Dia um, de Carbondale a Chicago

Depois de não dormir direito ontem de noite, “acordei” seis da matina com as gurias já se orientando para a viagem. Banho, ligar para o yellow cab, levar uma paulada de taxi – inexplicável, acho que o cara nos engabelou. Enfim, chegamos na estação de trem, todos de mal humor matinal, com mais malas do que o bom senso recomenda – o super-peso virou tradição na estação da Am-trak.

Pois bem, entrei no trem. Não consigo dormir. Estou exausto, mas não acho uma posição para dormir naquela poltrona. Enquanto meu cérebro derrete de exaustão, a tati pergunta se “já que não tô conseguindo dormir mesmo”, não quero trocar de lugar com ela. Meu cérebro havia derretido, então concordei. No fim das contas, foi até melhor, consegui dormir, e fui em um sono meio delirante (sonhei com voar no deserto, com aterrisar em pistas no meio das planícies e com desastres naturais, como geralmente sonho quando viajo) até Homewood.

A viagem de Carbondale até Chicago pode ser resumida em algumas palavras de ordem: soja, milho, árvore, planície, estrada. É isso. Sete horas disso. A Ana Paula tirou uma foto que diz tudo:

dsc_0011

Bueno, sete horas disto depois, chegamos em Chicago.

Carregando malas de lá para cá, fizemos uma volta ao invéz de ir direto pro hotel, tudo coisas que eu reporto ao cansaço absurdo – pior, eu estava com todos os sintomas de um homem desesperado para ir ao banheiro.  Explica-se, o cidadão passa um dia comendo mal e porcamente, se entope de miojo antes de “dormir” e no dia seguinte come dois sanduíches com uma fome assassina. Resultado? O famoso churrio. Daí vocês me imaginam desesperado com a hipótese de estar perdido (não estávamos) puxando uma mala excessivamente pesada e com as rodinhas estragadas, pela Clark Avenue. Imaginem eu, de casaco barato comprado por dez pila na Old Navy, passando pela frente das Sears Towers pensando “eu não posso fazer o Check in no hotel cagado, e eu não irei fazer isso, mas por deus, meu intestino tinha que ter um senso de oportunidade tão ruim?”. Resultado, eu suava frio quando finalmente entramos no hotel, fizemos o check in e abrimos a porta do quarto. Mas folgo em dizer que não houveram acidentes. Take that, nature!

Não obstante este pequeno obstáculo intestinal, a situação estava sob controle quando finalmente decidimos ir fazer compras. A Ana Paula sabia de não sei qual loja (http://www.threadless.com) que tem umas não sei quais hype camisas. Pegamos o Metrô (o sistema de transporte de Chicago é um primor de eficiência, diga-se de passagem) e fomos até a estação na uptown onde ficava a tal da loja. “A Broadway é prácima?”, “Não, é prá baixo”, “Ah tá”,”E agora? Norte ou sul?” Norte”, “Não, é sul”.

Caminhamos um bocadinho, achamos a tal da loja. C o i s a   m a i s   s e m   s e n t i d o  d o   u n i v e r s o. Pensem num cubículo. Pensem num cubículo com uns cabides com uns monitores no lugar das cabeças. Tá, agora pensem num mac onde tu pode tirar uma foto instantânea que então será projetada no monitor que tá no lugar das cabeças. Legal, né? “Mas e as roupas?”. [sarcasmo] É uma confecção rica [/sarcasmo]. Deve ter umas DEZ ESTAMPAS ENGRAÇADINHAS do tipo “Manly” e “Girly” nos tamanhos Anoréxica, Magrela, Desengonçada, Gorda e Escrota e Junkie, Indie, Grunge, Rocker e Metal. (mentira minha, tinha umas estampas até engraçadas, tipo “The dinossaurs had it comming” e “All hail to sarcasm”. E as blusinhas parecem tri confortáveis) {nitidamente, eu espero salvar minha pele da raiva vermelha assassina das irmãs vargas-maia diante de meu comentário maldoso sobre a lojinha, que nem era ruim}

Corta tudo. No caminho prá lódjinha [Apud PONTIN, Renata in conversa pessoal: 07-08/2008], passo por esta loja LOUCA DE HYPE chamada Reckless Records. Eu penso: hmn, esta parece ser o tipo de loja que eu acharia cds que me interessam (ou seja, cds que doravante ficariam mofando para todo o sempre na prateleira; bandas famosas como My Life With the Thrill Kut, Front Line Assembley, Squarepushers, Diamanda Galàs e bandas alemãs de nomes impronunciáveis) a ana paula concorda mentalmente comigo, e planejamos mentalmente para que na volta da loja de roupas, a gente consiga entrar na loja de cd, levando a tatiana com a gente. Confesso que o início foi difícil, a Tatiana gritava “não entro nesta bosta nem morta, não deve ter nem um album de música brasileira, e se tiver aposto que vai ser World Music”, “morro seca mas não me entrego, olha a gente nesta loja, só tem POSER MALDITO”. Tatiana abriu mão da sua atitude punk rock, diante dos olhos de choro da Ana Paula, então entramos na loja, e logo a Tati ficou bastante receptiva ao meu modus operandi “pelo amor de deus, tem dez anos que eu tô procurando estes cds”, e ela mesma caiu na verve consumista. De forma que agora temos a discografia completa da PJ Harvey, e eu sou o feliz proprietário de dois albuns originais do Neubauten, que somados ao album anterior fazem três albuns 10o% originais. Hoje sou um nerd feliz.

Resolvemos voltar caminhando na brisa de Chicago (tava um calorão hoje, SEIS graus. Agora, só porque a Ana Paula tá dormindo, e resolvemos não sair de noite para estarmos descansados amanhã, está nevando lá fora). Paramos no caminho em um barzinho árabe onde comemos sanduiches de falafel e tomamos limonada, gastando muito pouco. Faláfel=fast food definitiva. Caminhamos mais uma hora até chegarmos no hotel, primeiro pela State, depois pela Lassale.

Ok, eu desisto. Eu ia colocar mais uma foto aqui, antes de fechar o post, mas tá muito complicado. A conexão do hotel está um horror, não importa, o hotel, per se, é bem bacaninha. Bom, agora é torcer por neve amanhã, caso contrário a Ana Paula vai começar a pensar no pedido de re-embolso dela.

Comments
3 Responses to “Dia um, de Carbondale a Chicago”
  1. Marta Pontin disse:

    DIA UM, me pareceu complicado mas divertido e com final feliz. Estou torcendo por neve no DIA DOIS. Um Feliz e Abençoado Ano Novo. Beijos.

  2. paulo disse:

    Vc é um bom cronista!Ganhou do Veríssimo. Muito bom

  3. Sérgio disse:

    A mesma mala quebrada?? Só falta tu ter carregado todas as malas, que nem na nossa ida de Chicago p/ C-dale…

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