…e deus se fez linguagem

[w]e can see how the “jointure” operates as a dialectic tool to create a tension between Creature and Creator, while maintaining the Ontological necessity of the Creator. In God there is a longing for the Creature, this urge characterizes the Groundness of God. To take a liberty with Heideggerian terms ,the Ground needs something which is grounded upon it, and it longs for this. This process of longing causes the emergence of a will for something which is them made into Language. So the first modification of God’s longing is the gramma. Subject, Man, is language incarnate and in this incarnation of language man has the ability to express the values and the experiences of the “Da” which constitutes their “seyn”, so the ground is now unfolded in language, and language expresses value-like propositions that affirm something onto the ground. Language constitutes world, constitutes the openness of the world-as-such. Love and Evil are the inner-most qualities of the experience of this Da, and they are already essentially willed in the Ground, in God. They are nevertheless made-flesh by Men.

[…]

Human freedom, Heidegger insists several times, must be a faculty. So it is necessary that human freedom is and also that it [is] a faculty.This is expresses the reality and the necessity of freedom, but it does not say what is the decision. But how could someone want the Evil? Someone wants the evil, because, as it has been mentioned earlier, the inclination for evil is inserted in men by God. And Evil, as something, strives to become, to appear, to be spoken. For only when it is spoken, it is real. The inclination to evil, in itself, is not yet evil incarnate. It is already somehow effective, even as a force that strives with love to emerge. As a inclination, it wants to become. But the fundamental experience, Heidegger claims, is that experience of decisiveness, of deciding, this is the experience that opens the World for Men, as we can decide and be responsible for our decision, on the real good and the real evil.


[Vemos como a “ união”opera como uma ferramenta dialética que cria a tensão entre Criatura e Criador, mantendo ao mesmo tempo a necessidade Ontologica do Criador. Em Deus existe uma aflição[longing] pela criatura, este ímpeto [urge] é o caráter fundante de Deus. Para tomar uma liberdade com os termos Heideggerianos, o fundo necessita algo que lhe dá o caráter de fundo e existe uma aflição por esta fundamentação do fundo. Este processo de aflição causa a emergência da vontade por algo que é então tornado Linguagem. Neste sentido, a primeira modificação desta aflição de Deus é a letra. Sujeito, Homem, é linguagem encarnada e nesta encarnação da linguagem o homem tem a habilidade de eexpressar os valores e experiências do “Da”que constitui o seu “seyn”, então o fundamento agora é desvelado em linguagem, e a linguagem expressa proposições valoritavas que afirmam algo de volta ao fundamento. Linguagem então constitui o mundo, constitui a abertudra do mundo enquanto mundo. Amor e ódio são as mais profundas qualidades da experiência deste Da, e elas já são essencialmente queridas pelo fundamento em Deus. No entanto, elas são encarnadas pelo Homem.

A liberdade do homem, Heidegger insiste diversas vezes, deve ser uma faculdade. Então é necessário que a liberdade humana é e também que ela [é] uma faculdade. Isto expressa a realidade e a necessidade da liberdade, mas não diz qual é a decisão tomada livremente. Mas como poderia alguém desejar o mal? Alguém deseja o mal, porque, como foi mencionado anteriormente, a inclinação para o mal é inserida no homem por Deus. E o mal, enquanto algo, persevera para se tornar, para aparecer, para ser dito. Pois apenas quando ele é dito, ele é real. A inclinação para o mal, a possibilidade do mal, ainda não é o mal encarnado. Mas já é de alguma forma efetiva, enquanto uma força que persevera contra o amor para emergir. Como uma inclinação, ele [o mal] quer se-tornar. Mas a experiência fundamental, Heidegger sustenta, é a experiência da decidividade, do decidir, é esta experiência que abre o Mundo para os homens, já que decidimos e somos responsáveis sobre nossas decisões sobre o bem real e o mal real.]

Quando Heidegger escreveu seu texto sobre Schelling, ele já estava participando ativamente do expurgo dos intelectuais judeus da faculdade alemã. Hoje sabemos um pouco mais do quanto Heidegger foi importante para o regime, enquanto uma figura na qual  a verdadeira caça aos intelectuais Hebreus foi fundamentada.

