Autorização

The memos released last week would be comical if they weren’t so tragic about the level of legal hairsplitting. In the case of Abu Zubaydah, the Justice Department lawyer instructed that as long as the CIA did not tell him anything about the insect, and the insect was non-stinging, “the insect’s placement in the box would not constitute a threat of severe physical pain or suffering to a reasonable person in his position.” Just how a lawyer sitting in his office in Washington, D.C., would know what a “reasonable person in his position” might think is unclear.

Uns tempos atrás, em um debate sobre estas questões de tortura, o Cristopher Hitchens me saiu com uma sensacional “quanto mais elaborada, quando mais absurda, a situação descrita para justificar a prática, mais contrário eu sou”. Creio que é uma excelente posição: a necessidade de colocar uma situação absurda para justificar a prática denuncia o quanto a prática é injustificável. Se tu precisas dar tantas voltas, criar cenários tão apocalípticos, para justificar a “tortura”, ou para mudar o nome da “tortura” para “interrogatório asganho” (enhanced interrogation), tu tá em apuros.

O governo Bush, no fim das contas, também simboliza os perigos daquela velha e boa ladeira escorregadia – da cadeia de justificações que tu abre quando tu admite certas práticas – ou quando tu admite certas retóricas. Principalmente porque tu não podes ter certeza da relação causal que tu pretendes defender.

Sim, é complicado tomar estas decisões. E a decisão pela tortura, acreditem, é a decisão common-sense aqui. Porque ela apela para os nossos sentimentos mais primários de  “eu falaria qualquer coisa sob tortura” , e “dar umas porradas neste filho da mãe não é grande merda se for para poder salvar vidas”. Já cansei de colocar estas questões aqui. O problema também, é das limitações do conceito de razoabilidade e mesmo de justificação – e são limitações, creio eu, que não necessitam das críticas do tipo metafísica ou ontológica geralmente feitas a este problema. Mas deixa isso pro Distropia.

De qualquer forma, vale a leitura desta matéria da Newsweek.

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