Em algum lugar,

Fernando Henrique Cardoso está surtando.

Consigo ver a cena. FHC batendo na mesa e dizendo “agora chega, vou mandar minha biografia com o prefácio do Bill Clinton via aérea!”

Em tempo:

Eduardo Galeano, Chávez? Sério? Não quer dar uma fitinha VHS do Chapolin, um LP do Agepê e um livro de poemas do Neruda, assim, só para complementar o pacto de mediocridade latino-americano?

(com todo o respeito ao Chapolin, é claro)

Comments
37 Responses to “Em algum lugar,”
  1. Tatiana disse:

    Pára, Neruda não!

    Não mete o Neruda nas tuas demências; já tá na hora de superar traumas de infância, não te parece?

    :P

    tic-tac-tic-tac

  2. Fazedor automático de poemas do Neruda (Nerudator 2000):

    Meu [nome afetivo para pessoa amada]
    que fica [adjetivo de distância pouco utilizado]
    e cheira como o [perfume de planta andina que ninguém nunca viu na vida, muito menos cheirou]
    tal qual o [alguma coisa relacionada com o sol, via de regra crepúsculo] no [lugar andino onde, cetamente, o frio não te deixa reparar no sol]

    Queria que meu [nome alternativo ao acima usado para mulher amada]
    nesta [outra distancia] inefável
    como [deus que ninguém mais acredita, nem o neruda]
    naquele [episódio místico aleatório, não precisa ser relacionado com o deus acima, mas ajuda se for]

    Que [adjetivo relacionado com amor e dor ao mesmo tempo]
    Num [algo relacionado com tempo, geralmente bem explosivo, tipo “átimo”]
    Viu
    [aquele fenômeno do sol ali em cima, mas agora o contrário]


    Neruda=Cumpadi Uáxinton dos Andes.

  3. Para não dizerem que eu minto:

    Hemos perdido aun este crepusculo.
    Nadie nos vio esta tarde con las manos unidas
    mientras la noche azul caia sobre el mundo.

    He visto desde mi ventana
    la fiesta del poniente en los cerros lejanos.

    A veces como una moneda
    se encendia un pedazo de sol entre mis manos.

    Yo te recordaba con el alma apretada
    de esa tristeza que tu me conoces.

    Entonces, donde estabas?
    Entre que gentes?
    Diciendo que palabras?
    Por que se me vendra todo el amor de golpe
    cuando me siento triste, y te siento lejana?

    Cayo el libro que siempre se toma en el crepusculo,
    y como un perro herido rodo a mis pies mi capa.

    Siempre, siempre te alejas en las tardes
    hacia donde el crepusculo corre borrando estatuas.

  4. o primogênito disse:

    E nem gostava do A.G.P.
    Agora vou ter que pegar aquele elepê antigo prá ouvir, pq se ele é tão bom quanto o Galeano, o chapolin e o Neruda, devo ter me enganado..

  5. o primogênito disse:

    Quem é esse tal de FHC? Alguém lembra dele?

  6. Pedro disse:

    Sensacional!!

    PS – Neruda ficaria bem melhor (e mais palatável) com duas gostosas (sorry, meninas!) dançando/rebolando ao lado. Bem melhor!

  7. Renata disse:

    eu assino embaixo dos comentarios da Tati e do “primogenito”.
    A proposito: Quem é Pedro? E… não, Pedro, eu não te desculpo…

  8. Tatiana disse:

    Eu lembro do FHC! Eu lembro!

    Um dos maiores cientistas sociais da America Latina (ainda!), e também o presidente que tirou o Brasil do buraco!

    Ah, e também é o cara que (ainda!) escreve coisa com coisa, diferente do Galeano, cuja análise histórica não poderia ser mais rasteira!

    Como esquecer?

    Por sinal, eu também não desculpo o Pedro. Machismo pouco é bobagem, né?

  9. Ferrari disse:

    “Neruda=Cumpadi Uáxinton dos Andes.”

    Muito boa.
    Ao gerador do Neruda, sugiro uma discussão acadêmica tão relevante quando a levantada, que é a de sambas-enredo.

    Desde tempos imemoriais [insira o título do samba]
    Então veio o homem branco, navegante…
    Encontrou o negro e o índio…
    Da mistura surgiu [atua quadro do objeto]
    Êêê, beleza sem fim!

