Interesse público?

O ápice da metodologia de trabalho de Protógenes está registrado num relatório da PF classificado como “confidencial”, com data de 12 de junho do ano passado. Nele, o delegado diz que tem sido “alvo de constantes vigilâncias”. A única “vigilância” que Protógenes cita no documento teria acontecido no restaurante Original Shundi, em Brasília. Na noite anterior à elaboração do documento, o delegado diz que jantava no restaurante quando o advogado Nélio Machado, que trabalha para Dantas, se sentou numa mesa próxima, acompanhado de um grupo de “pessoas não identificadas”. Narra o relatório: “(Os advogados) passaram a se comportar em (sic) atitudes suspeitas, o que por dever de ofício obrigou o DPF Queiroz a sacar o celular e fazer o registro fotográfico das pessoas que ali se encontravam” – o que, de fato, Protógenes fez. As fotos estavam no computador do delegado e mostram o advogado e seus amigos… jantando. Muito suspeito. Durante meses, o delegado Protógenes espalhou que o advogado Nélio Machado estava acompanhado de assessores do ministro Gilmar Mendes, em uma clara insinuação de que haveria uma relação promíscua entre o presidente do STF e a defesa do banqueiro. Ele dizia que tinha fotos que provavam o encontro. Nunca as mostrou. Agora a razão disso ficou clara. Quando a Polícia Federal identificou as pessoas que são vistas nas imagens, o blefe de Protógenes apareceu em toda a sua pomposa falsidade. Foi mais uma tentativa criminosa do delegado de atingir o presidente do STF, portanto, chefe de um dos poderes independentes da República.

Bahn. Mas que matéria complicada esta da Veja, hein? Eu tinha escrito um monte de coisa, antes de me tocar que eles tiveram acesso à investigação da PF, que eu imagino ser pública. Mas cacetada, tem material aí para acabar com a vida do Mangaba para todo sempre. Podreira braba esta do Opportunity.

Só uma pergunta, estes documentos da PF, eles qualificam como fonte jornalística? Falando sério, eu realmente fiquei na dúvida se este tipo de investigação pode ser aberta ao público assim, no más? Eu acho que devem ser abertos, mas eles podem?

Comments
3 Responses to “Interesse público?”
  1. moysespintoneto disse:

    Eu acho estranha essa disputa que vem acontecendo na Internet sobre Dantas, Mendes, Protógenes e Satiagra. Primeiro, porque tem muita gente falando sobre o que não sabe (processo penal, jurisprudência do STF, etc.). Segundo, porque está ocorrendo uma ideologização no sentido mais espúrio do termo: quer dizer, coisas factuais estão sempre embrulhadas com a disputa ideológica envolvida. Falta um bom trabalho da imprensa séria – de jornalistas com credibilidade (ex. Helio Schwartzman, Elio Gaspari, etc.) – para nos trazer alguma versão um pouco confiável.

    Nesse ponto, o comportamento da Veja é altamente suspeito. A Veja não tem precedentes na defesa do “Estado de Direito” e na irresignação contra atuação da polícia. Ao contrário: sempre foi uma revista de viés punitivo acentuado e nem um pouco preocupada com garantias individuais. Exemplo recente: casal Nardoni. Por que a revista resolveu agora atacar a polícia federal? “Não consigo entender.”

    Porém também não confio nas fontes do outro lado. Paulo Henrique Amorim, Mino Carta e Luis Nassif são tb “ideológicos” demais. Contaminam os fatos demais para puxar para si a brasa. O mesmo da blogosfera esquerdista que está assanhada num punitivismo-torquemada desvairado, relembrando os piores momentos que gostaríamos de esquecer.

    Algumas coisas NÃO DÁ PARA OPINAR, SÓ LENDO O INQUÉRITO. Não tem outro jeito. E, no entanto, o pessoal está cheio de saberes sem saber nada.

    Apenas de tudo isso, vou dar meu chute. Minha suspeita é das piores: acho que temos de um lado um araponga maluco que quer ser o messias brasileiros (e esquerdetes defensoras, herdeiros do stalinismo); de outro, um caso gigantesco de corrupção que contaminou inclusive a mídia e a Veja é partícipe (e a revista viu que partindo para o ataque se defende melhor).

    Quer apostar como vai “tudo” dar em nada?

  2. “Algumas coisas NÃO DÁ PARA OPINAR, SÓ LENDO O INQUÉRITO. Não tem outro jeito. E, no entanto, o pessoal está cheio de saberes sem saber nada.”

    Era nisso mesmo que eu tava pensando. Parece que faltou jornalismo nesta materia da veja. Isso que me impressiona nos semanários brasileiros, a inabilidade completa de fazer uma porra de uma REPORTAGEM. Tipo: justifica teu salário, magrão.

  3. Marcelo disse:

    “Punitivismo-torquemada” é uma frase que eu vou começar a usar.

    Sobre o inquérito e ideologismo na mídia, já foi discutido nessa sessão:

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