Violência? Qual violência, afinal de contas? (notas sobre uma notícia)

Sem ordem, separando trechos. Uma meta análise:

A campanha da fraternidade que, a cada ano, promove a vida e defende a dignidade das pessoas, coloca-se contra todo tipo de violência, em qualquer circunstância, para construir uma sociedade baseada na “civilização do amor”.

(…)

Após o aborto, médicos que participaram do procedimento e a mãe da menina foram excomungados. Nesta sexta-feira, o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho defendeu a excomunhão e disse que o suspeito de ter estuprado a menina não deve receber a mesma punição da Igreja Católica.

Eminentíssimo dom José Cardoso Sobrinho: Por quê o senhor não vai tomar no cu? Por quê o senhor não mantém a tua opinião para as tuas ovelinhas? Por quê tu cometes a violência de nos ter que fazer ler isso:

Lamentamos que este não seja um caso isolado. Preocupa-nos o crescente número de atentados à vida de crianças, vítimas de abuso sexual. Neste contexto, a Igreja se faz solidária com esta e com todas as crianças vítimas de tamanha brutalidade, bem como com suas famílias.

Gente da tua laia, da laia da CNBB, tem mais é que se ocupar de abusar sexualmente de coroinhas, que pelo visto isso vocês sabem fazer bem, não é? Quero dizer, não lembro de algum membro acusado de ter abusado sexualmente de coroinhas ter sido excomungado pela santa-igreja? Ah, não. Claro que não, eles foram transferidos de paróquia para poderem continuar:

A Igreja, historicamente, sempre se colocou a favor da vida, desde a sua concepção e desenvolvimento até o seu declínio natural, iluminada pela Palavra de Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente” (Jo 10,10).

Claro, a igreja sempre se manteve fiel à garantir a vida alheia. Estão aí para ilustrar os fabulosos períodos de inquisição, de perseguição, de justificativa da escravidão, da queima de indivíduos na fogueira, do atraso intelectual. Tudo sempre encabeçado pela santa igreja, sempre à favor da vida.

Vivemos em uma sociedade pluralista onde o Estado se estrutura e se rege por uma legislação, refletindo a cultura dominante, que nem sempre respeita os princípios éticos e naturais. Nem sempre se pode identificar o que está amparado por leis, com princípios éticos e valores morais. Para nós, sempre terá precedência o mandamento do Senhor: “Não matarás”!

Portanto, diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos.

Uma menina de nove anos, Eminência. Nove anos! Tu queres expor uma menina de nove anos à uma gravidez, eminência? Pelo teu capricho? Pelo teu respeito à vida, tão inegociável? Pela negativa da violência? Tu expõe, com todo o poder da igreja no brasil, esta menina de nove anos ao escárnio público atráves da nota de excomunhão de seus pais? Que estavam cuidando do melhor interesse de sua filha? Que foi violentada? Violentada, eminência! Que merda é essa de falar em não violência, eminência?

Esse princípio norteou a prática da Igreja no Brasil, também na época do regime militar, instaurado em 1964, quando se colocou a favor da vida e da dignidade das pessoas, defendendo os direitos humanos dos perseguidos, torturados e refugiados políticos.

Vocês me dão nojo, eminências. Eu acho que o mundo estaria muito melhor sem gente da laia de vocês, querendo vomitar seus principinhos éticos não-reflexivos, não-negociáveis, em cima da gente. Vocês praticam o pior tipo de violência e fazem isso sem precisar se preocupar com consequências.

Finalmente,

Sobre o suspeito de violentar uma menina de nove anos não receber a excomunhão. Porque ele deveria? Fez apenas o que diversos padres, bispos e cardeais fazem, documentadamente, sem maiores consequências: violentou uma criança. Nenhuma novidade, nenhum choque nisso. O intolerável, é claro, é que uma menina de nove anos – N O V E   A N O S – interrompa uma gestação que ela – claramente – não pediu, e não pode carregar.

Senhores da CNBB, fazia muito tempo, mas muito tempo mesmo que eu não sentia tanta raiva. E a falta de responsabilidade destas declarações tem nome: ela é criminosa. O assassinato do caráter da família desta menina, em uma comunidade pequena, que sabe de quem se trata, é criminoso. O que se faz levando esta história ao público, tudo isso é intolerável.

Ocupem-se da rotina de limpeza das suas respectivas paróquias, e mantenham seus dedos cheios de anéis de ouro e rubi em seus bolsos. Deixem a esfera pública em paz.

