual vai ser a manchete do próximo Fantástico?

  5. Moche disse:

    dá um tiro na mão do cara, dá um jeito, pra isso serve polícia (do contrário, chamaríamos qualquer um com arma pra executar o serviço). geralmente, não precisa matar. se é inevitável, é legítima defesa de terceiro. Mas defender que se mate seqüestrados “em abstrato” é algo fascista. É preciso olhar caso-a-caso.

  6. Moche disse:

    seqüestradores , não sequestrados, por óbvio

  7. Moyses, pra mim a questao e a seguinte: tinha como dar um tiro na mao? Se tinha, ok, eu acho que seria o caso. Do contrário, dado o contexto, me parece um dos casos onde configura um potencial ofensivo suficiente para justificar dar um tiro na cabeça do cara. Não é a hipótese desejada? Claro que não é. Mas quanto mais eu leio sobre o caso, mais me parece que teria sido a mais adequada.

    Agora? Agora tem que se certificar que este cara não seja morto nem estuprado na cadeia. Infelizmente, é provável que as duas coisas aconteçam.

  8. Ferrari, não sei se entendi teu ponto muito bem. Do que eu entendi, no geral, eu concordo. Apenas te lembraria que eu também sou contra sair dando tiro em sequestrador sem tentar argumentar com o cara. Agora, no momento que o cara atira na direção da polícia, me parece claro que acabou a negociação e a prioridade tem que ser 1)estorar o cativeiro; 2)na impossibilidade de [1] estorar a cabeça do infeliz.

  9. Em tempo: o crime me incomoda mais que o espetáculo,sinceramente. Concordo contigo, integralmente, isso foi homicídio facilitado pela polícia.

  10. Marcelo disse:

    Aconteceu no estado algo assim há mais de dez anos. Chamaram um atirador de elite. O cara achou um cantinho pra se posicionar e atirar no bandido. O que aconteceu? O povaréu que tava assistindo começou a dar palpite pro cara e acabou alertando o bandido. Dê-lhe espetáculo…
    O que fazer? eu isolava o quarteirão antes de qualquer coisa. Por mim podiam ter morrido os três, mas não dava pra deixar 1500 pessoas no alcance de um cara com uma arma.

  11. o primogênito disse:

    Pois é, Fá. Certamente um tema fácil de opinar depois de “acontecido”. Durante a crise eu não queria estar tendo que tomar decisões…
    De qualquer, vendo agora, parece que:
    – tem que ser um completo imbecil, pra não dizer irresponsável, por deixar a outra menor entrar na casa… O que ela ia fazer? uma guria de 15 anos ia convencer o cara? Não vi os pais comentando, mas se não teve aprovação do pai e da mãe, tem que prender o coronel… se teve aprovação, tem que prender os pais… cadê o pessoal do Conselho tutelar nesta hora?
    – negociar, tinha que negociar, é o minimo. Mas tem algum negociador profissional? vai botar um cara sem preparo nenhum… ou acostumado a lidar com traficante… vai negociar como? Prá isso é que tem psiquiatra forense…
    – sem a menor dúvida: chega um momento que é preciso escolher… Mas a última vez que um atirador “de elite” fez isso, matou a sequestrada…

  12. Certamente, Dé, é mais fácil opinar sobre o troço depois que ele já acabou mal. Mas tu mesmo concordas que tinha uma série de coisas que eles poderiam ter feito para tornar a possibilidade de um resultado ruim ser menor. Vê bem, uma coisa é adotar uma estratégia que é “falível”, todas são. Outra é adotar uma estratégia temerária. Me parece que a polícia adotou a pior estratégia possível – e agora a gente tem que ouvir gente que coordenou a operação dizendo que “aprendeu muito”. É para matar.

    Sobre o atirador de elite do caso do Onibus, vale lembrar, que Não era um atirador de elite, era um policial que errou um tiro à queima roupa. Naquele caso, por sinal, os atiradores de elite tiveram 3 “clean shots” da cabeça do infeliz, mas não tiveram autorização para atirar.

    No mais, concordo com tudo que tu disse.

  13. “tornar a possibilidade de um resultado ruim ser menor”

    por deus, eu estou esquecendo como falar português, e, ao mesmo tempo, meu inglês não evolui. vou virar um sem-língua.

    ONG DJÁ!

  14. Ferrari disse:

    Já tenho a solução:
    B – 4 – 4
    B – 8 – 4
    4 – Mouse 1
    Mouse 1
    2 – Mouse 1 (ou Q)
    Mouse 2, alinha, Mouse 1

    Pra essa tem que ser muito nerd pra entender.

  15. Marcelo disse:

    8 é AWP?

  16. Ferrari disse:

    Flashbang

    NERD

  17. Virgula disse:

    Até um guri de 6 anos viciado em Counter Strike tinha acertado a cabeça daquele cara. Foi o mesmo problema do onibus 174.
    A policia deixou a midia atrapalhar a operação. Nao sei nesse caso, mas no onibus 174 a policia tava impedida de atirar nos miolos do cara pq tava a o vivo em rede nacional, deve ter sido a mesma coisa é isso que penso, mas tb acho foi muita incopetencia para fechar direito um cerco contra um unico cara.
    Acho que devia treinar os policiais jogando swat no pc :P

  18. Virgula disse:

    Sabia que um dia alguem ia fazer isso!

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