  10. Ferrari disse:

    Favor apagar o primeiro comentário e esse. Burrice humana em ação.
    Acho que é pq li FHC _e_ Galeano.
    Ninguém merece.

  11. Pedro disse:

    Quem é Pedro?! Tá aí um bela d’uma pergunta…

  12. o primogênito disse:

    de qual FHC estão falando?
    Do que deu o patrimônio nacional,
    do que aumentou a disparidade econômica entre os pobres e os mais ricos no Brasil,
    do que representou (e ainda representa) o que há de mais conservador na política brasileira (social-democracia?)
    ou daquele que disse para esquecer tudo o que tinha escrito antes de ser presidente?
    Talvez o que ele escreveu depois de ser presidente valha alguma coisa… mas até quando? até ele se eleger e pedir para esquecer de novo?

    obs.: Eu gosto do Galeano, mesmo achando que o material que ele escreve está hoje mais para cultura do que para história. Ele teve um papel importante nas minhas opções ideológicas.

  13. Tatiana disse:

    Ué, pelo visto então você se lembra desse tal de FHC…

    Deve se lembrar também que foi ele também que propiciou a establização econômica do país que, entre outras coisas, possibilitou a realização de muitas das políticas públicas que angariam popularidade e admiração para o atual do atual presidente, Sr. Luís Inácio da Silva…

    Esse FHC, por acaso, é o mesmo cara que impediu a “africanização” (nos termos de alguns comentadores) do Brasil, ou seja, o desmembramento do tecido institucional que mantém o estado atuando…

    Ou seja, mesmo levando-se em consideração os problemas que o seus dois mandatos apresentaram (e que ninguém negou aqui, em momento algum, diga-se de passagem), ele segue sendo um dos grandes estadistas da história brasileira, e seu governo segue sendo um “turning point” essencial na história contemporânea do pais.

    Negar isso é negar evidência. E negar evidência é, de fato, coisa de ideólogo.

    Agora, retornando ao tema do post, me parece que o que o Fabrício quis avaçar aqui é o paradoxo de se presentear um intelectual com um livro que, evidentemente, não está entre os melhores produzidos na America Latina e sobre este continente. Trazer o FHC foi, me parece, um recurso estilístico, um exemplo de um intelectual, entre tantos, que escreveu livros melhors que o “Veias Abertas”. E que de fato, negou as suas teses da década de 1970, o que não é nada mais condizente com o cientista social que ele é que, uma vez confrontado com evidências contrárias ao seu argumento, capitulou e revisitou suas hipóteses.

  14. para constar:
    Eu estava fazendo a relação com o FHC não porque ele é um intelectual brilhante (que ele é), mas pq ele é um pavão.
    Fiquei imaginando o velho surtando “MAS COMO ASSIM NÃO DEU UM LIVRO MEU”

    mas por favor, não parem. Tô esperando quem vai falar do Consenso de Uáxintòn primeiro. Fiquei imaginando o Tchan no Consenso de Uàxinguitong. Sugestões?

  15. Tatiana disse:

    Ah, e sobre a outra discussão neste mesmo post:

    O Pedro pelo visto é um cara que não sabe quando passou do limite.

  16. Pedro disse:

    (Ritmo de Axé mode on)

    Aí vai o Bush, requebrando e sambando
    Lá vem o Barack com o seu molejo sensual
    Roberto Campos aplaudindo o Consenso
    E caindo no Carnaval…

    Tch-Tch-Tch-Tchan!!! (34x)

    Rebola Ordinário!

    (Depois dessa, vou dormir por uma semana!)

  17. Ferrari disse:

    O cara passa do limite com anões besuntados.
    Se bem que o FHC e o Galeano juntinhos e besuntados tbm parece um limite bem factível.

  18. Pedro disse:

    Estimada Tatiana,
    um dia, espero, vamos nos conhecer e tu verás que eu sou um cara bem limitado e, claro, sabedor dos limites.

    Pedi desculpas antecipadas e as peço novamente. Achei que o comentário não foi exatamente machista; foi misógino. Contudo, pensei que se encaixaria no contexto.

    Com todo respeito a ti e ao Neruda, ele não é um poeta de primeiro time, no que devemos concordar.

    Nem sei que tipo de desculpa vou ter que pedir pelo “Samba do Consenso” ali de cima…

  19. Renata disse:

    Pelo “Samba (ou axé) do Consenso” recomendamos que tente nascer de novo, desta vez menos misógino. Gratas.