(eu sei, esse texto não vai chegar, nem precisa chegar, na CNBB, mas que se dane, isso é parte da minha rotina, do meu dia-a-dia e eu convivo e pesquiso estas coisas. É intolerável ter que calar a boca e ouvir esta gente ventilando esta merda toda. Não dá, eu não tenho sangue de barata, apesar da evidência contrária)

Comments
22 Responses to “Violência? Qual violência, afinal de contas? (notas sobre uma notícia)”
  1. Não para de piorar:
    “O quinto mandamento da Igreja é não matar. Então, neste caso em que a mãe, a menina, estava correndo risco gravíssimo de perder a vida, a Igreja diz: deve se fazer todo o esforço possível para salvar a vida desta menina grávida. Mas não se pode, para atender a essa finalidade, eliminar a vida de outros, duas vidas inocentes. Os fins não justificam os meios”

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u530540.shtml

    Reação do médico:
    “Tenho pena do nosso arcebispo, que não conseguiu ser misericordioso com o sofrimento de uma criança inocente, desnutrida, franzina, em risco de vida, que sofre violência desde os seus seis anos”

    Sr. Rivaldo Mendes de Albuquerque, sério, tu ganhou meu respeito.

  2. moysespintoneto disse:

    Por essas e outras que ninguém mais dá bola para a Igreja (católica).

  3. PAULO disse:

    Calma
    Fui coroinha e não fui estRUPRAADO!

  4. Marcelo disse:

    Sabiamente não existe um mandamento do tipo “não estuprarás criancinhas”. Ou tem… devia estar na terceira tábua que Moisés recebeu e que deixou cair no meio do caminho.

  5. RAF disse:

    Fabs….
    PERFEITA a tua colocação……PERFEITA…….concordo totalmente, essa laia q naum entende o mundo, vive ha pelo menos uns 200 anos atras, e acham q estaum abafando!!!!!!!!IGREJA, COELINHO PELUDO…….VAUM SE FUDEEEEERRR……..

  6. Juno disse:

    A generalização sobre o abuso sexual entre membros da igreja católica é tacanha, obtusa e obscurantista. Revela, tão-somente, o preconceito que se tem contra a IC. Só isso.

    Além do mais o post é descortês. Não se precisa xingar (ou, no caso do post, ofender!) para (com)provar o argumento.

  7. Juno disse:

    Juno se matricula em um clube. Há ujma regra expressa para todos os membros, dentre os quais está Juno: “É proibido atirar pedras na piscina”. Juno, sabedoura da regra, vai lá e atira algumas pedras na piscina. Ato contínuo, é expulsa da agremiação. O presidente do clube não pede (e não poderia) que ela seja punida, uma vez que atirar pedras não é conduta tipificada. Juno foi expulsa daquela agremiação, podendo buscar qualquer outra. Caso Juno não tivesse atirado as pedras, poderia continuar como membro do clube.
    Basta trocar as palavras Juno por médicos, clube por igreja católica, pedras por aborto… Simples assim!

  8. Juno disse:

    E por último:
    “Claro, a igreja sempre se manteve fiel à garantir a vida alheia. Estão aí para ilustrar os fabulosos períodos de inquisição, de perseguição, de justificativa da escravidão, da queima de indivíduos na fogueira, do atraso intelectual. Tudo sempre encabeçado pela santa igreja, sempre à favor da vida.”

    Isso é má-fé intelectual… Colocar os vários perídos numa sacola só, sem as suas particularidades é argumentativa e historicamente falso.

    Além do quê, os pensadores da Igreja (Baixa idade Média até Joseph Ratzinger) podem ser considerados partícipes desse “atraso intelectual”?? Má-fé, má-fé e má-fé (já que de desconhecimento não se trata!).

  9. Pre-conceitos são infundados. O que escrevi é que os membros da igreja que comenteram abuso sexual não foram excomungados, ou sequer punidos de forma convincente. Não fui obscurantista, o texto é clarríssimo na minha opinião sobre o assunto, não precisaste fazer nenhum tipo de esforço para entender do que eu falava.
    O post é descortês, propostitadamente. Não faço a menor questão de ser cortês com gente da laia da CNBB do nordeste, que acha adequado assassinar o caráter de uma menina de nove anos e da sua família.

  10. Juno disse:

    (off-topic)
    Habermas é tido por muitos como o maior filósofo vivo do mundo. Ele se dispôs a discutir pessoalmente com poucos. Dois casos são mais notórios: Derrida (sobre o desconstrutivismo e adjacências) e com Ratzinger (sobre o binômio crençaxciência).
    Trata-se, mesmo, de “atraso intelectual.

    O “atraso intelectual” pode ser visto também nas salas de música erudita ao redor do mundo. A música sacra de Bach, por exemplo, é um atraso. Os museus europeus, sobretudo, com aquela arte sacra são um “atraso” mesmo. De “vanguarda” e não representando o “atraso intelectual” é essa arte adolescente e superficial dita moderna, pós-moderna, contemporânea, industrial, pós-industrial e quejandos. Isso sim não é “atraso”.

    Veja-se que a a grande Arte não teria ocorrido se não pela mão do maior mecenas da história: a Igreja Católica. Engraçado esse verdadeiro dogma (duplo sentido intencional) de ligar a Igreja ao atraso intelectual…

  11. Juno disse:

    PS – O comentário acima foi escrito escutando as “Suítes ara Cello” de Bach. Um atraso… (será que o Timm concordaria??)