Foi uma escolha de Heidegger, uma escolha bem real, esta de apoiar o regime nacional-socialista. O que eu acho interessante neste texto, que certamente é um dos poucos no qual Heidegger sequer ensaia falar de valores, é a importância da decisão. Creio que lendo este texto, temos ainda mais uma evidência de porque devemos apontar a responsabilidade de Heidegger por suas escolhas desastradas.

Desastradas é uma palavra bondosa. As escolhas de Heidegger foram criminosas, assim como a postura dele. Talvez o desafio maior seja o que fazer da filosofia de Heidegger, que é maior que o autor, é claro. Minha relação é cada vez mais ambivalente, e tem se transformado exponencialmente.

Explico:

Este texto ali em cima, é trecho de algo que preparei para uma aula sobre Schelling que estamos cursando. Enquanto eu lia, eu pensava: “se alguém entrar nesta sala de aula, vai pensar ‘eis um cara doido, lendo coisas doidas, escritas por um maluco completo'”. O pior é que sequer eu posso dizer com segurança que minha interpretação do texto de Heidegger sobre Schelling está correta – eu não sei. Este texto foi o que eu consegui fazer depois de horas em cima de diversos trabalhos sobre o assunto, e alguma força na parte linguística – para a qual, francamente, tenho nenhum fundamento além de “é, é isso que eu acho”.

Só que é isso que acontece com o Heidegger. Muitas vezes, devido à suposta complexidade do texto do autor, ficamos obrigados a fazer um esforço homérico para tentar extrair um sentido do troço. Admito, isso faz parte da filosofia. Talvez isso – seja – a filosofia. Mas lendo o trabalho do próprio Heidegger, antes dele entrar na segunda fase de sua obra, ou de outros fenomenólogos, eu vejo possibilidades de falar com clareza, sem fazer tantas voltas e re-voltas… E daí, como justificamos esta masturbação mental?

O outro lado do problema com o Heidegger é: este cara era um tremendo cretino. Veja bem, a filosofia está cheia de cretinos, mas o Heidegger era um ser humano especialmente desprezível. O cara que retira a dedicatória ao professor judeu na segunda edição de sua obra prima para ficar bem na foto com o regime é um tremendo filho da puta. Me desculpem, mas não tem cristo que vai me convencer de alguma explicação para este troço que não seja: o Heidegger foi um filho da puta. Mas ele não parou aí. Já mencionei o expurgo do intelectuais, mas a relação dele com mulheres, a justificativa tardia de que a poesia e deus iriam nos salvar do absurdo dos campos… enfim, é um combo de características insuportáveis que é difícil de aguentar.

E daí, ele foi o único a pensar Ser e Tempo, certo? Certo. Mas o que exatamente, Ser e Tempo nos traz que justifica seguir levando Heidegger a sério, e não esquecê-lo e, por exemplo, ler Husserl ou Scheller?

Bom, é esta pergunta que eu ainda não sei responder, e é esta minha ambivalência. Vale a pena ter que se justificar por estar lendo Heidegger? Por enquanto, minha resposta é sim. Mas eu tenho achado cada vez mais motivos para dizer “não”.




Comments
One Response to “…e deus se fez linguagem”
  1. marcos disse:

    “e, por exemplo, ler Husserl ou Scheller?”
    Fenomenologia transcendental ≠ fenomenologia hermenêutica.
    O titio Tugendhat te ajuda: “o que está em questão para Heidegger não é, como Husserl suporia, uma recaída na epoché, mas a sua própria radicalização. Heidegger não necessita mais da epoché, porque ele se encontra desde o princípio nela”.
    Tem esse outro trecho que também é interessante: Husserl nunca experimentou como enigmático (…) saber como as cogitationes são dadas a si mesmas, ou seja, como é preciso compreender a autoconsciência e a reflexão. Ele pressupos como óbvio que é possível refletir sobre todo ato em um segundo ato que encontra o primeiro ato em uma percepção interior, exatamente como nós encontramos uma coisa qualquer na percepção exterior”.

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