Dewey

Ok, eu acho que eu tenho um veredicto.

Dewey é um autor interessante, tem algumas noções altamente defensáveis… MAS, tem um comentário que um colega aqui fez e que eu concordo integralmente: tem gente que escreve sobre as mesmas coisas, de forma muito mais interessante.

No fim das contas, é um autor que serve para tu teres uma noção melhor da discussão sobre democracia e valores, mas estou tendendo a concordar com os que dizem que o pragmatismo, enquanto epistemologia, é uma teoria que tende a desaparecer, não tanto por ser inconsistente, mas porque o que existe de interessante no pragmatismo é abordado de forma mais sólida – me parece – pelos fenomenólogos. Quero dizer, pegue a definição de Dewey para Hábito, compare com a de Merleau-Ponty. Pegue a metafísica de Dewey, e a crítica ao ek-statico, compare com Sartre ou Heidegger.

O que parece, quando tu colocas estas coisas em perspectiva é um filósofo menor. Mas Dewey se destaca pela forma como fundamenta a metafísica em um Ethos – coisa que vi pouquíssimos filósofos contemporaneos fazerem, e que creio que Dewey faz muito bem; realmente , quando a gente pensa no esforço que Dewey faz para unificar metafísica enquanto base para cultura, e cultura enquanto Ethos, tu percebe a influência deste cara em gente como Geertz e Rawls. Só por isso, já vale a pena a leitura.

Comments
6 Responses to “Dewey”
  1. Tatiana disse:

    Ou isso, ou e a tua bias continentalista. ;)

  2. Moche disse:

    Eu não li Dewey, mas confesso ter curiosidade de lê-lo. O pouco que conheço é por leituras de segunda mão. No entanto, a sensação que tenha ao ler o Rorty e seu “neopragmatismo” é EXATAMENTE a mesma que falaste no post: tudo certo, entendi, bem plausível, mas creio que a fenomenologia fala melhor (embora talvez menos claramente) sobre o mesmo tema.

  3. Tatiana disse:

    Eu nao li muito de Dewey, mas eu li Rorty, e preciso dizer que me impressionou muito. Mais do que alguns continentalistas (e mais claro, mais objetivo, e na minha opiniao problematiza alguns assuntos de maneira mais competente e completa).

    Agora, o que me preocupa um pouco e que nos deixemos nossos preconceitos interferirem (demais) na avaliacao de autores e ideias.

    Tudo bem achar o Dewey um filosofo menor, mas falar isso nao basta. Pq ele e menor? E o que ele faz que os continentalistas fazem melhor?

    Critica externa nao ajuda em nada, e nao leva a lugar nenhum. Me parece que se vamos fazer o esforco de criticar, o melhor caminho e fazer uma critica interna, e mais que isso, uma critica plausivel.

  4. Farei esta minha critica interna no meu artigo. Aguardem. :)

  5. Por sinal, eu nao acho o Dewey um autor menor. Acho que pode PARECER um, mas nao eh. Pelo menos foi a intuicao que eu tentei colocar neste post.

  6. Moche disse:

    Eu tb não acho nenhum dos dois autores menores (sempre ressaltando: Dewey por tabela), ao contrário.
    Só acho que ambos têm um ponto fraco: o naturalismo, de um lado, e, especialmente o caso do Rorty, uma timidez “ascética” de dar conta da ponte entre o indivíduo e o mundo (ai, que difícil escolher esses termos…). Acho que Rorty ficou muito com a destruição da metafísica de Heidegger, mas deixou de olhar, por exemplo, para a questão do ser-no-mundo, que para mim é uma saída genial para a questão sujeito-objeto (colocando-a no seu devido lugar).
    Acho que as críticas internas podem ser devastadoras, mas às vezes são insuficientes, porque certas ontologias são circulares e o conceito não é o real (penso, por exemplo, nas sociologias sistêmicas). Em todo caso, espero o artigo :)

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