Um pouco ausente, ainda. Mas um pouco de filosofia, também.

Minha ausência tem vários motivos, talvez o maior deles seja o tédio profundo que marcou as duas últimas semanas por aqui. Enquanto o ano se aproxima do final, começo os preparativos para a derradeira viagem que faremos a partir do dia 30. Estou pensando em fazer um diário de viagem por aqui, até para manter as coisas ocupadas.

Afora isso, preciso voltar a ler literatura. Os jogos novos pro PS3 certamente não ajudam.

Talvez fosse o momento de fazer um balanço do ano. Mas não sei se isso é o tipo de coisa que se faz em público. Sou parte da geração-Eu, mas nem tanto. De uns tempos para cá, tenho pensado mais em projetos profissionais do que qualquer outra coisa – e a vida não-profissional tem ficado um pouco bizarra, consequentemente. Desde que entramos em férias, tenho procurado trabalho desesperadamente. Agora estou focando em criar um novo projeto para trabalhar filosofia online.

O Heideggeriana, infelizmente, parece não sair do lugar. Além de gente procurando projeto de mestrado, pouca coisa acontece por lá. Falando com colegas, especialmente o Felipe, que está em Frankfurt, e o Marcos, que leva Farroupilha no coração em todo lugar que vai, estamos tentando alternativas – pensando em idéias de abertura para diálogo, coisas que atraiam pessoas.

Fazer filosofia é uma coisa estranha, e tentar dividir isso mais estranho ainda. Tenho tentado abrir um canal de debate, mas parece que os colegas simplesmente não usam internet. Me espanta isso. Tu tem, no máximo, um blog de filosofia em português, com MUITA boa vontade dois. Diria, o biscoito fino e o pensador selvagem, são os dois blogs que – parecem – conseguir acessos.  Nenhum deles realmente foca em filosofia, diga-se de passagem.

Tem a Carla Rodrigues, também. Mas é muita pouca gente, e não há diálogo. Não existe uma troca de idéias ou de experiências. Será que o nosso meio é tão pobre de idéias? Ou será que somos todos tão autistas que não conseguimos organizar uma comunidade online de debates? Dá um pouco de vontade de desistir, francamente. Mas, como diz o Walter, não dá para se juntar à favela mental.

Estou pensando isso alto aqui, até na expectativa que alguém – qualquer um – leia isso e veja motivos para responder. Mas eu tento articular, inclusive com pessoas “de fora”, uma troca de idéias, e fora um ou outro amigo que – creio que até por piedade cristã – se junta à troca de impressões, não tem nada, uma repercussão, nada. Será que é intimidador falar de assuntos? Será que trazer uma discussão on-line é estar fadado a falar sozinho?

Na realidade, estou reclamando de besta que sou. Se a gente vê a quantidade de acessos de um blog de política nos estados unidos, ou na europa, e o acesso do blog mais acessado no Brasil, a diferença é abismal. Será que só o acesso à internet justifica isso? Não sei.

Acima de tudo, talvez seja esperar demais alguma repercussão quando a gente junta uma meia duzia de bolsistas para falar de experiências vinculadas à filosofia. Talvez porque eu seja o tipo de pessoa que fica lendo as dissertações e teses que são disponibilizadas pelos outros departamentos, e tenha vontade de conversar. Pode ser, pode ser eu que estou errado por estar entusiasmado com as coisas erradas.

Nada disso importa de verdade, é claro. Mas a impressão que eu tenho é que a internet ainda não chegou na comunidade acadêmica brasileira, e isso é no mínimo preocupante.

Comments
2 Responses to “Um pouco ausente, ainda. Mas um pouco de filosofia, também.”
  1. Biajoni disse:

    OT: também tenho um pôster desse do Velvet com a banana do Warhol.
    :>)

  2. o primogenito disse:

    caríssimo fratello:

    Interessante o desabafo… Normalmente os desabafos são interessantes, que o digam os terapeutas.
    Achei o termo “derradeira viagem” preocupante, mas vou atribui-lo mais a confusão etimológica alienígena do que a uma improvável depressão.
    Fazer balanços, exceto para a indústria do entretenimento infantil, costuma não dar bons resultados. Sempre que faço me sinto mais inútil, imprestável e digno de pena. Por isso, este ano, minha única promessa para o ano novo será não fazer promessa alguma. Viu só: alguns segundo escrevendo e já estou em depressão. esta mensagem se apagará em poucos segundos.

    Grande Fratello

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