Uma lista (mais) pessoal

Eis que me pego pensando nos meus albuns preferidos nos últimos dez anos. Tem tempo que venho fazendo isso. É uma lista complicada esta. A partir de 1998 ou 1999? Que estilos? Jazz entra? E eletrônico? O que diabos é eletrônico?

Então resolvi, só para provocar, fazer uma lista bem idiota, bem vented e bem sem sentido, dos meus preferidos dos últimos dez anos, a partir de JANEIRO DE 1998, vamulá:

[1] Bob Dylan – Modern Times (dylan nao conta, é injusto com a competição, mas o um é dele)

1) Nick Cave and The Bad Seeds  – No More Shall we Part e/ou Abbatoir Blues e/ou The Lyre of Orpheus e/ou Dig Lazarus Dig; – os dois primeiros citados já matam a competição, eles somados matam a pau a competição, e eles com o Dig deixam a competição no chão pedindo arrego

2) Radiohead – Ok Computer (se eu somar a produção desde então, acho que eles poderiam estar em primeiro lugar)

3) PJ Harvey – White Chalk (este album é tão ridiculamente bom, que eu considerei seriamente colocar ele em primeiro lugar da minha lista, mas não é melhor – FRIAMENTE – que os anteriores)

3) Queens of the Stone Age – Lullabies to Paralize (QQTSA é muito bom, e se tu não acha, tu tem que reconsiderar e lembrar que bangear é direito fundamental de qualquer ser humano. Banguear enquanto Burn The Witch tá tocando, então, é obrigação moral)

4) Nine Inch Nails – Fragile (tem muita música, é verdade. e daí?)

5) Cat Power – You are Free (o-album-mais-deprimente-desde-Unknown-Pleasures)

6) Aphex Twin – Druqks (se tu não gosta, tu é completamente doente mental)

7) REM – Reveal (eu gosto, não enche)

8) Sigur Ros – (  ) ; (tem pelo menos meia dúzia de tons neste album que eu nunca tinha ouvido na minha vida)

9) Sonic Youth – Murray Street (é um baita album do Sonik. e é bem melódico)

10)  Einstürzende Neubauten – Silence is Sexy (eu adoro estes caras, coloco eles na lista só para implicar)

[10]) The mars volta – Frances the Mute (estes caras tocam Dream Theather para relaxar, o narigudo tem razão.

Tudo isso não importa, o que é importa é que os últimos dez anos nos premiaram com maravilhas como RBD; Death Cab for Cutie; Frezno (melhor banda do mundo); Panic! At the Disco; e-aquela-banda-do-bonitinho-baixista-que-namora-a-outra-mulé-lá-que-também-era-cantora-e-tal;  o pagode universitário; o sertanejo universitário; a WoLLta (oi WaLLter) do Capital Inicial; os albuns do Titãs depois do acústico; o advento do post-rock, ou, o seu nome real “oi, nós estamos entediados e vamos enfiar distorção na tua orelha e dizer que é LEGAL!”; o Cansei de Ser Sexy (melhor que JUSTICE!); todos os copycats do Aphex; e a morte dolorida do RAP nas mãos dos Gangstas.

Sugestões na caixa de comentários, ah sim, me esqueci de Los Hermanos. Los Hermanos é bom pácas, fala da nossa realidade, bixo. Um som tri brasileiro e pá. Muito bom. E todas as mulheres doces da MPB, como esquecer delas. E TRIBALISTAS! Tribalistas é show, cara. Mó legal. Passa o béqui.

Comments
35 Responses to “Uma lista (mais) pessoal”
  1. Tati disse:

    Sem comentários.

    Eu sei que é piada, mas eu não entendo pq o pessoal da MPB não pode ser feliz com sambinha, chinelo e malêmolência, e os teus atormentados podem gravar uma furadeira na parede e justificar com base na angustia existencial, e isso deve ser aplaudido.

    hmph.

    Eu fico com a malemolência.

  2. Ferrari disse:

    Por que é chato, e música não foi feita pra ser chata. Mas, admitindo certa margem etnológica, o conceito de chato de cada um varea moito.
    Mas convenhamos, Tati, 90% da MPB hoje em dia só quer fingir que está na década de 70.

    Quanto a lista, e ignorando completamente o critério cronológico que tu propuseste:

    Por uma questão de fidelidade biográfica, eu prefiro o Out of Time do REM. E eu sou mais o Downward Spiral.

