Um comentário

Sobre o estado de coisas:

But shame continues to work for us, as it worked for the Greeks, in essential ways. By giving through the emotions a sense of who one is and of what one hopes to be, it mediates between act, character and consequence, and also between ethical demands and the rest of life. Whatever it is working on, it requires an internalised other, who is not designated merely as a representative of an independently identified social group, and whose reactions the agent can respect. At the same time, this figure does not merely shrink into a hanger for those same values but embodies intimations of a genuine social reality – in particular, of how it will be for one’s life with others if one acts in one way rather than another.  (WILLIAMS, Bernard. Shame and Necessity, p. 102

[Mas a vergonha continua a trabalhar para nós, como trabalhou para os Gregos, de formas essenciais. Trazendo através das emoções um sentido de quem alguem é e de quem alguém espera se tornar, a vergonha media entre ato, caráter e consequencias, e também entre demandas éticas e o resto da vida.No que quer que esta vergonha seja baseada, ela requer um outro internalizado que não é meramente designado como representativo de um grupo social independentemente identificado, e cujo as ações o agente pode respeitar. Ao mesmo tempo, esta figura não é encolhida em um mero depositório para aqules mesmos valores [ato, caráter, consequencias, demandas éticas. F.P.] mas uma encarnação das intimidades de uma realidade social genuina – em particular, de como as relações de um indivíduo com outros serão constitutivas se o sujeito age de uma forma em detrimento de outra]

Desculpem a tradução apressada desta passagem complexa, e um pouco truncada do Bernard Williams. Mas ela é mais ou menos a história dos últimos dois dias.

Em outras novidades, alguém aí sabe me dizer como a proposição que diz que as pressuposições metafísicas são sem-sentido é consistente com a proposição sete?

Ah sim, nunca é demais recomendar o livro “Ética” do Bernard Williams. Trata-se do maior trabalho sobre naturalismo e ética no século XX. Sim Prof. Tugendhat, eu estou olhando para o senhor. Creio que na lingua culta eles dizem “You’ve just been served”. (não que a tese naturalista magicamente adquira sentido com o Williams, mas ele descreve ela de uma forma que me dá vontade de abraçar ele)

Comments
5 Responses to “Um comentário”
  1. crib tanaka disse:

    vergonha! hoje estou com ela.

  2. PAULO disse:

    vc poderia me explicar o seu ultimo paragrafo em linguagem leiga?Sem criticas ,entenda ,por favor
    Se eu entender eu falo
    Sinceramente não é gozação e realmente um pedido para poder dar uma opinião,pq com quase 60 anos tá dificil ir estudar o que é metafisica

  3. nythamar disse:

    Oi Fabs! Eu concordo que o Bernard williams foi, sem dúvidas, o maior filósofo moral britânico contemporâneo e um dos mais originais de todos os tempos, sobretudo pela tentativa de articular paixões e razão, sem recorrer a modelos deontológicos (kantianos) ou utilitaristas (pós-humeanos). Mas em tudo na história da filosofia ocidental tem bastante “déjà vu” por ex. nas suas tentativas de evitar reducionismos, muitas vezes lembrando Nietzsche e até mesmo Heidegger em seus retornos à ética substantiva de Aristóteles. A meu ver, a tendência hoje no século XXI é de contrapor a metafísica ao naturalismo numa acepção científica forte, quase como fisicalismo e determinismo. Por isso a interlocução com Tugendhat parece tão atual e importante (assim como, a meu ver, sempre foi a proposta de Habermas). A nossa sociabilidade humana pode ser quase toda explicada em termos naturalistas –o problema é a tal da normatividade, ou da passagem de um nível descritivo ou expressivo a um nível prescritivo. Por que chegamos a ser o que somos, como espécie, tendo passado por todas as religiões e processos civilizatórios etc etc? A filosofia moral tem que sempre voltar a nossas concepções de história e de natureza humana, sem no entanto cair nas armadilhas de uma filosofia da história ou de uma antropologia filosófica. Esse é o desafio que Williams explorou tão bem, com tanta finesse e perspicácia. Sobre isso tem 2 sites interessantes do BW:

    http://www.royalinstitutephilosophy.org/articles/article.php?id=39

    http://www.lrb.co.uk/v24/n20/will03_.html

  4. A questão que também me parece pertinente neste nível descritivo, professor, é como tu descreves quando tu usas termos naturalistas. Muitas vezes eu fico tentado, diante das explicações naturalistas sobre o comportamento humano, a dizer “sim, isso é o caso. Mas não é muito interessante”. Parece que sempre sobra algo sobre o qual o naturalista não consegue falar, e este algo é o mais importante para ser dito! Neste sentido, eu não consigo seguir o naturalismo depois de um certo tempo. Seja ele um modelo de “sentimentos”, como me parece o caso com o Williams. Ou um modelo via “justificativa”, como seria o caso com o Tugendhat.
    O naturalista sempre tem um nível de análise, de descrição, que me bate – mesmo no modo mais sofisticado, como é o do Williams – como profundamente desinteressante. Por isso que me interessa especialmente o modo como autores como Husserl ou Heidegger vão falar de “natureza” ou “natural”, colocando uma forma diferente de descrever fenômenos – que inclusive, no caso do Husserl, parece poder lidar com a questão da normatividade de forma mais satisfatória do que o modelo naturalista, que muitas vezes apenas diz “o normativo é ad-hoc. Q.E.D.”
    Claro, não preciso dizer aqui que a tese do “relativism of distance” me é muito querida. Sem falar na crítica de Williams ao utilitarismo, que no meu entender ainda não foi respondida por nenhum teórico da área. “Se o utilitarismo estiver certo é o caso, é melhor agir como se ele não fosse o caso” consiste na crítica mais bem articulada ao modelo finalista que eu já li.

  5. moysespintoneto disse:

    Eu me lembrei do Rorty nessa discussão: será que a descrição naturalista não é somente uma descrição, e não “A”? Quer dizer, quando estamos jogando o jogo de linguagem científico, ele cai bem; quando vamos compreender os fenômenos, ele vai mal, porque não consegue capturar aquilo que-como disseste- é o mais fundamental. Dizer que a minha mente processa de forma X ou Y quando estou com a emoção Z não me diz nada do PORQUÊ de a emoção Z me despertar X ou Y. Dizer que eu amo alguém porque meu cérebro se enche da substância X não diz nada sobre amor, alguém, eu. O que é amar?
    Paradoxalmente, Rorty era um naturalista. Por isso eu acho que ele perdeu o desafio lançado por ele mesmo de ser o mais “anti-platônico” dos filósofos. :)

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