Foucault enquanto fracasso

Não vou nem entrar na questão do problema gigantesco que é usar Foucault para tentar entender QUALQUER COISA do mundo atual nem nas firulas interpretativas que fizeram de sua obra (sempre surgirá alguém para defender que “não foi bem isso que ele quis dizer”).

Mas, Walter. NÃO FOI BEM ISSO QUE ELE QUIS DIZER!

Brincadeira minha, só para indicar o texto do Walter. Que também podia se chamar “dos perigos de seguir a ortodoxia”. Este papinho Foucaultiano, que parou na interpretação dos anos 80, precisa, urgentemente, se reciclar. Sob pena de acabar com qualquer relevância para um autor que, sabemos, não é sério.

Mas que tem algumas coisas interessante.

(Não, Foucault não é sério. Desculpem. É legal, divertido, tem idéias geniais. Mas não é sério. Falta rigor e é cheio de buracos. Por isso mesmo que seguir a ortodoxia vai dar exatamente no tipo de problema que o Walter apontou no texto. Tu vai fazer uma análise tosca porque não consegue sair do “dispositivo”)

Comments
4 Responses to “Foucault enquanto fracasso”
  1. Ferrari disse:

    Acho que é pela força do hábito, mas sempre quando ouço alguém falando do Foucault parece que está tentando pegar alguém que esteja ouvindo. O pior é que às vezes conseguem (essa eu nunca tentei, não sou tão baixo).
    De qualquer maneira, pelo menos no meu campo o Foucault serviu para levantar a poeira, apesar de não fazer grandes contribuições diretamente.

  2. G.D. disse:

    OK, gosto demais do Fouca, apesar de NAO SER uma femilista lesbica post-80s nem um abolicionista penal utopico (pessoas que costumam dizer “Foucault” a cada tres palavras).

    OBVIO que um historiador chatonildo ou um filosofo durango encontra furos e tudo mais.

    Mas, agora, nao seria o caso de, ao inves de comparar ele com o metodologismo (inventei) atual, usar ele como fonte de uma NOVA ciencia? Parece papo new-age, eu sei, mas acho muito mais interessante – nessa quadra da historia uma bichona ousada propondo tumultos especulativos – do que todo o nosso rigorismo que tende a assepsia.

  3. Oi gêdê.

    Olha só, eu também gosto do careca apesar de ser um estudante de filosofia durango (ui).

    A questão do método, e da tal “nova” ciência, me parece, no entanto, uma forçada de barra genial quando estamos tratando com Fucô.

    Porquê o Fuco foi um cara que não tinha a seriedade para levar a frente um projeto epistemológico/metafísico ou mesmo uma fenomenologia. Ele não teve a competência de fazer isso, de pegar um paradigma e transformar, revolucionar ou mesmo resignificar ele.

    O final das palavras e as coisas é bem demonstrativo disso. A tentativa de colocar aquele duplo-empírico transcendental falha TANTO quanto uma re-leitura de Kant COMO uma re-leitura de Heidegger. E digo isso como alguém que gosta de Foucault.

    Não sei o que é um “rigorismo que tende a assepsia”. Isso me parece retórico, com todo respeito. Vamo lá. O que SOBRA se a gente abrir mão de rigor? Vamos aqui ficar sentados fazendo conversa de bar? Podemos colocar um disco do Caetano e chamar ele de filosofia? Podemos pegar um ativista, e chamar ele de filósofo?

    Não, não podemos. Porquê a filosofia é essa coisa chata, mesmo. E é difícil, também. O problema do Foucault é justamente tornar a coisa um troço “solto”, e daí o Halperin, aqui em Wisconsin, pode fazer um curso sobre “tornar-se homosexual” e chamar isso de um curso de filosofia (francamente, né?).

    Por outro lado, me causa certo espanto que o pessoal só gosta do FKT LOUCO DE COCA, e tende a evitar as coisas mais densas do FKT, as coisas que te obrigam a voltar para ele com uma certa atenção paradigmática – e, via de regra, ver como ele estava ERRADO mesmo onde ele foi denso.

    E esta é a outra coisa: é possível, sim, estar errado em filosofia. Por isso que tu precisa do tal rigor, para evitar ficar falando sobre coisas que não tem o menor sentido.

    Tumulto especulativo e anarquismo metodológico também, e eu te remeteria ao Feyerabend, NECESSITAM rigor. Não adianta, se qualquer criança pode olhar para todo teu tumulto e dizer “mas tio, isso aqui não tá encaixando ali”. A melhor coisa a ser feita é trocar de carreira, e ir tocar violão na rua da praia – ou fazer observação participante nos pits de Sanfran. :)

  4. Ferrari disse:

    Olha, acho complicado o Foucault estabelecer um novo paradigma na História diretamente, uma vez que ele diz com todas as letras que uma História científica não é possível. E isso é tão agressor pro pessoal da academia quanto o Hayden-White falando de “lírica histórica”.

    Mas como falei, ele levantou um monte de questões importantes no campo. Pra mim o cara que conseguiu captar isso muito bem foi o Certeau; que tinha uma formação bem semelhante ao nosso amigo carequinha, mas sem chegar aos extremos dele. Acho que ele não é tão “iconoclasta” quanto o Fucô, demole grande parte das pedras que estão no caminho mas propõe uma construção nova, sem discordar totalmente dele e ainda validando a História como ciência.

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