Zizek e Singer sobre a Vitoria do Obama

Singer:

Playing a constructive role in bringing about reform at the United Nations is also vital. The structure of the Security Council is 60 years old. It still gives the victors of the Second World War permanent membership of the Council, and a veto over its decisions. To change that will inevitably dilute the privileges of those nations, including the United States. But if any US president can overcome that historical shadow hanging over the UN, Obama can.

Achei a avaliação do Singer bastante sóbria, e até interessante em alguns pontos. O Singer costuma escrever bobagens sobre questões políticas, e fala algumas coisas estúpidas sobre os problemas do terceiro mundo, mas até que este editorial não ficou ruim. Quero dizer, ficou claro, o que o Singer espera, enquanto alguém que se diz esquerdista, de um presidente que se diz de centro-esquerda – e como o Obama pode trabalhar para melhorar a posição dos Estados Unidos no globo.

Obama needs to make the US a leader in reducing emissions. Then, having demonstrated his good faith, he and European leaders should be able to work out a deal that will bring China and India into whatever agreement replaces the Kyoto protocol when it expires in 2012. This may be the greatest ethical challenge of the Obama presidency, but, because so much hangs on it, the way in which he responds to it is likely to play a decisive role in how his presidency will be judged.

Quero dizer, alguém é capaz de dizer que o Singer tem um ponto ruim?

Zizek:

This attitude is best encapsulated by the French expression “je sais bien, mais quand meme” (I know very well that it can happen, but nonetheless… I cannot really accept that it can happen). This is why, although Obama’s victory was clearly predictable at least for the last two weeks before the election, his actual victory was still experienced as a shock. In some sense, the unthinkable did happen, something that we really didn’t believe could happen. (Note that there is also a tragic version of the unthinkable really taking place: holocaust, gulag… how can one really accept that something like that could happen?)

O subtitulo do Zizek diz tudo: “o choque sublime da vitória de Obama”. O nível de podridão e obtusidade que o Zizek consegue alcançar nunca deixa de me surpreender. Quero dizer, precisa trazer isso:

Obama’s victory belongs to this line; it is a sign of history in the triple Kantian sense of signum rememorativum, demonstrativum, prognosticum. That is, it is a sign in which the memory of the long past of slavery and the struggle for its abolition reverberates; an event which now demonstrates a change; a hope for future achievements. No wonder that Hegel, the last great German Idealist, shared Kant’s enthusiasm in his description of the impact of the French Revolution:

O Zizek representa aquele tipo de filósofo que não sabe falar sem vomitar conceitos e palavrinhas complicadas, sem trazer um tipo de discurso indecifrável para quem não é iniciado – e que , se formos realmente analizar o que está sendo dito, como iniciados que somos, está simplesmente errado. Poderia demonstrar três ou quatro problemas na interpretação de Zizek de Kant neste parágrafo acima, não vou fazer isso agora simplesmente porque não estou com o saco para gastar tiro com alguém que acha que tem algo de “sublime” – e quem conhece o Zizek sabe o que ele quer dizer com isso – na vitória de Obama.

Para colocar em poucas palavras, Zizek representa o tipo de filósofo que logo se tornará obsoleto, na realidade, já é obsoleto. Um resquício de um tempo em que se acreditava em intelectuais orgânicos e príncipes filósofos. Todo mundo sabe onde isso foi parar.

O Singer, que via de regra me irrita, pelo menos tem uma grande qualidade: é legível. Não importa o tamanho da asneira que ele fala, ele fala ela em termos honestos, diretos ao ponto. Tentem ler o Zizek com os olhos de uma pessoa normal. É impossível.

Comments
4 Responses to “Zizek e Singer sobre a Vitoria do Obama”
  1. Ferrari disse:

    A História sofre do mesmo problema. Aqui no Brasil o pessoal continua com essa mentalidade colonizada de bater palminha para tudo que os franceses escrevem, que é uma grande porcaria indecifrável com uma tremenda crise paradigmática.
    Acontece que o mundo inteiro deixou de jogar esse jogo desde a década de 70 pelo menos; diabos mesmo os sado-marxistas ingleses estão escrevendo coisas com mais sentido do que a eterna pagação de pau ao Marc Bloch e ao Braudel (que escreviam para o grande público).

    A auto-afirmação e elitização de uma linguagem hermética me dá nojo; é um bando de maricas se escondendo atrás de proparoxítonas que eles mesmos não sabem o que significam.

  2. Moche disse:

    eu entendo a tua implicância mortal com o Zizek. também acho que ele tem esses defeitos, embora não ache TÃO críptica assim sua linguagem, salvo algumas vezes (outros são piores).

    mas, de vez em quando, acho que ele tem umas sacadas geniais.

  3. bah, pior que o Zizek eu só consigo pensar no Baudrillard. E o Baudrillard morreu.

  4. Moysés disse:

    acho que tu não entendeu o Zizek e o baudrillard. Na real, eles não são filósofos, são comediantes.

    As sacadas deles têm tanto valor quanto as do Monty Phyton, embora os Monty tenha bem mais momentos geniais.

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