  12. Uma pergunta bem direta: em que clube a menina de nove anos se matriculou? Em que clube a matricula dela eh valida? Uma menina de nove anos não é católica, ela é, na melhor das hipóteses, filha de católicos. Filha de membros de um clube.
    Mas a igreja não é um clube, Juno. Não em uma cidadezinha do interior do brasil. Em uma cidade do interior do brasil a igreja perpassa todas as relações sociais, de forma muito mais marcante que o Lyons ou coisa parecida.
    Então creio que a tua analogia cai por terra.
    Mas mesmo que ela não caia. Ë uma questão de perspectiva. Se tu jogar pedras na piscina para tirar um jacaré lá de dentro, tu ainda assim vai ser expulso do clube? Me parece que seria um clube muito irracional este. E se for para tirar um jacaré que estava mordendo uma menina de nove anos, dentro da piscina? Ainda assim? Expulsarias os pais da menina que jogam as pedras no jacaré? Antes de me acusares de fazer um exemplo atípico, te lembro que foste você quem trouxe o exemplo do Clube.

  13. Mantenho meu ponto, e não creio ter sido má-fé. A igreja é uma instituição ambivalente, e a minha relação com a igreja também é ambivalente – assim como minha relação com religião, de forma geral. Mas isso não cabe aqui.

    Existe uma parte do pensamento cristão que é persistentemente ligado ao atraso e à violência, isso independe de contexto. Discutia isso com o ferrari, ele me acusou de anacronismo. Eu discordo desta acusação, por um simples motivo: durante os períodos de maior truculência por parte da igreja, sempre houveram pessoas capazes de identificar – dentro e fora da “fé” – os abusos cometidos, isso durante o período. Isso acaba com a tese do “anacronismo” ou da “má-fé”.

    Ratzsinger é um atraso ambulante, ele sim é anacrônico. Sim, ele é um homem brilhante, eu também li o debate dele com Habermas, mas ele é um homem que tem “higher grounds” morais, e portanto, se torna rapidamente uma figura capaz de extrema violência enquanto tenta falar de “valores”. Este exemplo da menina explicita bem esta truculência e violência da igreja quando é incapaz de sair do seu “higher ground”, e tenta falar desta moral e princípios angélicos para uma menina de nove anos, desnutrida e que não tem condições de enfrentar uma gestação.
    Má-fé é ignorar isso tudo e dizer que “a vida é o princípio mais alto”, qual vida? É uma afronta à inteligência alheia isso, tchê.

  14. Acho Bach um saco, mas daí é questão de gosto.

  15. Marcelo disse:

    Aproveito essa ocasião pra promover o site de um homem muito sábio:
    http://blogpastormoises.blogspot.com/
    Um homem culto:
    “O Governo ao invés de gastar dinheiro para prender os bandidos por aí ou arrumar recursos para aparelhar os hospitais apenas armam uma operação de mentira no qual pinga gotas inócuas na boca das crianças e diz que assim elas estarão saudáveis sem doença. Ótimo, então que eles fechem todos os hospitais públicos e fiquem curando o povo com essas gotas já que são tão milagrosas, é muita canalhice dessa corja que brinca com a saúde da população.” -Dos meus filhs cuido eu

    Com discernimento:
    “Quanto a esses grupos de Heavy Metal cristão isso é um contra-senso, seria como algúem formar uma organização chamada Maconheiros de Cristo , totalmente sem propósito.” -O que ouvir

    Que só usa fontes confiáveis:
    “O problema já começa por ser uma banda de rock, ritmo este desde o início associado a dissolução dos costumes e ao satanismo, como bem disse Raul Seixas: “O Diabo é o pai do rock” -U2 é outra banda satânica

    De nada =)

  16. Marcelo disse:

    Esqueci de falar que o Pastor moisés, além de tudo, é um homem desprendido:
    “Eu fico feliz que a montadora Peugeot tenha considerado minhas críticas na criação de novas propagandas. Inclusive eu não me importaria de ser consultor de propaganda para as grandes agências brasileiras” -A Peugeot me respondeu

    =D

  17. moysespintoneto disse:

    Também não gosto de Bach. Acho cravo um saco.

    By the way, que saco essa quantidade de Moiséses citados no post. Me causa indigestão essa coincidência chata. A violência já começa com o nosso nome, não?

  18. moysespintoneto disse:

    Ops, não no post, nos comentários (as citações).

  19. sempre te achei com uma baita cara de pastor, Moyses :P
    Vamuabri uma igreja, ae.

  20. moysespintoneto disse:

    Sugiro Igreja Missionária Circular-Quântica

  21. é nóis.
    Richard Dawkins para santo, djá. Só para irritar o Humeano.

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