    E eu colocaria o American, do Johnny Cash (se for pra escolher um que seja o IV). Achei melhor que o Modern Times.
    Na real esse álbum pe uma puta injustiça com o Cash, que é um dos melhores letristas americanos (se não O melhor), mas a gurizada só descobre ele depois destes álbuns de cover (eu incluso).

  3. E metal/industrial me dá dor de ouvido. E além disso, vc não vai conseguir me convencer que é legal.

    Ou mudernu né? Por que venhamenos e convenhamos, uma coisinha que metal não é é mudernu. Isso por aquilo, posso eu vestir um saião e vcs crescerem (mais) os cabelos e voltarmos todos pra década de 70, felizes de mãos dadas. :P

    Fora que Sigur Ros não é chato?! É lindo/genial/primoroso, mas tb é chato.

    Então, mais uma vez, me deixem em paz na malemolência. Ainda prefiro ser feliz com MPB do que sofrer com os demonhinhos do metal.

    :P

    (E não me cutuquem mais senão trago aqui a minha teoria NIN/Bonde do Tigrão)

    :P

  4. Opsssss Tati ali em cima, como qqr pessoa de bom senso deve ter notado.

    Mas já que estamos aqui, preciso confessar: acho o Cash, cada vez mais, uma baita caipirada. Que só ficou mudernu e cool pq resolveu gravar o Resnor. Pronto falei.

  5. Bruno disse:

    eu juro que eu não sei quais itens são irônicos e quais realmente deveriam ser considerados bons.

    e deve ter sido a coisa mais complicada do mundo ter que escolher se começava em 98 ou 99. ô dúvida cruel.

  6. Ferrari disse:

    É baita caipirada sim, sem sombra de dúvida. Isso é ofensivo? Acho tão ofensivo quanto dizer que blues é música de negro. Isso faz um ou outro ruim? Decididamente não.

    Bom, cutucamos a MPB no mesmo nível que somos cutucados com a metalerice. Pelo menos de meu lado, eu sei todos os defeitos do metal; porra, uma das minhas bandas favoritas é Iron, mas eu sei que quase todas as músicas são iguais. Mas eu acho isso divertido pacas.
    Acho que o metal realmente sabe desses limites, tanto que é o gênero que mais tira sarro de si mesmo.

    Não vou te convenver que metal é legal se tu não quiser ser convencida disso, mas tu bem sabe que eu gosto de muita coisa de MPB. Só acho realmente uma pena que tenha virado um clubinho da amizade da turma da Bahía – como o Tom Zé finalmente escancarou. Porra, até o Paulo Francis (RIP) via isso na época dele. Produto disso é Los Hermanos e o camelódromo geral, que parecem exatamente o que são – uma banda do pessoal do IFCH.

    E eu acho Sigur Ros chato pra cacete. Sem achar primoroso; ele têm boas linhas, sabem explorar a escala e são ótimos pra dormir.

    Eu adoro te cutucar, Tati. Acho que tu precisa disso às vezes :*

  7. Tati disse:

    Como se NINGUÉM me cutucasse normalmente.

    :P

  8. Tati disse:

    E o “stories from the city, stories from the sea” é muito melhor que o “white chalk”.

    Qual o problema das pessoas serem felizes que eu não entendo?!?!?!

  9. Bruno, tudo que não tem número é ironia, tudo que tem é o que eu penso – ou não.

    Album de cover não entra na lista, não tem sentido.

    MPB, nos últimos dez anos, foi um quente e grande deserto de idéias.

    Começar em 1998 ou 1999 significa integrar o OK Computer ou não na lista, ô geniozinho.

    Adouro a malemolência da tati, alguém neste casal tem que ter algum nível de simpatia para as massas, caso contrário não iam acreditar que a gente é latino e não iam nos convidar para jantas legais pq a gente é EXÓTICO.

  10. Tati disse:

    Seu Jorge não existe, né?

    Ah tá, tudo bem. Vou lembrar disso quando vc estiver INDICANDO ELE PARA QUEM QUISER OUVIR MUSICA BRASILEIRA DE QUALIDADE.

    vou sim.

    :P

  11. Ok. Eu esqueci o Cru, ok? :)

  12. ATENÇÃO, EU DISSE “O CRU”. A leitura sifílica é problema de quem precisa de terapia. :P

  13. Ferrari disse:

    Absolutamente nenhum problema em as pessoas serem felizes. Acho que quem realmente não entende isso não somos nós que aqui comentamos (e por vós esperamos?), mas o Caetano, que sempre tem uma opinião pedante sobre tudo. Nesse sentido ele é que nem os caras que se acham “true metal”.
    E as pessoas não te cutucam tanto não, Tati… Quem mais além de mim faz isso?