  20. Ferrari disse:

    Olha, acho que vou estar me metendo em águas turbulentas, mas não entendi o pq da fúria das meninas? Pelos “gostosas”? Repetidas vezes vi as duas chamarem oum homem de “gostoso”. Se é pelas bailarinas, creio que ele quis se referir às do grupo É o Tchan, Gerasamba, Paquiderme Tchuchuco ou algo assim. Elas estão lá, e a profissão delas acima de dançarem é parecerem gostosas, pra atrair um tipo de público bem definido. Nesse caso acho que dá pra acusar o Cumpadi Uáxitu, mas não o cara que faz alusão à sua “política”.

    Ou o FHC, jpa que eles apareceram no governo dele. A culpa é do FH.

  21. Habkost disse:

    Neruda = Chico Buarque = Evil Morales = Olavo de Carvalho.

    A minha contribuição mui ilustre para essa discussão.

  22. Habkost disse:

    Chico Buarque = Stepford Wife!

  23. Letesgo disse:

    E ai Aparicio, salivando com a situação??

  24. Oi Letesgo!
    E aí, letesgo?
    Letesgo, e agora?
    Letesgão!

  25. Chico Buarque=Traída Wife!

  26. Habkost disse:

    Chico Buarque = terremoto na Itália

  27. Chico Buarque = Galinha de angola
    Chi-có; Chi-có; Chi-có

    até cisca, o infeliz

  28. o primogênito disse:

    Ainda sobre o Galeano, cuja obra eu continuo admirando (mais do que os textos renegados do FHC), trata-se de um jornalista, não de um historiador ou cientista social.
    Talvez isso é que tenha feito o original escrito em 1976 ainda ser tão lido (e discutido).
    Sei que é complicado debater sobre isso com os doutores, mas não tenho medo de assumir ideologicamente algumas posições, mesmo que pareçam anacrônicas (admitindo sempre a possibilidade de estar errado, o que aprendi depois dos 30).
    Coisa que um psicólogo possa talvez explicar, como alguns tentaram explicar a revolução russa analisando traços da personalidade de Lenin e sua relação com o irmão mais velho.
    Quem sabe… sempre se pode aprender algo quando não se tem premissas indiscutíveis e verdades absolutas, encobertas ou não com o manto de evidências (fatos científicos indiscutíveis já afirmaram que o sol gira ao redor da terra e evidências foram consideradas suficientes para provar que os ratos geram-se autonomamente com o acumulo de lixo e sujeira nos cantos da casa).

  29. Vamos combinar.
    Nivel de complexidade de Eduardo Galeano=Terceiro ano o segundo grau, SE TANTO. E vou dizer de novo: meu ponto era TIRAR SARRO da situação, não fazer pouco caso do Galeano ou dizer que o FHC é superior ou inferior. Tá bom, tá bom. Era tirar sarro do Galeano. Mas pelo menos não foi minha INTENÇÃO ser apologético ao Cardoso, bem entendido. Foi, isso sim, tirar com a cara do Raposão.

    Sobre o papo do positivismo lógico que tá virando isto aqui (maravilha, atoron!),

    Não é nem questão de “realismo” ou “anti-realismo” ou “evidencialismo” e “anti-evidencialismo” ou “ceticismo metodológico”, como queiram chamar estas discussões sobre a realidade das proposições “científicas”.

    Mas esta é uma discussão da qual gosto muito. Premissas indiscutives e verdades absolutas são INCOMPATIVEIS com evidencias, como bem sabes. É uma questão de ler o Hume. Sem embargo, existe algo de objetivo sobre o saber científico? Sim, é justamente o que independe da nossa crença na cientificidade. Mais ou menos como admitir que a crença que o sol gira ao redor da terra é objetivamente impossível – indempendentemente da cientifidade da tua argumentação tentando provar ela.

    De qualquer forma, sobre o psicologismo trazido à tela e o “doutores”. Direi apenas que não tenho doutorado, e quando tiver, se me chamarem de doutor vão levar chute no saco. Estejam avisados.

    Sobre o psicologismo, francamente, né? A última vez que um psicólogo tentou argumentar alguma coisa sobre ciencia, por deus, a gente teve que ler “Em defesa das causas indefensáveis”, ou algo assim, daquele embuste do Zizek. Nas palavras imortais do boleiro, treino é treino/jogo é jogo.