    Ao falar em música brasileira de qualidade, concordo com o Fabs, mas coloco 2 oásis: o supracitado super-tição (em toda acepção positiva da palavra) e o Rappa (na época do Yuka, por favora).

  14. Tati disse:

    Não é só o Caetano, Ferrari. Essa lista infinda de comentários prova por A+B que todos nós temos uma opinião (muitas vezes pedante) sobre tudo. :P

  15. Eu gosto de Caê. Acho caê um gênio. Pena que ele sabe disso, e resolve ficar fazendo albuns que “celebram a genialidade dele”.

    (morri)”super tição”(/morri)

  16. It is clear that ethics cannot be expressed.

    Ethics is transcendental.

    (Ethics and æsthetics are one.)

  17. Tati disse:

    Em uma outra nota: se os caras do neubauten efetivamente acreditam que “silence is sexy”, por que diabos eles fazem tanto barulho?

    Ou essa é mais uma das tantas ironias das quais duas graduações, me mestrado e um doutorado em humanas me privaram?

  18. Silence is Sexy é tri melódico, pára!

  19. Tati disse:

    Fabi, tri mélodico é Tom Jobim. Nenhuma banda que usa uma turbina de avião pra “fazer música”é tri melódica.

    E eu só conheço 2 musicas do neubauten que são tri melódicas, e lá se vão seis anos ouvindo a furadeira na parede.

  20. Tati disse:

    (esse meu último comentário ficou parecendo comentário de louqunho né? :P “seis anos ouvindo a furadeira na parede”. Ao invés de vozes na cabeça, eu tenho uma furadeira :P)

  21. “Oi, meu nome é Furadeira”

  22. Paulinha disse:

    Bom mesmo é Malu Magalhães.

  23. Sem falar em Los Fabulosos Cadilacs

  24. Tati disse:

    Vai lá, Paula, compartilha com a geral quem é Malu Magalhães.

    (Por sinal, cabelo roxo?)

  25. moysespintoneto disse:

    Hahahahahahah
    essa discussão tá boa.

    Gostei da lista, mas fico meio perdido se não divido a coisa por décadas. Enfim, listas são coisas pessoais, coisas tipo NIN são totalmente idiossincráticas do escriba que a redigiu.

    Los Hermanos, afora certos arroubos pseudo-intelectuais e fãs chatos, é bom pra cacete, na minha modesta opinião.

    E (ai, já vou começando a me esquivar da pedrada), Death Cab não é ruim.

  26. moysespintoneto disse:

    E Mars Volta, com todo respeito, é som de punheteiro.

  27. NIN = a verdade, o caminho e a vida.

    Quanto ao Los Hermanos e Death Cab, direi apenas que é VIADAGEM.

  28. O QUE TEM DE ERRADO EM SER PUNHETEIRO?

  29. moysespintoneto disse:

    Nada, mas em exagero pode causar lesões.

  30. Por sinal, falou o cara que acha aquelas bandas de LETRAS E NÚMEROS (m83? xr3? comé o nome mesmo?)

    E punheta por punheta, pelo menos Mars VOlta é divertido.

  31. “mas em exagero pode causar lesões.” A/C Habkost.

  32. Tati disse:

    Rock Progressivo, não só Mars volta, é coisa de punheteiro.

    E tem muito problema ser punheteiro, vc realmente quer começar essa discussão? :P

    e NIN?! Sem comentários mais uma vez. Olha que eu trago minha teoria…

  33. Tati disse:

    NIN = “I wanna fuck you like an animal/ I wanna feel you from the inside”

    Bonde do Tigrão = “Vem menininha/ vem aqui com seu tigrão/ vou te botar no colo / e te dar muita pressão”

    Qual é, exatamente, a diferença lírica entre esses dois?

    Nenhuma né? Ah tá, só pra saber.

    Logo, NIN = Bonde do Trigão gringo.

    Mais que isso, não adianta me trazer a diferença de produção, por que isso é questão de dinheiro. É só verificar o que artistas como M.I.A e Black Eyed Peas fazem com o funk carioca + $$$.

  34. Marcelo disse:

    Bossa é legal enquanto música.
    Como estilo de vida, esse vídeo traduz o que penso: http://www.youtube.com/watch?v=NMZeP5is6qM&feature=related

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