    Minha relação com meu irmão mais velho é boa, thank you very much. Se comparar com o Lenin de novo, vai levar chute no saco também.

  30. Tatiana disse:

    Bom, André,

    Se você prefere adotar esse suposto anarquismo metodológico, realmente, é melhor ficar na companhia de jornalistas e ideólogos que de cientistas.

    Eu, particularmente, prefiro reconhecer que houve avanços científicos significativos nos últimos 500 anos, que que pesquisa e atenção a evidências nos ensinaram diversas coisas sobre o mundo onde vivemos (tanto o natural quanto o social). O que não significa que pesquisas não possam enveredar por conclusões errôneas, mas é por isso que o ceticismo e constante debate epistemológico e metodológico são partes integrais de qualquer projeto investigativo sério.

    O que nos leva diretamente ao seu último ponto: até onde me consta, tanto o geocentrismo quanto a abiogênese nunca foram “provados” através de pesquisa sistemática, ou seja, observação de evidência e condução de experimentos de maneira minimamente replicável e padronizada. Pelo contrário: quando adotados alguns dos pressupostos mais básicos do metodo ciêntifico moderno, tais teorias foram rapidamente descartadas.

    Todavia esses seus dois exemplos são muito positivos como indicação da perniciosidade de se deixar influenciar mais por ideologias do que por ciência quando está se afirmando algo sobre o mundo. Afinal de contas, como esquecer do fatídico destino de Galileu Galilei, tendo que renegar suas descobertas que confirmavam a teoria de Copérnico, perante o Tribunal do Santo Ofício?

    “E pur si muove!”

  31. Moche disse:

    FHC foi um presidente razoável, nada além disso.
    Foi o responsável pela estabilização – esse foi seu grande legado, sem dúvida. Alguma coisa na saúde (genéricos, AIDS). Mas e os outros sete anos que ficou governando? Do ponto de vista institucional, foi tão ruim quanto Lula, basta ver que não mexeu nos partidos que eternamente governam o país (DEM, PP), não tocou na corrupção e inclusive afundou CPIs e ainda deu nomeou o “engavetador-geral” como chefe do MPF.
    Do ponto de vista da política externa, foi uma brincadeirinha que felizmente já passou.

  32. Eu acho os primeiros quatro anos do Governo FHC o evento mais importante da historia da politica no Brasil. O que acontece ali nao tem paralelo na republica.
    Os ultimo quatro anos, e o FHC sabe disso, ele vendeu a alma pela re-eleicao. Bom, ele que viva com isso.
    Sobre o lula, eh um presidente divertido.
    Quero saber quando a gente vai ter o ESCANDALO SEXUAL que a gente merece (Aecio, eu estou olhando para voce!).

  33. Moche disse:

    Hum, acho que um Presidente que tira alguns milhões da pobreza absoluta não é apenas “divertido”.

  34. Tatiana disse:

    Moysés te despreza.

  35. Tá, mas ele é divertido, vai?

    A propósito, o Lula é o novo pai dos pobres? Aiaiai. Isso não deu muito certo da última vez, né? :P

    Mas falando sério, eu acho que sim, tu tem razão, em termos de políticas localizadas para “tratar” a questão da miséria endêmica, o Lula pode ter feito um bom trabalho. Eu digo que pode, porque a gente precisa ver se as políticas que ele propôs vão ser sustentáveis ao longo prazo – ou se elas são uma medida assistencial que vai dar um “boost” de consumo para a classe “D” e “E” que vai se mostrar irreal.

    Mas é claro, o Lula soube passar inclusive o rancor do Partido dele com as politicas “liberais” e utilizar a malha institucional ao proprio favor.

    E qualquer um que ignora a genialidade do Lula enquanto figura política é um imbecil completo. O cara aprendeu o que tinha que fazer para se manter popular e como fazer, na marra, perdendo eleição e tudo mais.

    —-
    Continuo achando, no entanto, que a hora que se a merda estorar, vai ser o mesmo papo. “Não tenho nada a ver com isso”. Famoso papo de despachante, “Deixa comigo!” – Deu merda! – “Tenho nada a ver com isso”
    —-
    :P

  36. Ferrari disse:

    Acho que não teve presidente nessa história. O FH brincava de primeiro-ministro e o Lula de rei.
    Lula = Silas.

  37. Ferrari disse:

    Aliás, eu votava no Silas facinho.

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